Tribuna Expresso

Perfil

Sporting

Repitam depois de mim: Na, Na, Na, Na, Na, Bas Dost

O Sporting ganhou ao Feirense por 2-1, com dois golos do holandês, que já leva 11 no campeonato

Pedro Candeias

JOSE MANUEL RIBEIRO

Partilhar

O Feirense tinha 12 golos marcados e 30 sofridos, uma vitória fora de casa (em setembro), 14 pontos somados e estava no 15.º lugar do campeonato, o que queria dizer que entre ele e os lugares de descida havia apenas um clube - o que queria dizer que o Feirense era o adversário ideal para o Sporting num contexto que estava longe de o ser.

O Benfica ganhara em Guimarães e perder pontos em casa agravaria uma crise que Jorge Jesus atribui a Jorge Sousa quando há indícios que apontam também para outro lado. Para o lado dele e para os jogadores por ele escolhidos, que não rendem ou não resultam, tornando a equipa fica em soluções - se rendessem, Markovic e Castaignos não teriam ido para a bancada, Douglas para banco e Alan Ruiz e Paulo Oliveira para a titularidade; em última análise, se resultassem, J.J. não andaria ainda à procura de um onze quando a época arrancou seis meses atrás.

O Feirense, pois então, seguia a preceito o guião que diz que tudo acaba, na lógica da tempestade e da bonança, do arco-íris num dia de chuva: uma equipa frágil, defensiva e com poucos argumentos.

O Sporting fez o que lhe competia e fê-lo bem: entrou pressionante, com Joel Campbell agarrado à esquerda e Gelson à direita, e Bas Dost com Alan Ruiz a seu lado, a empurrar o adversário lá para trás com mudanças de velocidade. Ao minuto cinco, Dost fez o primeiro, após uma tabelinha entre Bruno César e Campell que cruzou para o holandês. Pouco depois, um passe incrível de Alan Ruiz isolou Bas Dost para o bis - 11.º golo no campeonato, líder dos melhores marcadores.

Nesta altura, Alan Ruiz era o melhor em campo e poucas ou nenhumas decisões lhe saíam furadas. Com a bola nos pés, o argentino é um craque e só podemos imaginar o que ele poderia fazer se perdesse peso, chegasse de férias a horas ou tivesse a intensidade para jogar 90 minutos - dá a ideia de ter um termostato curioso que desliga o sistema sempre que a temperatura passa de fria para amena.

Ainda antes da meia hora, o Sporting tinha aquilo resolvido e tudo se encaminhava para um triunfo sem sobressaltos, provavelmente por números simpáticos que levassem e lavassem de vez os maus-olhados, os azares e as conspirações - e outras subjetividades que os portugueses gostam de lançar para o ar quando lhes dá jeito. E assim foi até que Luís Aurélio lesionou Adrien Silva numa entrada estúpida que pôs o capitão dos leões fora do campo - enquanto Adrien de maca com a cervical protegida e Elias aquecia e alongava na linha, já se sabia o que ali vinha.

É que ao contrário de todas as teorias, o impacto negativa da ausência de Adrien é pura matemática: menos intensidade, menos concentração, mais disparates. Até ao final da primeira-parte, isto notou-se menos do que o costume, porque o Feirense não tinha ninguém que esticasse a corda; na segunda, quando Nuno Manta puxou o tapete a Luís Machado e Luís Aurélio e lançou Tiago Silva e Karamanos, a história alterou-se.

Porque com Elias nada é certo - spoiler, o homem acabou expulso - e o Feirense logo se chegou à frente com um golo de Platiny. A vinte minutos do fim, Jesus olhou para o banco lá de cima, da bancada, pegou no walkie-talkie e avisou Raúl José que era preciso trocar os Ruiz (Alan pelo Bryan), porque à equipa faltava cérebro. Foi um remendo para uma equipa órfã do seu xamã, mas resultou até ao final do jogo em que Bas Dost voltou a fazer a diferença.

Ponhamos isto em percentagens: o Sporting tem 27 golos marcados e 11 deles são do holandês, o que representa 40,1%.

Isso é bom para ele, mas mau para o clube.