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Como contrariar uma tarja em apenas 15 minutos

As claques do Sporting entraram em silêncio e com uma longa faixa em que se lia “20 minutos iguais à vossa atitude”. Na resposta, os leões só precisaram de um quarto de hora fazer dois golos, despedindo-se da temporada com uma vitória por 4-1 frente ao Chaves, com direito a mais um hat-trick de Bas Dost, ainda assim insuficiente para ultrapassar Leo Messi na luta pela Bota de Ouro

Lídia Paralta Gomes

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

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Há protestos e protestos. Normalmente são barulhentos, mas as claques do Sporting optaram pelo silêncio. No início do encontro que fechou a época em Alvalade, podia ler-se numa enorme tarja na Superior Sul a seguinte mensagem: “20 minutos iguais à vossa atitude”. E após o apito inicial, nem pio.

As derrotas em Santa Maria da Feira e com o Belenenses, em casa, deixaram marcas, mesmo que o Sporting estivesse há muito afastado do título. Os adeptos não gostaram dos desaires e, por sua vez, Jesus também não rejubilou com o protesto. Por isso, quando aos 15 minutos Bas Dost marcou pela segunda vez, o treinador do Sporting fez questão de apontar para os adeptos.

Como quem diz: “Ora tomem lá atitude”.

O Sporting ainda marcaria mais duas vezes e o Chaves apenas uma, o que, pelas minhas contas, dá 4-1, um resultado robusto mas que acaba por não espelhar aquilo que se passou este domingo em Alvalade: depois de resolver a questão aos 15 minutos e ainda marcar mais um golo antes do intervalo, o Sporting entrou em modo férias, ainda que a vitória não mereça o mínimo de contestação.

E Bas Dost, sempre Bas Dost, termina a época com mais um hat-trick e 34 golos na conta: há 17 anos que nenhum jogador marcava tanto na liga portuguesa.

Pois então, recuando. O jogo deste domingo em Alvalade começou entretido e com o Sporting quase a marcar. De calcanhar, Bas Dost ia surpreendendo Ricardo aos 3 minutos, com o Chaves a responder logo de seguida: Fábio Martins, um dos jogadores deste campeonato, cruzou para Rafa Soares, com o avançado português a fugir bem a Rúben Semedo mas a não conseguir bater Beto, titular na vez de Rui Patrício.

O equilíbrio não duraria muito mais, até porque aos 11 minutos já Bas Dost aparecia pela primeira vez com a bola nas mãos na marca dos 11 metros. Num lance dividido com Ponck, Podence caiu e Jorge Ferreira marcou grande penalidade. E mesmo com Adrien em campo, Bas Dost assumiu - afinal, a Bota de Ouro ainda era um sonho. E o rapaz que no início do ano não sabia marcar penáltis fê-lo com a maior competência: bola para um lado, guarda-redes para o outro, com direito até a paradinha prévia.

Bas Dost não é mau de pés mas é melhor ainda de cabeça e quatro minutos depois, na sequência de um canto, a defesa do Chaves cometeu um dos pecados capitais: deixar o holandês sozinho. Porque ele, sozinho, normalmente não falha e esta noite não foi exceção.

E aí os adeptos não tiveram grande remédio: foi mesmo preciso abrir a boca e festejar.

Foi já com o Sporting liberto, a jogar bem e com as bancadas do seu lado que o resultado se avolumou. À passagem da meia-hora, Gelson Martins passou por meio mundo como um esquiador de slalom, viu Matheus Pereira livre na esquerda e passou para o jovem brasileiro que, por sua vez, trocou as voltas ao único jogador da defesa que Gelson não tinha fintado e rematou para o fundo da baliza de Ricardo.

De repente, um jogo que poderia ser complicado, descomplicou-se.

Na 2.ª parte, o Sporting baixou o ritmo e o Chaves arrebitou, com o merecido golo a surgir aos 60 minutos: Nelson Lenho cruzou, Coates e Rúben Semedo, provavelmente já a pensar nas férias, atrapalharam-se e William aproveitou para esticar o pé e fazer a emenda. Sem nunca criar perigo iminente, os flavienses foram a partir daí a equipa mais afoita. Mas Bas Dost ainda não tinha fechado a torneira.

Assim, já com os 90' à vista, Massaia fez falta sobre o holandês na área e o próprio Bas Dost encarregou-se de fechar as contas, marcado uma segunda grande penalidade em tudo igual à primeira. Um hat-trick que ainda assim não chegou para o avançado trazer a bota de ouro para Portugal, já quem do outro lado da fronteira Messi marcava dois e arrumava a questão.

Arrumado está também o campeonato: o Sporting-Chaves foi o epílogo da época 2016/17 e agora, campeonato, só daqui a uns meses. Até lá.