Tribuna Expresso

Perfil

Sporting

Os oitenta e sete são os novos 'oitchentcha e otcho'

Foi mais uma vez ao cair do pano que o Sporting viu o Real Madrid selar a vitória. A derrota por 2-1 em Alvalade deixa os leões fora da Liga dos Campeões e agora resta fazer controlo de danos: a última jornada, em Varsóvia, será decisiva para chegar à Liga Europa

Lídia Paralta Gomes

Bas Dost bem se mexeu, mas a bola nunca lhe chegou em grandes condições

FRANCISCO LEONG/Getty

Partilhar

Não foi aos ‘oitchentcha e otcho’, foi aos ‘oitchenta e siete’.

Triste sina esta do Sporting nos dois jogos frente ao Real Madrid. Quando aos 80 minutos, Adrien Silva marcou a grande penalidade que deu o merecido empate ao Sporting, parecia ainda possível derrotar o campeão da Europa e continuar a sonhar com a próxima fase da Liga dos Campeões. Isto já depois do Sporting ficar reduzido a 10, após uma expulsão, enfim, estranha, de João Pereira. Aquela incompreensível mão na bola de Fábio Coentrão, que surgiu de braços no ar à frente de Joel Campbell como quem viu um acidente grave e chama uma ambulância, parecia justiça divina.

Mas bastou um cabeceamento de Karim Benzema, a três minutos dos 90, para tudo ruir.

Fazendo as contas, nos 120 minutos o leão nunca foi muito inferior ao Real Madrid - foi até superior em alguns momentos, diga-se - mas para a história ficam mesmo duas derrotas, ambas ao cair do pano, e um adeus amargo à Liga dos Campeões, num jogo em que o Real Madrid rematou duas vezes à baliza e marcou dois golos. Assim é. Resta agora ao Sporting garantir um lugar na Liga Europa, numa quase-final em Varsóvia, frente a um Légia que ainda está na corrida.

Já depois de dar um cartão de sócio a Eric Cantona, o Sporting arrancou bem, rápido nas transições ofensivas e com soluções simples para chegar à área do Real Madrid. Com Coates e Rúben Semedo irrepreensíveis na marcação a Ronaldo e Bale pouco em jogo, o golo dos espanhóis acabou por aparecer na sequência de um livre na esquerda, com Raphael Varane a apanhar desprevenida a defesa do Sporting, após um passe meio atabalhoado de Cristiano Ronaldo (também contam).

Pediu-se fora-de-jogo do central, mas o francês estava em posição legal.

Estávamos no minuto 30 e o empate até podia ter surgido logo a seguir. Num movimento que já lhe é habitual, Adrien abriu de forma perfeita para Gelson e o miúdo colocou na área para o remate forte de Bruno César. Repetição do Bernabéu? Quase. É que desta vez Sergio Ramos foi o herói e não o vilão e de cabeça afastou uma bola que ia direitinha para a baliza.

Na 2.ª parte o Sporting voltou a entrar bem, com Gelson a aparecer várias vezes com espaço nas alas, mas sem o discernimento para servir Bas Dost nas melhores condições. Tal como no início do jogo, durante 10 minutos os leões deram água pela barba ao campeão da Europa, mas sem nunca conseguir matar.

Benzema selou a vitória aos 87 minutos

Benzema selou a vitória aos 87 minutos

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

E é então que surge a expulsão de João Pereira, num lance com Kovacic. O croata apareceu no chão agarrado ao peito e o árbitro escocês William Collum mostrou vermelho direto ao defesa do Sporting. O lance é, no mínimo, duvidoso.

Aos 65 minutos e com o Sporting em inferioridade numérica, parecia o fim. Mas aos 80’ o Real ofereceu uma mãozinha de coentrada, o leão marcou e o jogo abriu. Até Sergio Ramos cruzar para a área e Karim Benzema ganhar a Coates. Finito.

Parte boa: o Sporting evitou que Cristiano Ronaldo conseguisse chegar aos 500 golos na carreira e que marcasse pela quarta vez em quatro jogos frente à antiga equipa. Uma pequena, senão insignificante, consolação.

Partilhar