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Um colocado pontapé no marasmo

E foi só isso. Um remate certeiro de Alan Ruiz no final da 1.ª parte bastou para o Sporting entrar a ganhar na Taça da Liga 2016/17. O regresso do Arouca a Alvalade não foi escandante como inicialmente se previa e o pontapé do argentino foi mesmo um oásis num jogo onde competitividade e intensidade não foram, de todo, palavras de ordem

Lídia Paralta Gomes

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Um golo com dedicatória e três pontos no arranque da Taça da Liga para o Sporting

Mário Cruz/Lusa

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Nem túneis, nem cigarros eletrónicos. Nem muita emoção, nem pouca. Um bocejo aqui, um “olha que bonito” ali. O regresso do Arouca a Alvalade, que até podia ter sido escaldante, foi apenas mais um paradigmático jogo daquilo que é tantas vezes a Taça da Liga para os grandes: uma espécie de formalidade até a uma possível final.

A fazer a estreia na competição esta temporada, o Sporting jogou q.b., o suficiente para cumprir a missão, amealhar os 3 pontos e ir para casa descansado. É como tirar 10 num exame: não é brilhante, mas chega (a menos que se queira ir para medicina, o que não parece o caso).

Com 10 caras novas no onze para cada lado, Sporting e Arouca lá enfrentaram o final de tarde frio e chuvoso de Lisboa - ainda que muitas vezes desse a sensação que o fizessem contra a vontade - e o jogo até começou com duas oportunidades, uma para cada lado. Aos 3 minutos, Rui Sacramento negou o golo a Elias, depois do brasileiro rematar sem grande fé no meio de uma confusão de pernas na área do Arouca. Um minuto depois, o ex-Benfica Sancidino apanhou a defesa do Sporting desprevenida, escapou-se pela direita, mas rematou muito por cima da baliza de Beto.

A partir daí até ao golo de Alan Ruiz, que apareceu aos 44 minutos, não há muito para contar. A não ser que o Arouca desistiu de pressionar e deixou o Sporting à vontade, mas Elias não é o muro de coesão que é Adrien, Petrovic não é o pêndulo que é William Carvalho e André não é o recuperador de jogo que Bas Dost se está a tornar. Foi tudo meio frouxo, tudo meio sem vontade, tudo sem grande ligação.

Entre passes falhados e a falta de rotinas e de ritmo (normais, diga-se), salvaram-se alguns pormenores de Alan Ruiz, bem por exemplo aos 26 minutos num passe atrasado para Markovic na área, que o sérvio, de regresso à equipa quase um mês depois, atirou contra a defesa do Arouca. O problema é que o argentino, que até viria a resolver o jogo, combina momentos interessantes com algumas perdas de bola inexplicáveis, como se de vez em quando a sua cabeça não estivesse ali.

Mário Cruz/Lusa

Ainda assim, Alan Ruiz foi dos mais esforçados e é a ele que se deve aquele belo e colocado pontapé no marasmo. Mesmo antes do árbitro apitar para o intervalo, o Sporting tirou da cartola uma vistosa jogada de entendimento: Petrovic, num raro momento de acerto, encontrou André ao centro e o avançado que parece Liedson mas só às vezes deixou de calcanhar para Ruiz, que com um toque subtil à entrada da área tirou Hugo Basto do caminho e logo de seguida atirou colocado de pé esquerdo, fora do alcance de Rui Sacramento.

E o jogo como que acabou ali. No arranque da 2.ª parte o Sporting até podia ter marcado, com André a não conseguir emendar um cabeceamento de Petrovic que Sacramento defendeu com dificuldade, mas depois limitou-se a controlar, sempre com uma certa moleza e displicência. Se era possível fazer mais golos? Era, mas para isso era preciso acelerar e o leão não estava para isso.

Mais uma vez Jesus aproveitou para dar minutos a alguns jogadores menos utilizados, como Matheus Pereira que a 15 minutos do fim cruzou com conta, peso e medida para Luc Castaignos, com o holandês a falhar espectacularmente o timing do remate e ainda a lesionar-se no processo. Definitivamente as coisas não estão a correr bem para o holandês em Alvalade.

Quanto a contas, essas são muito fáceis de fazer: Sporting e Varzim partilham a liderança do Grupo A desta Taça CTT, com três pontos. Arouca e V. Setúbal estão a zeros. A 29 de dezembro há mais.