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Bruno de Carvalho: “É o maior castigo aplicado a um presidente desde o Apito Dourado”

Em entrevista à TVI, o presidente do Sporting voltou a contestar o castigo que lhe foi aplicado pelo conselho de Disciplina da FPF e negou ter cometido qualquer infração

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PATRICIA DE MELO MOREIRA

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Em tempos, o Sporting era o seu próprio inimigo. Hoje já não é assim. Agora, são a “ falta de organização do futebol português e o medo das transformações”. Quem o diz é Bruno de Carvalho. Esta quarta-feira, em entrevista à TVI, presidente leonino lembrou que o clube deixou que os adversários “crescessem enquanto o Sporting começava a ficar a uma distância perigosamente fatal”.

“Felizmente, desde há quatro anos, quando começámos a contar, isto mudou tudo. É engraçado que o Sporting está a dez pontos do 1º lugar, mas eu por ser presidente do Sporting continuo a ser um alvo a abater”, disse Bruno de Carvalho.

Questionado sobre o castigo que lhe foi aplicado pelo Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), o presidente do Sporting negou ter cometido qualquer infração, garantindo que vai recorrer da decisão que o impede de se sentar no banco de suplentes da equipa até ao final da temporada.

“Este é o maior castigo aplicado a um presidente de um clube de futebol desde o Apito Dourado. Isto demonstra o estado a que chegámos, o facto de ser eu quem leva o maior castigo. Demonstra claramente que tenho muitas razões para dizer o que digo”, disse Bruno de Carvalho. “Dizem que sou punido por três infrações autónomas, mas o acórdão dispensa-se de analisar individualmente cada uma delas. Analisaram como um todo, isto deve ser inaudito... Parece muito técnico, mas não é”, acrescentou.

Na terça-feira, a FPF suspendeu de Bruno de Carvalho por 113 dias e condenou-o ao pagamento de uma multa no valor de quase três mil euros. Em causa está a queixa apresentada pelo Benfica, em novembro de 2015. Por unanimidade, o Conselho de Disciplina decidiu que o presidente do Sporting cometeu três infrações de lesão de honra e reputação em declarações publicadas em vários órgãos de comunicações e em redes sociais.

Na entrevista, o presidente do Sporting garantiu ainda que, por “várias vezes”, o clube quis juntar vídeos das declarações em causa para explicar, mas “não quiseram ouvir”. O clube vai recorrer da decisão.

“[Fui castigado] por notícias de jornal, não quiseram ouvir os vídeos. Fazem com que uma análise minha opinativa sobre uma pessoa, neste caso Vítor Pereira, se transforme em algo para uma classe inteira. Era a mesma coisa que eu dizer ‘você veste-se mal’. E depois, à saída, tinha o Sindicato de Jornalistas contra mim, porque disse que todos os jornalistas se vestem mal. Não faz sentido nenhum”, defendeu.

Admitiu que a época atual não correu como desejado (“mas evoluímos”, contrapôs) e voltou a assegurar que nos próximos quatro anos o Sporting será campeão (“e por mais do que uma vez”, disse).

“É a primeira vez que assumo claramente o ‘ser campeão’. O objetivo passa por continuar a trabalhar em conjunto com Jorge Jesus”, afirmou. “Estamos equilibrados e a crescer. Podemos concentrar-nos a 100% no nosso objetivo de ser campeões em tudo. É arriscado? É, mas na minha vida tudo foi arriscado”, referiu.

Naquela que foi a primeira entrevista após a reeleição como presidente do Sporting, Bruno de Carvalho considerou que “muita gente” ficou surpreendida com os resultados. “Naquilo que me interessa, os sportinguistas, sou perfeitamente compreendido”, sublinhou.

“Provocador não me considero. Acho que reajo e não sou de virar a cara”, disse. “Gosto que os sportinguistas me tenham percebido e gosto que os outros não me percebam. Acho que é importante também”, acrescentou.

  • “Há um lápis vermelho” no futebol português

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    Bruno de Carvalho admite que é arriscado prometer conquistar pelo menos dois campeonatos nas próximas quatro temporadas, mas assume o risco. Em entrevista à TVI, o presidente do Sporting falou sobre o castigo de quase quatro meses, que lhe foi imposto pelo Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol. Bruno de Carvalho defende que há um lápis vermelho no futebol português.