Tribuna Expresso

Perfil

Sporting

Rúben Semedo vai votar Trump (e Rogério Casanova continua a achar William a thing of beauty)

Rogério Casanova, que esta noite teve uma pequena visão de Slimani, gostou do muro que o central leonino construiu em Alvalade, ele que vai #MakeAlvaladeGreatAgain.

Rogério Casanova

Comentários

William Carvalho e aquela beleza que John Keats colocou em poesia

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

Partilhar

Rui Patrício

Aquele ar de pura concentração que ornamenta o seu semblante desde que se estreou na equipa principal aos dezoito anos começa finalmente a fazer sentido e a cumprir um objectivo que há algumas épocas atrás soaria absurdo: é a expressão de quem passa tantas das suas intervenções directas no jogo a usar os pés ou a cabeça, que tem de repetir para si mesmo a intervalos regulares que é guarda-redes, que sempre foi guarda-redes, que vai continuar a ser guarda-redes.

João Pereira

Ao minuto 54, ainda no seu meio-campo, cortou para dentro e teve uma daquelas arrancadas fulgurantes pelo centro do terreno, queimando gradualmente opções e potenciais linhas de passe à sua passagem, obrigando-se a desembaraçar-se caoticamente de sucessivos obstáculos até não ter outra opção senão sofrer falta. Era um dos movimentos típicos de João Pereira na fatídica época de Paulo Sérgio no Sporting, com a diferença de que na altura era também a mais eficaz manobra ofensiva da equipa. Que hoje João Pereira ainda pareça o mesmo é um tributo à sua forma física. Que esses lances pareçam hoje meros interlúdios pitorescos é um tributo ao que o clube evolui desde essa altura.

Coates

Passou o jogo a confrontar-se com decisões binárias: devo atrasar para o Patrício, ou aliviar pela linha lateral? Devo esticar o jogo para um dos laterais, ou andersonpolgar um charuto lá para a frente? Devo desarmar este gajo e guardar a bola, ou apenas dar-lhe uma pantufada que o atire para fora do campo? Está num momento de forma tão superiormente programado que a decisão foi sempre a correcta.

Rúben Semedo

A todos os haters e losers que o acusam de inexperiência, demagogia ou populismo, deu hoje uma resposta cabal: submeteu toda a gente que lhe apareceu à frente a súbitas sessões de bullying, organizou uma implacável patrulha territorial, implementou um rígido sistema de quotas para limitar a entrada de pessoas na grande área, construiu um muro e obrigou a Polónia a pagá-lo. #MAGA #MakeAlvaladeGreatAgain

Jefferson

O seu primeiro passe curto foi demasiado longo, o seu primeiro cruzamento largo foi demasiado estreito, o primeiro polaco que o tentou fintar ganhou-lhe três metros num espaço de metro e meio, e ainda não tinha passado um quarto de hora de jogo. Em termos físicos, não parece atravessar o que se costuma chamar um “mau momento”, pelo que o problema será outro. Assemelha-se um pouco ao ex-prisioneiro que saiu em liberdade após uma longa sentença, e vai sendo lentamente reintegrado na sociedade. Nota-se o seu nervosismo, nota-se o nervosismo de quem o rodeia, mas toda a gente sorri, e mostra paciência e boa vontade, e lhe diz que está tudo bem, e que em breve vai ser melhor ainda.

William Carvalho

A thing of beauty is a joy for ever:/ Its lovliness increases; it will never/ Pass into nothingness; but still will keep/ A bower quiet for us, and a sleep/ Full of sweet dreams, and health, and quiet breathing. (John Keats, “A Thing of Beauty (Endymion)”

Gelson Martins

“Se o Sporting não vencer esta noite, o Gelson vai ter pesadelos”, informou o repórter de campo da Sport TV, Sigmund Freud, num tom serenamente apocalíptico, ao minuto 18, quando Gelson Martins, apanhado desprevenido por não ter um único cidadão polaco para ultrapassar, esmagou uma bola contra o ferro. Tendo em conta o desenlace final, podemos portanto assumir que o jovem vai ter uma santa noite de repouso, e sonhar com o que habitualmente sonha: pinos anónimos à sua frente, que vai deixando para trás enquanto avança até à linha do horizonte.

Adrien Silva

Começou o jogo com o complicómetro ligado, exibindo com brio a sua tendência latente para se enfiar em buracos e para ir sempre receber a bola no meio de multidões. Perdeu três bolas nos primeiros minutos, embora nem sempre exclusivamente por sua culpa. Ao minuto 36, saiu de uma dessas embrulhadas e descobriu Dost na área. A partir daí alargou o seu raio de acção e foi levando o seu aguaceiro portátil de transpiração a todas as zonas do campo.

Bruno César

Há futebolistas que são, acima de tudo, belíssimas colectâneas de vines e gifs, jogando cada jogo como se estivessem a organizar uma futura exposição num museu, mas cuja influência directa no colectivo – e no resultado – é sempre menor que a soma dessas esplêndidas partes (Pogba será o exemplo actual mais notório – e dispendioso – desta tipologia). Bruno César tem-se transformado num caso diametralmente oposto: cada acção sua, seja um deselegante abrir de pernas para corrigir um passe à queima, seja martirizar-se a abrir uma linha de passe que beneficia toda a gente menos ele, acrescenta algo ao bem comum e condena-o a nunca estar entre os melhores em campo, embora seja sempre dos mais invisivelmente úteis.

Bryan Ruiz

O falhanço de Gelson com a baliza aberta activou de imediato o seu instinto para a simetria poética. Apesar de movido por uma espécie de poesia utilitária, não julguem que é imune a estas oportunidades para ecos e cancelamentos. O seu coração diz-lhe que o jogo, tal como um soneto, tal como a vida, deve rimar de formas surpreendentes. Portanto, com a baliza à sua mercê, em vez de fazer o que toda a gente esperava e enviar a bola ao poste, ou contra o tornozelo de um adversário, ou contra uma toupeira no relvado, ou contra a careca de Guardiola na bancada, marcou golo.

Slimani

Um jogo ao seu estilo, marcando um típico golo de cabeça na pequena área e mostrando a disponibilidade habitual para press... [Drive not accessible, parameter is incorrect]

Bas Dost

Peter Schmeichel tinha o hábito curioso de não se fazer sequer ao lance quando um livre directo era superiormente executado. Bas Dost tem a mesma reacção, que é parte de um inimpugnável sentido crítico, quando o tentam desmarcar de forma insultuosamente deficiente. O seu radar informa-o de pronto que o lance em questão não é passível de terminar com a bola dentro da baliza e o seu interesse desvanece-se.

Quanto ao resto a monotonia do costume: duas semi-oportunidades, um golo.

Markovic

Dica para tirar nódoas de cerveja de uma t-shirt: depois de Markovic correr 40 metros com a bola e perdê-la já na grande área, mergulhar a zona manchada numa solução de água morna com uma colher de vinagre e um pouco de detergente, deixar de molho durante 15 minutos e depois esfregar com uma esponja.

Joel Campbell

Entrou para jogar encostado à faixa direita, a partir da qual tentou o seu movimento habitual: avançar tropegamente com a bola colada ao pé esquerdo, candidamente surpreendido por ninguém a vir roubar, até colidir com um misterioso obstáculo no caminho, que na esotérica terminologia futebolística se costuma designar como “adversário”.

Petrovic

Entrou para trocar a bola com Patrício e para permitir que William fosse rodopiar cinco metros mais à frente, tarefas nas quais foi 100% bem sucedido.

  • Quando Gelson quis, o Sporting arrancou

    Sporting

    O miúdo nem marcou, mas foi a sua intensidade e magia que fez o Sporting agarrar o jogo e a primeira vitória nesta edição da Champions. Triunfo tranquilo por 2-0 dos leões frente a um Legia que só fez cócegas durante 10 minutos. Bryan Ruiz fez o primeiro e Bas Dost voltou a marcar.