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Eles foram trunfos eleitorais, mas não passaram de promessas

Candidato à presidência do Sporting, Pedro Madeira Rodrigues continua a manter o mistério à volta da sua escolha para treinador dos leões. Garante apenas já ter uma shortlist de três treinadores e que "até à data das eleições" anunciará o feliz contemplado. E sobre técnicos e jogadores prometidos em campanhas, o Sporting (e não só) tem muito a dizer

Lídia Paralta Gomes

JOSE LUIS ROCA/Getty

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Ai, as eleições. Aquele período em que se atiram acusações, recados, críticas, mas também promessas de muitos e bons títulos e muitas e boas contratações. Numa altura em que o mundo (pelo menos o mundo leonino) está em suspenso à espera da escolha de Pedro Madeira Rodrigues para treinador do Sporting, recordamos os treinadores e jogadores que foram armas eleitorais, mas que não passaram de promessas.

Frank Rijkaard

Ano 2011, eleições no Sporting. Promessas de todas as listas. Dias Ferreira sacou do trunfo mais sonante: o holandês Frank Rijkaard, campeão europeu com o Barcelona em 2006. “Estou entusiasmado com o projeto de Dias Ferreira e Paulo Futre. Falando com o Futre e da forma como ele pensa o futebol, vi que estamos em sintonia”, disse na altura o holandês, que acabou por ficar às portas de Alvalade, tal como os charters de chineses, outra das promessas da lista, que perdeu para a candidatura de Godinho Lopes.

Marco van Basten

De novo eleições do Sporting de 2011. A uma semana das votações, Bruno de Carvalho, então na primeira candidatura, anuncia Marco van Basten como o seu treinador, numa sala a abarrotar de adeptos e apoiantes do atual presidente. Na altura, Van Basten também deixou as suas promessas eleitorais e não foi só o título: “Desculpem falar em inglês, mas se o presidente ganhar estas eleições, vou aprender português o mais rápido possível”. Bruno de Carvalho acabou por perder as eleições já em plena madrugada e o Instituto Camões um cliente.

Zico

Nunca um ato eleitoral num clube em Portugal deu para tantas promessas. Voltemos então às eleições do Sporting de 2011: com cinco listas candidatas voaram nomes para treinar o clube de Alvalade e o de Pedro Baltazar chamava-se Zico, um leão de segunda geração. “Há algumas semanas fui procurado por um grupo que está a concorrer as eleições no Sporting. Queriam que eu me comprometesse e eu disse que teria um grande prazer em ser treinador lá, principalmente porque era o clube de coração do meu pai em Portugal”, revelou na altura o brasileiro à Globo. Pouco tempo depois foi treinar para o Iraque, que foi mais ou menos naquilo que o Sporting se tornou nos meses que se seguiram à eleição de Godinho Lopes.

E de como nem só de treinadores vive uma equipa, Pedro Baltazar prometeu ainda a chegada de Royston Drenthe (de quem já falámos hoje na Tribuna) e de Pedro León, à época jogadores do Real Madrid.

Dunga

Mais um brasileiro, mais uma promessa das eleições do Sporting de 2011 (uff!). Dunga era o treinador de Sérgio Abrantes Mendes, que apostava no ex-selecionador do Brasil, mais conhecido pelo seu particular gosto nas camisas do que exatamente pelos bons resultados. Abrantes Mendes anunciou o técnico num comunicado enviado à imprensa e no próprio dia Dunga desmentiu qualquer contacto com o candidato, que nem sequer “tinha a honra de conhecer”. Tinha tudo para correr bem.

Eren Zahavi, Hugo Almeida, Bobô, Alex Teixeira, Garay…

Curiosamente, o único candidato às eleições do Sporting de 2011 que não apresentou o seu treinador acabou por ganhar. Ao invés, Godinho Lopes foi lançando nomes de jogadores: o israelita Eren Zahavi, o português Hugo Almeida, o argentino Ezequiel Garay (que acabou toda a gente sabe onde) ou os brasileiros Alex Silva e Bobô. Nenhum deles chegou a jogar de verde e branco.

Jardel, Doriva, Abel Xavier

As eleições do Benfica de 2000, que ditaram o fim da presidência de João Vale e Azevedo e colocaram Manuel Vilarinho no poder, também foram férteis em promessas. Além do regresso de Toni, Vilarinho garantiu que Mário Jardel seria jogador dos encarnados caso fosse eleito. As promessas surtiram efeito: Vilarinho começou como underdog e com o aproximar da data das eleições foi ganhando peso nas sondagens. Vale e Azevedo respondeu então com Doriva (ex-FC Porto e jogador do Celta de Vigo) e Abel Xavier. Mas o efeito Jardel era demasiado poderoso.

Vilarinho ganhou e primeira promessa cumpriu, sacrificando-se um tal de José Mourinho pelo caminho. A segunda nem por isso e o caso acabou na justiça e com acusações de parte a parte. “O Jardel inviabilizou completamente o acordo, pois não permitiu que negociássemos a cláusula de rescisão com o Galatasaray. Cria problemas quando ainda não está no Benfica. O melhor é mesmo não vir”, disse o então já eleito presidente Vilarinho. Já o brasileiro acusou Vilarinho de ser “arrogante e prepotente” e de ter quebrado “uma promessa e um acordo escrito”. “Fui usado”, escreveu o ponta-de-lança no livro autobiográfico “Os meus segredos”.

Rui Costa (num avião)

Depois da saída de Manuel Damásio da presidência do Benfica, João Vale e Azevedo, Luís Tadeu e Abílio Rodrigues chegaram-se à frente nas eleições de 1997, uma das mais renhidas e participadas da história do clube (quase 20 mil votantes). Os trunfos para o banco eram fortes: Vale e Azevedo apostava em Graeme Souness, Rodrigues em Bobby Robson e Tadeu em Richard Moller-Nielsen, treinador campeão europeu com a seleção da Dinamarca, em 1992.

As sondagens colocavam Vale e Azevedo e Luís Tadeu lado a lado e no dia das eleições, em pleno pico de afluência às urnas, elementos da candidatura de Vale e Azevedo fizeram circular a informação que Rui Costa tinha acabado de aterrar em Lisboa e que assinaria com o Benfica caso o candidato vencesse. Vale e Azevedo ganhou com 51,5% dos votos, mas Rui Costa não estava em Lisboa.

Frank Rijkaard - sim, outra vez

O holandês ficou às portas de Alvalade como treinador, mas também já tinha ficado enquanto jogador. Jorge Gonçalves chegou à presidência do Sporting em 1988, prometendo as chamadas “unhas de leão”, ou seja, uma mão cheia de reforços capazes de tornar o Sporting de novo candidato ao título. Uma das tais unhas chamava-se Frank Rijkaard, que chegou a entrar no estádio ao lado do empresário , mas acabou por não ser inscrito a tempo, seguindo emprestado para o Saragoça.