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Rompeu os ligamentos do joelho, mas obrigou o médico a deixá-lo jogar

Fernando Gago estava em campo há dois minutos quando fixou mal o pé esquerdo na relva e torceu o joelho. Saiu do campo em dores, foi examinado pelo médico da seleção argentina e fez questão de regressar ao campo para continuar a jogar. Minutos depois teria mesmo que sair, em lágrimas

Diogo Pombo

JUAN MABROMATA

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¡Dejame jugar!

Fernando Gago está sentado na relva, com as pernas esticadas, fora de campo, mas mesmo ao lado da linha lateral. Tem na cara um sofrimento a misturar-se com a tristeza de estar a viver aquele momento. Tem dois homens à frente, ambos médicos da seleção argentina, e acaba de gritar estas duas palavras ao que lhe toca no joelho esquerdo e o apalpa, examinando-o.

Testa-lhe a estabilidade do joelho e, apesar de não o ouvirmos nem lhe sermos capazes de lhe lermos os lábios, terá dito ao jogador que rompeu um dos ligamentos do joelho. Que tem de sair, está magoado, não dá para jogar mais.

¡No importa!

É a resposta que Gago lhe grita, inquieto e exasperado. Quer voltar para o campo onde entrara há dois minutos, a meio da segunda parte do Argentina-Peru que se joga na Bombonera, estádio do Boca Juniors, clube dele e capitaneado por ele. Está à frente da sua gente e de regresso à seleção que não o convocava há dois anos.

Ele berra e insiste até o segundo dos médicos pegar numa fita adesiva azul e lhe atar o joelho, num remendo improvisado para impedir que mais coisas se rasguem ou saiam do sítio.

Fernando Gago levanta-se, cara sofrível, e volta para o campo. Ainda chega a tocar na bola e a passá-la até que percebe o inevitável. Não dá mais. Sete minutos após substituir Banega é substituído por Enzo Pérez. Sai em lágrimas, a chorar, em direção ao balneário.

Hoje, no dia seguinte, a seleção confirma que o médio, de 31 anos, rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo, lesão que o manterá sem jogar durante, pelo menos, seis meses.

E deixou-nos o momento em que um futebolista tentou contrariar o corpo, o azar, as dores e a probabilidade de agravar um problema sempre grave para continuar a ajudar a seleção do seu país. Por mais inconsciente e imprudente que fosse essa tentativa.