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Wilson Eduardo is coming to town (de novo)

O extremo formado no Sporting voltou a marcar à antiga equipa e atirou os leões para o 4.º lugar, a oito pontos do líder Benfica. Um Natal amargo para Jorge Jesus, que vê a sua equipa perder pela primeira vez em Alvalade no campeonato desde março e ainda ouviu assobios no final

Lídia Paralta Gomes

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MARIO CRUZ/Epa

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O melhor é terem cuidado, o melhor é não chorarem, o melhor é não fazerem beicinho e eu digo-vos porquê: Wilson Eduardo is coming to town.

Podia ser uma música de Natal, mas na verdade é aquilo que Jorge Jesus devia ter dito aos seus jogadores antes do jogo desta noite em Alvalade. Já era por demais conhecida a tendência de Wilson Eduardo para marcar ao clube que o formou e esta noite o extremo surgiu de novo no sapatinho do Sporting, para mal dos pecados do clube de Alvalade, que passa as festividades em 4.º lugar, já a 8 pontos do líder Benfica, depois desta derrota por 1-0 frente ao Sp. Braga, em casa.

Estávamos nos 70 minutos de uma 2.ª parte que já tinha virado para o enfadonho quando Ricardo Horta atirou ao poste e Wilson Eduardo, na sequência, rematou de longe, rasteiro, com Rui Patrício a errar na hora de atacar a bola. Foi o quarto golo de Wilson nos últimos quatro jogos frente ao Sporting, que não perdia em Alvalade para o campeonato desde março. E logo com Abel Ferreira, antigo jogador dos leões e antigo treinador da equipa B do Sporting, no banco dos bracarenses.

Bom jogo em Alvalade, principalmente na 1.ª parte, sempre entretida e onde ninguém dominou. Sem nunca conseguir verdadeiramente impor o seu jogo, o Sporting apoiou-se muito no talento e pulmão de Gelson Martins. Aliás, a melhor oportunidade dos leões surgiu quando Gelson vestiu o seu melhor fato de Adrien Silva e, no miolo, abriu o jogo para João Pereira. O cruzamento do lateral foi direitinho para a cabeça de Bryan Ruiz, com o guardião Matheus a fazer uma defesa tão vistosa quanto eficaz, lançando-se para a direita quando já ia em direção contrária.

Se a Gelson não se pode apontar nada (bem, aqui e ali algum excesso nas ações individuais), o lado esquerdo não funcionou, com a parelha Zeegelaar-Joel Campbell a jogar já talvez com a cabeça nas férias. O costa-riquenho emprestado pelo Arsenal esteve particularmente nas nuvens. Aos 34 minutos, Bryan Ruiz fez o favor de dar cabo de Baiano e passou para o compatriota, que tentou fazer um vólei, um chapéu, enfim, ele lá saberá. E dois minutos depois, novo momento, digamos, curioso: Gelson ganhou em correria a toda a gente, deu para Adrien que em esforço passou para Campbell, que mais uma vez, em plena área, parecia não saber muito bem o que fazer com aquele objeto redondo que lhe surgiu nos pés. Tentou um remate em jeito, mas saiu-lhe sem jeito nenhum.

Mário Cruz/Lusa

Por seu turno, o Sp. Braga passou a 1.ª parte na expectativa, mas nunca na retranca, aproveitando os erros do Sporting e o espaço dado pela defesa da casa para tentar ser feliz no contra-ataque. Aos 15 minutos, Wilson Eduardo teve um daqueles falhanços de meter as mãos na cabeça: depois de receber um passe de Alan que rasgou toda a defesa do Sporting (e deixou Coates no chão), tirou a bola do caminho de Rui Patrício, foi buscá-la do outro lado, mas acabou a rematar à malha lateral da baliza do Sporting. Redimiu-se na 2.ª parte, senão esta noite não iria dormir bem.

Depois do intervalo, o Sporting entrou melhor, mas o poste (tirou um golo a Gelson) e Matheus (tirou um golo a Coates) acabaram por estancar uma vontade que, depois do golo de Wilson, se tornou apenas desespero.

Desesperante não será ainda o adjetivo que melhor caracterizará a situação do Sporting no campeonato, mas na hora de comer as 12 passas, na viragem para 2017, Jorge Jesus já terá de pedir por um azar dos rivais. Não há alturas boas para perder, mas esta era mesmo a pior possível. E os adeptos sabem disso: os assobios no final não foram por acaso.