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O remate de rabo sentado de Bas Dost, a não-agressão de André e três palavras para Adrien (o onze leonino visto por Rogério Casanova)

Rogério Casanova analisou os reforços e os que já lá estavam, mas não se esquece do que aconteceu no defeso com o capitão do Sporting. Portanto, o seu comentário a Adrien é curto - e seco

Rogério Casanova

Comentários

PATRICIA DE MELO MOREIRA

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Rui Patrício

Tocou na bola pela primeira vez aos 13 minutos, dando uma corridinha para fora da pequena área e cumprindo assim os dois objectivos estratégicos que previamente traçara: 1) impedir um canto para o adversário; e 2) não ficar com os braços dormentes. Já no fim do jogo parou dois remates perigosos, um deles depois de um livre directo, mas o momento em que passou por maiores apuros foi depois da saída de Adrien, quando passou a capitão: a manobra apanhou-o desprevenido e só não lhe causou mais dissabores graças à ajuda solidária de um colega, que o ajudou a colocar correctamente a braçadeira.

Schelotto

Surgiu bem a rematar na área aos 11 minutos e mostrou sempre disponibilidade para combinar com Gelson, embora essa nobre intenção fosse dificultada pelo facto de a bola que lhe saía dos pés quase nunca conseguir chegar aos pés de Gelson. De resto, o habitual estilo de galope, correndo com a bola não como se conduzisse uma forma esférica, mas como se perseguisse um pequeno roedor.

Coates

Joga com uma divertidíssima hostilidade latente, sabendo que a qualquer momento vai ser obrigado a tomar medidas violentas. Honra lhe seja feita, faz sempre tudo para evitar o recurso à destruição maciça, como ao minuto 79, quando parou um adversário que acabara de o ultrapassar em corrida obrigando o mesmo a fazer uma falta ofensiva, manobra que não está ao alcance de todos. O amarelo desnecessário que viu seis minutos depois, por derrubar a mesma pessoa, foi talvez a sua forma de pedir desculpa.

Rúben Semedo

Uma exibição que serviu para os fãs de longa data matarem saudades daquele Rúben Semedo anterior ao actual Rúben Semedo. Alguns passes transviados na primeira fase de construção, uma falta (que lhe valeu um amarelo) cometida por descoordenação motora, e duas ou três ocasiões em que calculou mal distâncias e conseguiu chegar atrasado aos lances, o que não é nada fácil para alguém com a sua velocidade. Chamemos-lhe uma pausa nostálgica e não nos preocupemos demasiado.

Bruno César

Definitivamente nomeado pelo treinador para o cargo de "César Peixoto" tentou cumprir os mínimos, tanto nas funções de "Bruno César" como nas sempre ingratas funções de "César Peixoto", mas a tensão resultante da tentativa de conciliar essas duas identidades parece estar a criar fracturas psíquicas. Ao minuto 20, o passe que Semedo fez para "Bruno César", e ao qual "César Peixoto" chegou compreensivelmente atrasado, foi o primeiro sinal de alarme. Já na segunda parte, a tensão atingiu um pico, que levou o próprio "Bruno César" a disciplinar corporalmente, por meio de calduços, um passe falhado de "César Peixoto". Enquanto não se nomear um "Fábio Coentrão", as coisas arriscam-se a não ser fáceis.

William Carvalho

Mais um jogo tranquilamente fatalista, enfiando-se vezes sem conta, e com comovente voluntarismo, em situações de crise. Adivinha com eras geológicas de antecedência que a bola lhe vai chegar na pior altura possível, os ombros contorcem-se num espasmo de falsa deselegância, e depois lá tem de rodopiar devagarinho, à espera que a realidade se ajuste ao seu sentido estético. A sua notória lentidão de processos voltou a criar problemas: demorou uma eternidade a desviar o pé da zona previsível de impacto, deixando que um jogador do Moreirense o atingisse e acabasse expulso.

Gelson Martins

A energia e alta rotação do costume, e a também já habitual facilidade em ultrapassar o adversário directo (o lateral que o tenta marcar) ou indirecto (o lateral que o tenta ajudar). Os cruzamentos por alto nem sempre lhe saem bem, mas o talento para inscrever o nome à bruta na ficha de jogo lá teima em manifestar-se de semana a semana. É, nesta altura, e por larga margem, o jogador ofensivamente mais perigoso da equipa.

Adrien Silva

Não jogou mal.

Joel Campbell

Não terá jogado na faixa esquerda – pelo menos neste sistema – muitas vezes na sua carreira, e na comparação directa com Bryan Ruiz fica claramente a perder em vários aspectos. Não parece o tipo de extremo confortável em espaços curtos, ou a receber a bola de costas para o ataque e já com uma matilha de vândalos a respirar-lhe na nuca. Foi um corpo estranho na equipa durante toda a primeira parte pelo que, na segunda parte, estreou-se evidentemente a marcar. Com o correr da partida teve mais espaço e tempo para se desmarcar para o espaço vazio; numa dessas ocasiões, já depois de se ter desenvencilhado do marcador directo, foi desarmado in extremis pelo relvado.

Alan Ruiz

O estilo algo pesado da pré-época sobreviveu parcialmente à perda dos quilogramas em excesso. No entanto, parece quase o oposto exacto de Campbell, na medida em que a falta de espaço não o inibe: tem, pelo menos, algum jeito para resolver barafundas com um ou dois toques. Para exibir o resto do seu potencial – nomeadamente aproveitar o desembaraço no 1x1 e a óbvia facilidade de remate – talvez seja necessário transformar-se num jogador fisicamente diferente do que ainda é.

Bas Dost:

Depois de Acosta, depois de Liedson, e depois de Slimani ter levado essa característica à extremidade do possível, eis que chega a Alvalade um ponta-de-lança que não encara cada inócua troca de bola entre os centrais adversários como uma situação de vida ou de morte. Mostrou um muito razoável primeiro toque a receber bolas longas. Teve a primeira oportunidade de golo logo a seguir ao intervalo, rematando cruzado de pé esquerdo depois de desviar um defesa do caminho. À segunda oportunidade, marcou, mostrando melhor técnica de remate com o rabo sentado no chão do que muitos avançados que ocuparam o seu lugar ao longo dos anos mostravam de pé.

Markovic

Podia ter sido outra estreia a marcar, mas um primeiro toque demasiado pesado ao minuto 78 impediu-o de ficar isolado frente à baliza. De resto foi tudo estranhamente familiar: os mesmos calcanhares, as mesmas acelerações, o mesmo cabelo indesculpável – agora com um equipamento diferente. Terá tempo para melhorar todos estes aspectos.

Elias

Talvez um dia venhamos a saber toda a história dos últimos dias do mercado de transferências de 2016, mas é legítimo assumir que, em algum momento, alguém terá feito a proposta mais inesperada desde que, em Outubro de 1975, Richard Burton se virou para Elizabeth Taylor e perguntou, "Eu sei que da primeira vez foi aquela desgraça, mas porque é que não voltamos a tentar?" Esperemos esta situação tenha melhor resultado.

André

A sua primeira intervenção no jogo foi uma abertura perfeita para Markovic. Sem tempo para mostrar muito mais, saliente-se o facto de ter estado em campo 12 minutos sem inventar um novo cocktail, agredir um polícia-sinaleiro, nem organizar uma orgia em pleno relvado.