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Bruno de Carvalho visto pelo “El País”: a tez pálida, o ar juvenil, o estilo mordaz e Pinto da Costa

O diário espanhol escreveu um texto sobre o “presidente-adepto” do Sporting, que se senta no banco, que tem curso de treinador, e que é “membro da burguesia lisboeta”

Lídia Paralta Gomes

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José Carlos Carvalho

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Se por cá ver Bruno de Carvalho no banco do Sporting há muito deixou de ser notícia, do outro lado da fronteira as palavras e as ações do “presidente-treinador”, como lhe chama o “El País”, não passaram despercebidas. Nem a sua “tez pálida, barba de três dias e certo ar juvenil”, talvez pouco condizentes com a atitude “impassível e mordaz” com que se apresentou na zona mista do Santiago Bernabéu, onde foi porta-voz único (os jogadores alegaram “regras de protocolo” para não falar) da ira verde-e-branca após a derrota inglória em casa do Real Madrid, com dois golos merengues ao cair do pano.

Diego Torres, jornalista do diário espanhol, traça esta quinta-feira um pequeno perfil de Bruno de Carvalho, presidente encartado com um “título de treinador nível II da UEFA”, “licenciado em administração de empresas”, “membro da burguesia lisboeta” e sobrinho de José Pinheiro de Azevedo, o "Almirante sem Medo". E em Madrid, Bruno de Carvalho mostrou que o estilo irónico não se circunscreve às fronteiras nacionais, com um par de declarações que surpreendeu a imprensa espanhola, talvez já pouco habituada a dirigentes tão apaixonados.

“Perdemos 2-1 e estamos no inferno. Mas imaginemos que estamos no céu. Imaginemos que não nos marcam uma falta no último minuto do jogo, quando ganhávamos 1-0 ao Real Madrid. Imaginemos que Cristiano não faz o 1-1. Imaginemos que aqui houve um árbitro...”, atirou Bruno de Carvalho no final do encontro, sem travão na hora de criticar o italiano Paolo Tagliavento. “Estou contente com os meus jogadores e com o meu treinador. Não sei o que fez para que o árbitro o expulsasse. Estava ao seu lado e não consigo entender porque expulsaram Jorge Jesus. Se calhar foi porque estava a fazer um bom trabalho... Estou impaciente para ler o relatório do árbitro, suponho que explique a razão. De algo vamos ter de nos rir, será um ata humoristica, decerto”.

Bruno como... Pinto da Costa

Os recados de Bruno de Carvalho e a sua presença no banco de suplentes fizeram Diego Torres atirar uma comparação que por cá também já não deixa ninguém de boca aberta. “Bruno de Carvalho não é o primeiro presidente que se senta no banco. Jorge Nuno Pinto da Costa, atual presidente do FC Porto, foi pioneiro nesta prática. O estilo estridente, desenvolto e agitador de Pinto da Costa rendeu grandes benefícios desportivos ao clube”, escreve o El País, para logo sublinhar que nos últimos anos “o velho magnata da ribeira do Douro prefere moderar-se”.

O presidente-adepto mudou-se agora para Sul.