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Um Werner vale por dois com Alemanha nas meias-finais

Jovem avançado do RB Leipzig bisou na vitória por 3-1 dos campeões do mundo frente aos Camarões, que garantiram o 1.º lugar no grupo. Segue-se um confronto com o México para ver quem chega à final

Tiago Oliveira

KAI PFAFFENBACH / Reuters

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Já dizia Gary Lineker que o "futebol são onze contra onze e, no final, ganha a Alemanha." Tal como Constantino, a fama dos germânicos vem de longe mas se esta frase deixa implícito que o sucesso vem mais da robustez mental do que propriamente da beleza do jogo, essa imagem tem sido completamente afastada nos últimos anos. E hoje, mais uma vez, o conceito fez-se prova com uma segunda parte demolidora e uma vitória (que podia ter sido mais expressiva) por 3-1 frente aos Camarões para selar a passagem às meias-finais da Taça das Confederações.

Uma das seleções mais atrativas e com melhores valores do futebol mundial - mesmo a apresentar-se com as segundas linhas, como está a acontecer na competição - a Alemanha não abdica do estilo que tantos fãs lhe tem granjeado sob a tutela de Joachim Löw e continua a descobrir novo talento. Mais tremida por vezes (a ausência de jogadores como Özil, Muller ou Boateng seria sempre de notar), a seleção mais jovem em prova é séria candidata.

Do outro lado (e desculpem revelar já o final do filme), a segunda equipa com menor média de idades e que se despede da Rússia com esta derrota. Com apenas 1 ponto, os Camarões precisavam de ganhar por 2-0 para se apurarem e prometiam dar a luta possível para causar surpresa e deixar os campeões do mundo pela fase de grupos.

O começo da partida trouxe-nos uma Alemanha a tentar controlar o jogo com o seu habitual repertório de triangulações, passes curtos e rápidas trocas posicionais, enquanto os "leões indomáveis" entraram a partir para cima da defensiva contrária, embora sem criar grandes ocasiões de perigo nos minutos iniciais. Arnaud Djoum deixou um aviso aos nove minutos e o perigo à solta Christian Bassogog (a provocar entusiasmo audível nas bancadas sempre que pegava na bola) deram esperança mas não conseguiram furar a muralha.

Após 20 minutos de grande pressão, com dificuldades até em sair do meio campo, os europeus conseguiram reagir com Emre Can a dar o toque a reunir com um remate a passar próximo do poste direito. Poucos minutos depois, Kimmich desperdiça um grande cruzamento de Plattenhardt na pequena área e dá o sinal que o controlo estava a mudar. Mais eficazes a controlar o ímpeto camaronês, a partir daí, teriam contudo que contar com uma enorme defesa de Marc ter Stegen para não irem para o intervalo a perder. Com uma estirada para a fotografia, desviou com um pequeno toque a bola por cima da barra para negar o grito de felicidade a Anguissa.

O perigo parece ter feito acordar definitivamente os alemães que partiram para um arranque de segunda parte absolutamente demolidor. Logo aos 47 minutos, o primeiro golo. Boa troca de bola entre Draxler e Demirbay, com o primeiro a dar de calcanhar para o segundo que, na sua estreia na prova e fora da área, disparou sem hipóteses para Ondoa. 1-0 e o ritmo frenético permitiu à Alemanha acumular situações de golo perigosas enquanto jogava com categoria.

Os Camarões ainda tentaram reagir, com a entrada de Ngamaleu para tentar dar uma vertente mais ofensiva mas, em cinco minutos, tudo ficou resolvido. Com a ajuda do vídeo-árbitro (VAR) que, para este jogo, era Artur Soares Dias. Por duas vezes. Aos 61 minutos, o defesa Mabouka faz uma entrada perigosa e o árbitro recebe assistência do VAR para aferir da gravidade do lance. Após um primeiro visionamento, expulsa Siani, que não tinha estado envolvido no lance. Perante a confusão geral, o VAR voltou a entrar em jogo e permitiu corrigir o erro, com o vermelho a ser mostrado então ao jogador certo.

Finalmente, Aboubakar

Tudo resolvido (com justiça, diga-se) e, logo a seguir, o 2-0 para os germânicos e o início do "Tim Werner show". Perante um bom cruzamento de Kimmich da direita, o ponta de lança do RB Leipzig aproveitou a falta de lateral direito nos Camarões para aparecer nas costas da defensiva e cabecear de forma certeira aos 66 minutos.

Mesmo a jogar com menos um, os africanos não esmoreceram na busca de um golo e conseguiram mesmo obtê-lo por um jogador que passou o torneio inteiro à procura dele: Aboubakar. Aos 79 minutos, o avançado que pertence aos quadros do Futebol Clube do Porto deu um toque subtil de cabeça na pequena área e colocou a bola na baliza da Alemanha, não sem que Marc ter Stegen fique completamente isento de culpas.

O que podia ainda ser um complemento anímico para o que faltava acabou por ter pouco efeito perante mais um golo de Tim Werner que deixou a vitória segura aos 81 minutos, com uma finalização oportuna de pé direito na pequena área. Até final, a Alemanha ainda teve mais chances de marcar (e Tim Werner de chegar ao hat trick) mas Ondoa não deixou. 3-1 no final e, perante o empate do Chile, vitória que tira a Alemanha do caminho de Portugal para as meias-finais. Para se encontrarem na final?