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Quando Gelson quis, o Sporting arrancou

O miúdo nem marcou, mas foi a sua intensidade e magia que fez o Sporting agarrar o jogo e a primeira vitória nesta edição da Champions. Triunfo tranquilo por 2-0 dos leões frente a um Legia que só fez cócegas durante 10 minutos. Bryan Ruiz fez o primeiro e Bas Dost voltou a marcar.

Lídia Paralta Gomes

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PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

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Há ali um momento, pouco depois dos 10 minutos de jogo, uns 10 minutos em que o Legia teve a desfaçatez de ser a equipa mais perigosa, em que Gelson pega na bola e parece dizer: “Ora vamos lá parar a brincadeira”. Sacou de duas fintas, sentou o adversário e colocou certinho na cabeça de Bas Dost, que amorteceu para Adrien.

O lance não deu golo, mas a partir dali o Sporting tornou-se adulto.

Até aí o Legia tinha dado um ar de Estoril, que na sexta-feira também entrou empretigaitado em Alvalade. Jacek Magiera, treinador dos polacos desde sábado, teve ainda assim tempo para perceber onde podia fazer cócegas ao Sporting. Nas laterais, onde as cavalgadas de João Pereira e Jefferson deram espaço a Guilherme e Langil para fugir e chegar à área dos leões com facilidade. O Sporting tremeu aqui, desconcentrou-se ali, mas logo se adaptou à pressão. O Legia, que na liga interna vai penando no antepenúltimo lugar, durou, se tanto, 15 minutos.

O Sporting arrancou então para uma exibição segura, que se traduziu numa vitória fácil por 2-0. Mesmo órfã de Jorge Jesus, a equipa sacudiu a pressão inicial e seguiu o plano: boa circulação e aproveitar bem o maior ponto fraco do Legia, os lances de bola parada. E o perigo do Sporting começou a surgir exatamente por aí. Aos 18 minutos, Gelson deixou um bom exemplo daquilo que gostamos de chamar “falhanço escandaloso”. Jefferson marcou o canto, William desviou ao primeiro poste (esta combinação haveria de ser uma constante durante toda a 1.ª parte) e o miúdo meteu o pé com tudo em vez de dar o toque ligeiro que a bola pedia. Resultado: bola com estrondo na barra.

(Alvalade festejou o primeiro golo aos 25 minutos, esquecendo-se que Slimani mora agora em Leicester. Foram as saudades, talvez)

Se Gelson não soube colocar o pé, Bryan Ruiz sim e aos 28 minutos surgiu finalmente o golo que o Sporting já justificava, depois de largos minutos em que a pressão leonina obrigava o Legia a errar cada vez mais. Novo canto, outra vez Jefferson, com o médio sérvio Radovic a meter-se onde não era chamado e fazer um corte imprudente que só parou no pé de Bryan. O costa-riquenho, que tanto tem sofrido nestes lances em que, em linguagem técnica, “é só encostar”, encostou mesmo, cruzado, com classe.

Bas Dost voltou a marcar

Bas Dost voltou a marcar

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

O Sporting podia então ter arrancado para a goleada, mas só voltou a aproveitar os espaços que o Legia quase pedia licença para oferecer aos 37 minutos. Adrien Silva viu Bas Dost à vontade na área, picou a bola para o holandês que, sem dificuldade, marcou o quinto golo em cinco jogos pelos leões. Talvez para a próxima Alvalade não grite pelos golos de Slimani.

A primeira parte não terminou sem mais uma oportunidade através de bola parada para o Sporting (tão permeável este Legia…), com Coates, ainda bem longe da pequena área, a cabecear como mandam as regras para o voo de Malarz evitar o terceiro.

A 2.ª parte conta-se em poucas linhas. O Legia ainda ameaçou, mas só criou verdadeiro perigo aos 69 minutos, em contra-ataque, com Radovic, desta vez na baliza certa, a rematar frouxo. Isto numa altura em que Adrien e Bruno César tinham já iniciado o concurso para ver quem marcava o golo mais bonito.

Primeiro foi o capitão - que pelo que fez jogar e controlou, foi o melhor jogador em campo -, aos 55 minutos, com um remate de trivela ainda fora da grande área. Era bonito, sim senhor, mas a defesa de Malarz também foi. Aos 62’, Bruno César olhou para o canto superior direito da baliza do Legia, rematou em jeito, mas ligeiramente por cima. O concurso acabou por não ter vencedor.

De resto, a história fez-se com a saída de Gelson Martins aos 75 minutos para os aplausos (mais um grande jogo do miúdo) e com a entrada Petrovic aos 87, na estreia pelo Sporting.

O Sporting controlou, Raúl José mexeu já a pensar no jogo com o V. Guimarães. Sem sobressaltos de maior.