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Natal é quando um defesa do Boavista (e Bas Dost) quiser

O Sporting venceu o Boavista por 4-0, num jogo em que, para lá dos erros individuais dos defesas axadrezados, houve mais três presentes do avançado holandês, que já leva 27 golos no campeonato. Face a uma equipa conhecida pela sua coesão, os leões acabaram por ter uma noite mais sossegada do que seria de esperar

Lídia Paralta Gomes

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

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Do Boavista de Miguel Leal temos ouvido muitas coisas boas nos últimos tempos. Que é uma equipa bem organizada, que defende bem, que tem médios sólidos, que é agressiva na hora de pressionar e recuperar a bola.

Que é uma equipa dura de roer.

E, no início, o Boavista de Miguel Leal foi uma equipa à sua imagem em Alvalade. O problema é que não há organização que resista a uma avalanche de erros individuais, erros graves aos quais o Sporting disse obrigado e aproveitou. E o que tinha tudo para ser um jogo complicado para a equipa de Jorge Jesus tornou-se quase uma festa, com muitos e bons presentes e uma vitória por 4-0.

Afinal de contas, é Natal quando um defesa do Boavista quiser.

Mas bem, não vamos também tirar mérito ao Sporting, que fez um belíssimo jogo, principalmente na 2.ª parte, mesmo sem Gelson Martins, baixa de última hora a contas com problemas físicos. Porque não havendo Gelson Martins há Bas Dost, que esta noite voltou a fazer um hat-trick e leva já 27 golos no campeonato.

Afinal de contas, também é Natal quando Bas Dost quer.

E a verdade é que ainda antes do holandês desatar a marcar golos, já a equipa de Alvalade estava toda virada para o ataque. Logo a começar, foi Bruno César a criar as primeiras situações de perigo, primeiro num remate do meio da rua, que obrigou Mickael Meira a esticar-se para defender, e depois de cabeça, a responder a um cruzamento de Schelotto.

Depois, vieram os erros do Boavista. Aos 20 minutos, o lateral Talocha, a tentar sair para o ataque, passou a bola a Podence, que rapidamente deixou para Schelotto que, por sua vez, rapidamente cruzou para a área. Com os axadrezados apanhados de surpresa e sem conseguirem recuperar as posições na defesa, Alan Ruiz apanhou-se sozinho e rematou em força para o seu 6.º golo nos últimos oito jogos.

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

Dez minutos depois, mais um disparate do Boavista e mais um golo do Sporting. Sem perceber que Bruno César estava nas suas costas, Edu Machado fez um atraso imprudente que foi direitinho para o brasileiro. Este, à saída de Meira, passou para Bas Dost que só teve de encostar.

A partir daí só deu Sporting e os leões até podiam ter marcado logo a seguir. No primeiro erro não-individual da defesa do Boavista, que deixou Podence isolar-se. Só que o pequeno extremo não quis acreditar que não estava em fora de jogo e de tanto olhar, primeiro para o fiscal de linha e depois para ver se vinha algum companheiro, resolveu passar em vez de rematar.

O altruísmo não valeu a pena: o passe para Bryan Ruiz saiu mal, não houve golo e a candidatura de Podence ao Prémio Sakharov talvez fique na gaveta.

Na segunda parte foi só avolumar, sempre pelo homem do costume.

Logo a abrir, Bas Dost converteu mais uma grande penalidade, após um lance entre Bukia e Bruno César que deixou algumas dúvidas, e aos 63 minutos, mais um ataque rápido do Sporting terminou com Bruno César a cruzar e Bas Dost a encostar, lance que já é meio automático para o ataque leonino.

Foram quatro e até podiam ter sido mais, já que o Sporting nunca tirou verdadeiramente o pé do acelerador apesar da vantagem. Vantagem que permitiu a Jesus dar ritmo a Adrien Silva, que entrou a meio da 2.ª parte após mais de um mês de paragem por lesão, e também ao miúdo Francisco Geraldes.