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Saúde, críticas, frustrações e bastidores (a história da demissão de Vicente de Moura)

Vicente de Moura pediu a demissão por não ter gostado das criticas de Bruno de Carvalho às modalidades. Clube fala em problemas de saúde do agora ex-vice-presidente. Nos bastidores fala-se da enorme frustração de uma época futebolística para esquecer

Alexandra Simões de Abreu

JO\303\203O RELVAS

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Frustrado com os resultados da equipa de futebol, que falhou todo os objetivos num campeonato para esquecer, Bruno de Carvalho ficou à beira de um ataque de nervos quando viu as equipas feminina e masculina de futsal perderem contra o Benfica.

A juntar a isto, recorde-se que, pouco antes, no último dia de abril, o Sporting voltara a deixar escapar o único título que lhe falta no futsal, ao perder na final da UEFA Futsal Cup com o campeão espanhol do Inter Movistar, por 7-0, em Almaty, no Cazaquistão.

Embalado pela frustração de tantas derrotas consecutivas - e atento à contestação que cresce em surdina - Bruno de Carvalho escreve uma mensagem e mostra-a aos membros do conselho diretivo do Sporting, antes de a publicar na sua página do Facebook.

Ao ler as críticas feitas às modalidades, o vice-presidente responsável pelas modalidades, Vicente Moura, reagiu. Disse ao presidente que não gostava do teor das críticas e defendeu o segundo lugar na Champions de futsal. “Se isto não é nada, não estou a fazer nada”.

Bruno de Carvalho não recuou nas críticas e na noite de terça-feira tornou pública a mensagem e Vicente de Moura sentiu-se desconsiderado pelo presidente.

De seguida, o Sporting fzz um comunicado em que afirma que José Vicente de Moura solicitou a dispensa do cargo executivo que desempenhava até agora, “alegando motivos de saúde".
O antigo presidente do Comité Olímpico de Portugal não gostou que o clube se referisse apenas às questões de saúde sem mencionar a sua discordância da visão do presidente sobre as modalidades e veio a terreno sublinhar que "foram mesmo as críticas públicas do presidente ao desempenho das modalidades" que levaram à sua demissão.

Segundo o Record, num email enviado quarta-feira ao fim da tarde a Jaime Marta Soares e Bruno de Carvalho, com conhecimento de Rui Caeiro (vogal que apoiava Vicente de Moura nas modalidades), o Comandante recorda que já tinha pedido para não ser incluído na lista que venceu as eleições a 4 de março, devido a "fundamentalmente, circunstâncias de saúde".

Nas declarações que fez a vários orgãos de comunicação, Vicente de Moura insistiu: “Eu tive um enfarte há cerca de um ano e tenho alguma limitações de saúde. Não posso trabalhar tão intensamente e não posso ter grandes emoções (...) Ora bem, quando vejo o presidente fazer de certa forma uma crítica generalizada às modalidades, vejo que o meu trabalho não é apreciado. Se não é apreciado, não fazia sentido eu continuar a por em risco a minha saúde. Por isso pedi a demissão irrevogável, é apenas isto e mais nada", confessou o Comandante ao DN.

Quero, posso e mando

Fonte do clube avançou à Tribuna que a contestação interna ao atual presidente só não sobe de tom porque Bruno de Carvalho mantém “uma postura de quero posso e mando”, algo “intimidatória”, que leva as pessoas a “não dizerem nada com medo de perderem o lugar”.

A mesma fonte diz que Bruno de Carvalho tem noção de que “precisa desesperadamente de títulos” para conseguir levar o seu mandato até ao fim e que este episódio não foi mais do que “descarregar nas modalidades, toda a frustração causada pelo futebol” de forma a ele próprio não ser considerado o único responsável pelos falhanços do clube. "Os caminhos estão cada vez mais estreitos e ele sabe", conclui.