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Altos, por alto e em sobressalto: querem saber o que joga a Rússia? Rui Malheiro responde

Depois do empate contra o México, Portugal joga esta tarde diante da Rússia (16h, RTP1), a seleção anfitriã da Taça das Confederações. Rui Malheiro, analista de futebol, explica-nos o que esperar desta equipa

Rui Malheiro

FRANCOIS XAVIER MARIT

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A renovação protagonizada por Stanislav Cherchesov após o Euro’2016, que conduziu ao afastamento de jogadores com vasta experiência internacional, como os defesa-centrais Ignashevich (o mais internacional de sempre), Vasili Berezutski (terceiro mais internacional de sempre) e Aleksei Berezutski, assim como do médio cerebral Shirokov, além do eclipse das convocatórias do avançado/extremo Kokorin, do médio-ala/médio-ofensivo Shatov, do defesa-central/médio-defensivo Neustädter e do lateral-esquerdo Shchennikov, não está a produzir os efeitos esperados.

A um ano do Mundial, em que irá assumir o papel de organizador, a crise na Seleção russa – que, no novo século, só ultrapassou por uma vez a fase de grupos de uma grande competição internacional de seleções (Euro’2008) – continua instalada, como fica atestado em apenas 3 triunfos nos últimos 14 jogos realizados.

Na Taça das Confederações, competição que é vista como crucial para o relançamento internacional desta nova geração, Cherchesov não poderá contar com os lesionados Dzagoev (médio-centro ou médio-ofensivo), Dzyuba (avançado-centro) e Zobnin (médio-centro ou médio-defensivo), tridente que iria assumir um papel crucial, além de Ivan Novoseltsev (defesa-central) e de Mário Fernandes (lateral-direito). Perante um cenário bastante nubloso, o técnico, que abdicara do 1x4x2x3x1 como estrutura preferencial, para vincar a aposta num 1x5x3x2 desdobrável, em momento ofensivo, em 1x3x5x2, pode vir a asseverar uma estrutura em 1x5x4x1 ainda mais cautelosa, desdobrável timidamente, em momento ofensivo, em 1x3x4x2x1.

Com um perfil claramente expectante e parcas ideias em organização ofensiva, o que conduz a amplas arduidades em entrar na área com a bola jogável através de um futebol combinativo, a Seleção russa vive de uma aposta clara nos lances de bola parada laterais – pontapés de canto e livres laterais – em que o destro Samedov, secundado pelos canhotos Zhirkov ou Kamburov, buscam o pungente jogo aéreo de Vasin, Bukharov, Erokhin, Glushakov ou Smolov, e da contundência aplicada em ações de contragolpe, muitas vezes individualizadas, que têm Smolov – veloz, incisivo no um contra um e capaz de definir com os dois pés (destro preferencial) – como principal referência, coadjuvado por Samedov, Golovin, Miranchuk ou Poloz.

Em momento defensivo, os russos sentem-se mais confortáveis a defender num bloco médio-baixo, posicionando 9-10 jogadores nos últimos trinta metros, permitindo que os adversários tenham longos períodos de posse.

Ao estabelecer esse posicionamento mais baixo, os russos procuram estancar algumas dificuldades visíveis no controlo do espaço entre a linha defensiva e a linha intermediária, assim como as debilidades das unidades mais recuadas, fruto das limitações que sentem a nível da velocidade e da agilidade, no um contra um face a adversários acelerativos e com qualidade no drible, o que conduz a uma abordagem excessivamente impetuosa nos duelos que estão na origem de livres em zonas frontais e de grandes penalidades.

Além disso, são notórias as fragilidades na definição da última linha e no controlo da profundidade, que se tornam mais vastas no momento de transição defensiva, assim como as arduidades na defesa de bolas paradas laterais, apesar de contarem com jogadores muito altos – 9, por norma, colocam-se dentro da área –, fruto de uma defesa com predominância pelo individual, facilmente superável na antecipação, com cobertura zonal pouco incisiva do primeiro poste e da pequena área.

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