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Bas Dost, o antónimo de prolongamento

O duelo entre Sporting e V. Setúbal não atava nem desatava até que Bas Dost voou em fúria para evitar um tempo extra que parecia escrito. Os leões venceram por 1-0, estão nos quartos-de-final da Taça de Portugal, num jogo em que as marcas do dérbi foram visíveis

Lídia Paralta Gomes

MIGUEL A. LOPES/Lusa

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A 2.ª parte começou já há um pedaço e olhamos para o relógio: 60 minutos e “prolongamento” está escrito por todo o lado. O dérbi claramente deixou marcas ao Sporting, Adrien e William estão apagados e já se sabe que quando Adrien e William estão apagados os leões não carburam.

Os olhos vão fechando lentamente. A 1.ª parte foi bem boa, oportunidades para as duas equipas, um V. Setúbal sem medo, Ryan Gauld a dizer ao Sporting “olhem, olhem, estou aqui e até jogo bem isto” e Adrien a falhar um penalti (what?). Mas entretanto já estamos nos 75 minutos e não há nada para escrever sobre a 2ª parte.

Até que Zeegelaar cruza na esquerda em esforço e Bas Dost, no limite do fora de jogo, voa que nem um falcão entre os centrais. Pedro Trigueira ainda lhe toca, mas a força do cabeceamento é tal que não há modo de afastar a bola de um destino que só pode ser o golo. Um ponta de lança de nível pode muito bem ser a diferença entre um prolongamento e uma vitória. Ou entre uma derrota e um empate. Coisa que Jesus não se lembrou nos últimos 10 minutos do dérbi do fim-de-semana, supomos.

Pois bem, o golo de Bas Dost chegou e o Sporting está nos quartos-de-final da Taça de Portugal, num jogo em que Jorge Jesus não esteve cá com poupanças. Depois da eliminação precoce na Europa e da derrota no dérbi, que deixou os leões com margem zero no campeonato, a Taça passou a ter um bocadinho mais de importância e em casa de um adversário vindo do principal escalão não dá para arriscar.

Mas jogar com os habituais titulares não tornou isto mais fácil. Nem pouco mais ou menos.

Ora vamos lá recuar 11 dias. Era uma noite de sábado em Alvalade e o Sporting precisava de ganhar para chegar ao dérbi com o Benfica à vista. O V. Setúbal até parecia não querer meter-se na confusão: na 1.ª parte foi como se não estivesse lá e o Sporting aproveitou para resolver a questão ainda antes do intervalo.

Esta noite foi tudo muito diferente. O Sporting entrou amorfo e assim esteve durante toda a 1.ª parte (e, bem, grande parte da 2.ª também). Safou-se o duelo Adrien Silva-Pedro Trigueira, que começou quando o relógio estava nos 20 minutos. Foi aí que Vasco Fernandes carregou Bas Dost na área. Como sempre, Adrien pegou na bola e quando Adrien pega na bola e a coloca nos 11 metros há grandes probabilidades dela acabar dentro da baliza. Assim não aconteceu porque Trigueira lançou-se para a sua esquerda e 1) defendeu a grande penalidade e 2) defendeu a recarga logo a seguir.

Adrien não esteve em noite particularmente inspirada

Adrien não esteve em noite particularmente inspirada

MIGUEL A. LOPES/Lusa

Mais cinco minutos e nova vitória para Pedro Trigueira: Adrien remata forte, a bola parecia levar a direção da bancada mas desce de repente e o guardião sadino, apertado mas atento, roubou mais uma vez o golo ao capitão do Sporting.

De resto, o V. Setúbal até foi a equipa mais perigosa na 1.ª parte e visitou variadíssimas vezes terrenos próximos da baliza do Sporting, com maior ou menor efetividade. Edinho, por exemplo, ainda deve estar a pensar como é que com apenas Rui Patrício à frente conseguiu não marcar logo aos 14 minutos - o guarda-redes do Sporting defendeu com a perna esquerda.

Na 2.ª parte, o físico começou a dar de si dos dois lados (mais no Sporting) e o ritmo imposto pelos sadinos nos primeiros 45 minutos esfumou-se por completo. Deixou de haver emoção, deixou de haver futebol e foi-se até a concentração. Que o diga Pedro Trigueira que aos 72 minutos quase deixava um atraso entrar na baliza, salvando o ridículo já na linha de golo.

O Sporting só tentou mais já depois do golo de Bas Dost, com a entrada de Bryan Ruiz a mexer qualquer coisinha. Aliás, a última oportunidade de golo do jogo é mesmo do costa-riquenho que recebeu no peito, tirou Costinha do caminho com um pé para logo rematar de primeira, ao lado. Um lance paradigmático da época de Bryan Ruiz: uma bonita inconsequência.