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Começou Bas Poste, terminou Bas Dost

Avançado holandês até começou por enviar uma bola ao ferro, mas ainda na 1.ª parte redimiu-se e mais uma vez foi decisivo para a vitória do Sporting. No Bessa, os leões não foram dominadores, sofreram um pedaço na parte final, mas não se pode dizer que o 1-0 seja um resultado injusto

Lídia Paralta Gomes

Um golo, três pontos: Bas Dost continua a ser uma das figuras em destaque no Sporting de 2016/17

CATARINA MORAIS/Getty

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As ressacas europeias do Sporting esta temporada não têm sido nada suaves: dois empates, uma derrota e apenas uma vitória era o score leonino pós-Champions antes da viagem ao Bessa. Logo, frente ao Boavista, e ainda para mais num estádio onde o Sporting não costuma ser feliz, todo o cuidado era pouco. A verdade é que o registo melhorou, com o triunfo deste sábado no Porto, mas o leão do Bessa foi um leão bem mansinho, como se vê pelo franzino 1-0, que não é injusto para o Sporting q.b. que se viu campo e que no final até foi obrigado a sofrer para segurar o resultado.

Valeu ao Sporting, mais uma vez, o instinto de Bas Dost. O holandês que até começou infeliz. Aos 8 minutos, e na primeira jogada de verdadeiro perigo do jogo, toda ao primeiro toque, Joel Campbell cruzou na esquerda, com o ponta de lança a surgir de rompante entre os centrais. E apesar de chegar algo adiantando à bola, o ex-Wolfsburgo ainda foi lá com o pé esquerdo para rematar ao poste da baliza do Boavista.

Mas Bas Poste rapidamente se transformou novamente em Bas Dost.

Antes mesmo de marcar o único golo de um jogo que começou interessante e terminou confuso, Bas Dost vestiu o seu melhor fato de Slimani, provando que os esforços de Jorge Jesus com o holandês estão a dar resultado. Primeiro ao fazer uma bela abertura para Gelson Martins, que o extremo português desaproveitou depois de deixar Talocha nas lonas com uma receção de craque. O remate cruzado é que saiu um pouquinho ao lado.

O ataque seguinte do Sporting teve mais uma vez o dedo de Bas Dost, muito bem na pressão e na recuperação de bola ainda no meio-campo do Boavista. A bola seguiu depois para Bruno César, que cruzou para a área onde Adrien rematou muito ao lado.

Aos 25 minutos chegou então o momento de Bas Dost fazer aquilo que melhor sabe: resolver. Mérito para Gelson Martins, cheio de magia nos pés a tirar um, dois, três adversários em drible. O cruzamento foi direitinho para o holandês, todo ele em suspensão a cabecear no sentido oposto ao movimento de Agayev.

Gelson brilhou no golo do Sporting

Gelson brilhou no golo do Sporting

CATARINA MORAIS/Getty

O primeiro estava feito, mas o Sporting não explodiu. Na verdade, a partir do golo de Bas Dost foi o ai jesus até ao final da 1.ª parte. O Boavista empertigou-se e o leão só conseguiu conter a equipa da casa à base de faltas. Aos 40 minutos, Rui Patrício não segurou um cruzamento que parecia inócuo, a bola foi ao poste e, na recarga, Carlos Santos rematou por cima.

Estava dado o alerta para a 2.ª parte.

Após o intervalo, o Sporting ficou logo sem Schelotto, por lesão, e à má notícia juntou-se outra: ficou difícil pegar no jogo - não que uma coisa tenha a ver com a outra, atenção. O único momento de frisson na área do Boavista na 2.ª parte foi um remate de Bruno César aos 73 minutos, com a bola a ir com estrondo ao ferro.

Com o leão frágil (o desgaste europeu notou-se muito no segundo tempo), o Boavista foi crescendo, foi acreditando e nos últimos 15 minutos o Sporting sofreu a bom sofrer. Ainda se pediu golo num lance em que Rui Patrício agarra a bola em cima da linha (a jogada deixa dúvidas) e a rapidez dos axadrezados foi fazendo mossa: a equipa de Jesus foi novamente obrigada a recorrer às faltas e Rúben Semedo acabou expulso aos 83 minutos, após uma entrada fora de tempo.

A partir daí, Jesus não permitiu mais riscos. Colocou Paulo Oliveira e exigiu aos seus jogadores que colocassem gelo no jogo. Resultou, mas foi suado, muito suado.