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Sporting acertou o passo ao ladrão dos grandes

Os leões sabiam que uma vitória os colocariam a apenas 2 pontos do Benfica e por isso nada como facilitar as coisas. Face a um V. Setúbal que esta temporada já tinha roubado pontos ao Benfica e ao FC Porto, o Sporting evitou nova surpresa 'robinhoodiana' e resolveu de forma rápida e eficaz, com uma vitória por 2-0 em Alvalade

Lídia Paralta Gomes

Há nove meses que William Carvalho não marcava com a camisola do Sportig. A seca acabou este sábado.

MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

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Atenção, cautela. Ao longo da semana, os avisos ao Sporting sucederam-se: vem aí o V. Setúbal que esta temporada já roubou pontos ao Benfica e ao FC Porto.

Pois bem, perante o perigo, simplicidade e rapidez: ainda antes do intervalo os leões já tinham apanhado o ladrão dos grandes. A vitória por 2-0 até é lisonjeira para os sadinos, tal o domínio da equipa de Jorge Jesus esta tarde em Alvalade, principalmente nos primeiros 45 minutos, onde ficou até a dúvida se, no caminho entre uma margem e outra do Tejo, o V. Setúbal não se tinha perdido. Na 2.ª parte, o espírito 'robinhoodiano' da equipa de José Couceiro apareceu aqui e ali, mas nunca de forma consistente ou capaz de fazer cócegas ao Sporting, que com esta vitória coloca-se apenas a 2 pontos do Benfica. Se o dérbi da próxima semana já era um dos pontos quentes da época, agora, de repente, pode virar o campeonato.

Depois da escorregadela com queda do Benfica na véspera, na Madeira, os leões sabiam que tinham de simplificar. E foi preciso qualquer coisa como 21 segundos para o Sporting ameaçar pela primeira vez o forte sadino. Gelson Martins (absolutamente elétrico na 1.ª parte) deixou para Bas Dost, que rematou com menos força do que provavelmente gostaria. Bruno Varela conseguiu ir lá com o pé direito.

O golo não demoraria muito mais. Aos 6 minutos, mais uma vez Gelson no passe para Adrien Silva, que à entrada da área rematou em jeito, bem colocado para o lado esquerdo de Varela, que conseguiu chegar à bola. Na sequência do canto, Gelson Martins (who else?) cruzou na direita, com William Carvalho a aparecer de rompante, antecipando-se a Venâncio e a Varela antes de cabecear para as redes do Vitória.

O golo mais rápido do Sporting esta época - e o primeiro de William desde fevereiro com a camisola dos leões - surgiu quando a equipa mais precisava.

Entretanto o jogo chegava aos 10 minutos e nem uma jogada de ataque do V. Setúbal. Situação que não iria sofrer alterações aos 20, aos 30 e aos 40 minutos. Face a tamanha passividade ofensiva, o Sporting controlava como queria, chegando com a maior das facilidades à área sadina.

Ainda assim, o maior bruaá que se ouviu em Alvalade antes do Sporting engordar o marcador até foi num remate de fora da área. E que tiro de Adrien! Descaído na esquerda, o capitão rematou de forma espontânea para a baliza de Bruno Varela, que só não teve de ir novamente buscar a bola ao fundo das redes porque respondeu ao incrível remate com uma defesa ainda mais incrível. Uma palmada com a mão esquerda que impressionou até Bas Dost, que fez a respetiva vénia cumprimentando o guardião adversário.

Um grande golo de Bruno César, com dedicatória para a Chapecoense

Um grande golo de Bruno César, com dedicatória para a Chapecoense

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

Mas três minutos depois, aos 31’, e já depois do árbitro anular um golo a Bas Dost - o lance deixa dúvidas -, não houve mão esquerda que valesse ao antigo internacional jovem. Após uma falta sobre Gelson (sempre ele) na direita, Bruno César achou que estava na hora de acabar com a série de livres tão estudados como inconsequentes do Sporting na 1.ª parte e aqui vai disto: remate direto, cruzado, em arco, cheio de força, que foi entrar ao cantinho no poste mais afastado da baliza do V. Setúbal. Um 2-0 merecido, tal o entrosamento e facilidade de processos dos jogadores da casa.

Depois do intervalo, o árbitro anulou novo golo ao Sporting, por suposta carga na pequena área de Coates sobre Varela, e o V. Setúbal criou perigo pela primeira vez. Após uma 1.ª parte em que poderia perfeitamente ter levado um banquinho e uma revista para o campo, Rui Patrício mostrou-se atento, ao responder com um belo voo ao cabeceamento de Vasco Costa.

A partir daí pouco ou nada de relevante aconteceu, com o Sporting a controlar e o V. Setúbal sem capacidade para, pelo menos, colocar alguma pimenta no jogo. A última oportunidade para os leões apareceu aos 75 minutos: João Pereira cruzou para o 2.º poste onde surgiu Bas Dost que, de primeira e em vólei, rematou muito por cima. Um lance paradigmático do jogo do holandês, que não esteve mal mas acordou claramente para um daqueles dias em que nada corre bem. Também não foi preciso.