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Sporting e a Lei de Murphy: se algo pode correr mal, vai correr mal e da pior maneira possível

O Sporting esteve eliminado, marcou, esteve apurado e acabou por sair da Taça da Liga ao sofrer um golo de grande penalidade já nos descontos e a contas com o critério da menor média de idades dos jogadores utilizados. Mais caricato que isto era difícil

Lídia Paralta Gomes

Edinho apontou a grande penalidade que deixou o Sporting fora da Taça da Liga e à beira de um ataque de nervos

MIGUEL A. LOPES/LUSA

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Ele há critérios e critérios, uns mais complicados, outros mais simples, uns mais normais, outros mais estranhos. Se são bons ou maus, isso depende sempre da situação de quem olha para eles. E a situação do Sporting esta noite, a dez minutos do fim, estava má. A perder 1-0 com V. Setúbal na última jornada da fase de grupos da Taça da Liga, a equipa de Alvalade via-se com os mesmos pontos, com a mesma diferença de golos e com o mesmo número de golos marcados que os sadinos. Faltava um critério, o último, o mais, digamos, curioso: a menor média de idades dos jogadores utilizados na competição.

Parecia mau, não é? Os leões estavam prestes a ser eliminados por terem jogado com elementos mais velhos que o V. Setúbal ao longo da prova, tramados por uma simples conta de dividir. Situação patusca, esta.

Pois bem, piorou.

Foi a Lei de Murphy em todo o seu esplendor: o Sporting estava fora de prova e aos 79 minutos Bas Dost ganhou uma bola longa nas alturas, amorteceu para Elias, com o brasileiro a dominar com o peito e a rematar certeiro para a baliza de Bruno Varela. E de repente, não era preciso fazer mais contas de dividir. O Sporting estava em primeiro do grupo e apurado para a final four.

O golo e o apuramento ali à mão de semear fizeram o Sporting, que tão pouco tinha jogado, tão pouco tinha criado, libertar-se: Bas Dost provou que além de referência no ataque também podia ser o segundo avançado que Jesus tanto tem procurado, ao fazer um passe a rasgar para André, que o brasileiro esbanjou, rematando muito ao lado, na tentativa de tirar a bola do alcance de Varela - tirou, é um facto, mas bastante mais do que queria. Na jogada seguinte, Campbell cruzou e mais uma vez André errou na hora de tirar as medidas à baliza. E mais uma vez falhou na hora de matar o jogo.

Aquelas duas oportunidades perdidas foram como que uma grande construção para o descalabro que aí vinha. Ele podia quase sentir-se no ar.

A confusão instalou-se no final do jogo

A confusão instalou-se no final do jogo

MIGUEL A. LOPES/LUSA

Já nos descontos, Edinho cai na área do Sporting e depois de uns milésimos de segundo de indecisão o árbitro marca grande penalidade. O antigo internacional português, com toda a calma diante Beto, marcou e atirou o Sporting definitivamente para fora da final four da Taça da Liga, que fica assim, em 24 horas, sem dois dos grandes. No final, as contas de dividir, a menor média de idades, voltaram para assombrar o Sporting, após uma grande penalidade que endoideceu os jogadores, que após o golo se lançaram automaticamente em direção ao juiz Rui Oliveira. A partida acabou por ali. Se algo pode correr mal, vai correr mal. E vai correr mal da pior maneira e no pior momento possível. Com critério que ninguém estava à espera de utilizar.

Após o apito final, o Sporting recusou-se a enviar jogadores ou o treinador à zona mista para o habitual comentário ao jogo. Preparem-se para ouvir muita coisa sobre este jogo nos próximos dias.

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