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Em podendo, Podence corre

O Sporting goleou o Tondela por 4-1 e todos os golos foram marcados por Bas Dost, que agora leva 21 no campeonato. Mas a chave do jogo foi Daniel Podence, o miúdo que se estreou a titular pelos leões. A pergunta que fica: o que andou André Balada a fazer por cá? E Markovic?

Pedro Candeias

Carlos Rodrigues

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Bastava espreitar o banco de suplentes do Sporting para concluir o óbvio - as coisas foram mal pensadas e pior executadas desde o início. Sem Adrien (lesionado), Alan Ruiz e Bruno César (castigados),Jorge Jesus deixou Campbell e Castaignos de molho e pôs Matheus e Podence no molhe de jogadores que foram a jogo em Tondela.

Entre os reforços e os miúdos, J.J. escolheu os últimos porque os primeiros deixaram de lhe dar garantias, se é que alguma vez lhe tinham dado. A ideia que fica é que estes dois (tal como Markovic e Elias) nada acrescentaram, ou pior, só atrapalharam o masterplan de Alvalade com o qual todos os sportinguistas se identificam: a formação. Jesus e Bruno de Carvalho quiseram contrariar a natureza e quiseram-no fazer de uma vez só, esquecendo-se que a genética é uma molécula torcida, sim, mas que não quebra à primeira.

É que quando o plano é bom, o melhor é seguir com ele - e neste momento não há melhor plano do que este. Por duas razões: porque a época está perdida e dá para testar soluções em competição a pensar no futuro que aí vem; e, basicamente, porque os miúdos são melhores do que os supostos reforços.

Jesus, que nunca dá o braço a torcer, bem pode dizer que é cedo para loucuras, que é preciso ter calma, que o “futebol tem coisas que eles ainda não sabem”, enfim, Jesus pode reinventar a máxima do “Manel” que nenhum sportinguista perceberá, por exemplo, o que andou Daniel Podence a fazer no Moreirense enquanto um tal de André Balada andou por Alvalade.

Em Tondela, Podence estreou-se a titular contra uma equipa que pressiona e que fecha e aperta, e ainda assim arranjou espaço para fintar, explodir e assistir Bas Dost.

Em Tondela, Podence esteve à direita e à esquerda e no meio, deu velocidade, largura e também jogo interior com algumas tabelas com Dost, Gelson e Matheus.

Em Tondela, Podence teria sido eleito o melhor em campo se Bas Dost não tivesse feito quatro golos (dois deles de penálti). Foi a sua intensidade que disfarçou a lentidão de Bryan Ruiz a jogar a “oito”. E

E em Tondela, foi a sua irreverência que equilibrou o momento menos espevitado de Gelson, um puto que está desgastado por ter carregado a equipa às costas durante muito tempo, provavelmente tempo a mais, porque outros não o faziam.

Não sei se Pepa e Jesus falavam a mesma língua quando debateram quem corria mais e melhor, se o Tondela, se o Sporting. O que sei é que ninguém o fez tanto e tão bem neste jogo como Podence.











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