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E em Alvalade foi Dia da Marmota

Tal como na 1.ª volta, o Sporting começou a ganhar. E tal como na 1.ª volta, permitiu que o V. Guimarães empatasse já na reta final. Os leões acordaram e voltaram a dia 1 de outubro de 2016. Desta vez não foi 3-3, foi 1-1, mas a desilusão foi a mesma

Lídia Paralta Gomes

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

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Sabem aquele filme em que o Bill Murray acorda manhã após manhã só para perceber que está a viver o mesmo dia, ainda para mais um dia que ele odeia, o tradicional Dia da Marmota? Pois bem esta noite foi Dia da Marmota em Alvalade. Porque às tantas o Sporting acordou e era outra vez 1 de outubro de 2016.

Nesse dia, o Sporting viajou até ao D. Afonso Henriques e passou grande parte do jogo a ganhar. Só que, aos 89 minutos, um tal de Francisco Soares, Tiquinho, hoje no FC Porto, fez o golo do empate. E a partir daí, a temporada do Sporting entrou numa espécie de montanha russa. Esta noite, a história de 1 de outubro repetiu-se, não com o mesmo dramatismo, diga-se (afinal de contas na 1.ª volta o Sporting chegou a estar a ganhar por 3-0 antes de permitir o empate), mas com resultado igual: os leões tiveram os três pontos na mão e, no final, só ficou um, depois de marcarem ainda na 1.ª parte e sofrerem o empate aos 76 minutos. E agora já são 9 os pontos de desvantagem para o 2.º lugar.

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

Um dia após a longa noite que levou à reeleição de Bruno de Carvalho, o jogo começou elétrico, com Gelson Martins e Hernani a darem o mote para o que seria quase toda a primeira parte: muita velocidade, muitas arrancadas, muitos cruzamentos, mas pouco suminho, por assim dizer.

A única vez que um cruzamento levou a direção correta (e no caso do Sporting, por direção correta leia-se a cabeça ou os pés de Bas Dost) houve golo. Aos 35 minutos, Esgaio arregaçou as mangas e deu-lhe com força na esquerda. A jogada foi ter com Bas Dost mas, surprise, surprise, o holandês, em vez de cabecear para a baliza, viu Alan Ruiz bem colocado e amorteceu-lhe a bola, para desatino completo dos defesas vitorianos. O argentino recebeu atrasado e com o pior pé, o direito, rematou meio enrolado mas com suficiente força e pontaria para abrir o marcador.

(Abro aqui um parêntesis para falar da exibição de Bas Dost, o menos responsável pelo empate do Sporting: para quem só entende “20 a 30%” daquilo que o treinador diz, a evolução de Bas Dost tem muito que se lhe diga. O holandês chegou a Portugal como um jogador de área, um matador letal, mas pouco móvel. Não aparecia nas alas, não vinha atrás buscar jogo, envolvia-se pouco na hora de defender. Um ponta de lança à antiga, portanto.

E hoje? Pois, por estes dias Bas Dost é um jogador diferente. E se na semana passada, frente ao Estoril, se estreou a marcar grande penalidades, esta noite, frente ao V. Guimarães, parece ter dito assim aos adeptos leoninos:

“Querem ver o que aprendi durante todos estes meses? Ora vejam lá”

E Alvalade viu. Nem foi preciso marcar. Porque isso já Bas Dost sabia quando chegou. Mas não sabia fazer os colegas jogar, não sabia defender, não sabia jogar de costas, olhar para o jogador mais bem colocado em vez de olhar logo para a baliza. Esta noite foi a noite de Bas Dost, o construtor em vez de Bas Dost, o matador. Não chegou para ganhar, mas honra lhe seja feita).

Fechado o parêntesis, siga a Marinha.

Durante a 2.ª parte, um jogo que começou elétrico tornou-se chato e amorfo, mesmo à medida de um balde de água fria para os 40 mil que foram a Alvalade. Bruno César, que Jorge Jesus colocou a fazer de Adrien para que William pudesse voltar a fazer de William, deixou de ser uma referência, muito por culpa de uma entrada feia, muito feia, de Zungu ainda na 1.ª parte.

Com o brasileiro diminuído fisicamente e com o resto da equipa também sem grande pica, Pedro Martins percebeu que o Sporting estava vulnerável. E quando colocou outro Martins, o Rafael, o Vitória ganhou logo outro peso no ataque. Marega avisou uma primeira vez e à segunda não foi só aviso: ao receber um passe atrasado de Bruno Gaspar, rematou primeiro e cruzado, fora do alcance de Rui Patrício, que na 1.ª volta já tinha visto o maliano marcar-lhe por duas vezes. Há 9 jornadas que Marega não sabia o que era um golo.

O empate foi, assim, um resultado natural. É já o sexto esta temporada para o Sporting. E o que o leão mais quer agora é que o amanhecer signifique um novo dia.

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