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É sempre possível fazer igual

O Sporting empatou contra o Marítimo (2-2) e deixou dois pontos que o podem atrasar definitivamente da luta pelo título

Pedro Candeias

PATRICIA DE MELO MOREIRA

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O calendário é mau e obriga a jogar quatro vezes fora de casa em cinco jogos consecutivos. As eleições estão à porta, o presidente está interessado em ganhá-las outra vez e age de cabeça quente dentro do balneário. O treinador ferve em pouca água e fica castigado durante 15 dias, nos 15 dias em que se decide uma Taça de Portugal. Há jogadores titulares que não rendem e quem os substitui nada acrescentam.

E depois, como se não bastasse, acontece isto: Rui Patrício, melhor guarda-redes do Europeu, faz dois disparates; Coates comete faltas estúpidas e dá-se à desconcentração; Marvin é Marvin, Schelotto é Schelotto, mas Adrien já não é Adrien; e Alan Ruiz, o talentoso mas preguiçoso patinho feio, marca um golo que o pode reabilitar e o árbitro anula-o por um fora de jogo inexistente.

Há momentos na vida em que as coisas começam a não correr como se quer, e este é o primeiro passo para que comecem a correr mal - e depois pior. E essa é a porta de entrada para o estado de desespero e é difícil não pensar que o mundo está a conspirar contra ti. O Sporting está nesse ponto, a rodopiar sobre si próprio, à procura de uma saída para o marasmo.

É que só Bas Dost (um golo) e Gelson (o segundo golo) conseguem sacudir um estilo que se está a tornar previsível e pouco imaginativo, coisas que nunca pensámos associar a uma equipa treinada por Jorge Jesus. Os futebolistas parecem cansados e a espaços desligados do jogo e desligados uns dos outros, como se dentro da cabeça deles estivesse a ideia da inevitabilidade do erro.

É verdade que o Marítimo tem jogadores intensos e rápidos no contra-ataque, bons nos lances de bola parada (foram assim os dois golos), mas isso, por si, não justifica os dois pontos perdidos no Funchal: o Sporting não impôs o seu jogo e expôs-se muitas vezes, demasiadas vezes, a lances de um para um, sem cobertura defensiva.

Uma equipa que luta pelo título não faz isto. Uma equipa que ainda diz que está a lutar pelo título também não.

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