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Jesus e Bruno, amigos como sempre

Bruno de Carvalho nunca se deu tão bem com alguém no futebol como se dá com Jorge Jesus. A Tribuna Expresso sabe que presidente e treinador estão a planear a próxima época com as conclusões a que chegaram com esta que passou - o Sporting teve três plantéis num só e demasiados jogadores desmotivados e a contagiarem os restantes. E o clube só está disposto a vender os capitães pelo valor das cláusulas de rescisão

Diogo Pombo

FRANCISCO LEONG

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Um treinador e um presidente às turras. A falarem-se pouco, a discutirem quando falavam, a divergirem mais do que discutem. O primeiro a querer sair, o segundo a tentar segurá-lo e a corda a ser puxada em cada lado.

Os rumores e as especulações e o diz que fez montavam este cenário até à última sexta-feira, dia em que o treinador falou em coisas como sintonia, trabalho, reuniões e compromisso para garantir que fica no Sporting.

O treinador fez a sua parte. E o presidente continua a fazer a dele, porque Bruno de Carvalho tem Jorge Jesus como a pessoa com quem já se deu, e se dá, melhor no futebol. A Tribuna Expresso sabe que o homem que manda no clube mantém uma amizade com quem lidera a equipa de futebol.

Sim, eles chocam, têm lutas de argumentos, já tiveram quezílias. Mas convergem mais do que divergem, sentam-se à mesa, conversam muito e reúnem-se ainda mais, como nas duas reuniões que tiveram na última semana. Não houve exigências, o presidente gosta do treinador e tem como muito boa a relação que os une.

A Tribuna Expresso apurou que, do lado de Bruno de Carvalho, a relação com Jorge Jesus não é a mesma desde o dia em que se conheceram - é melhor. Hoje, o presidente tem-no como amigo, como alguém com quem se entende bem e de quem tem a confiança para tomar as decisões que mais ajudarem o Sporting.

É por isso, dizem-nos, que o presidente acredita no projeto que idealizou e na pirâmide de pessoas que montou, onde Jorge Jesus é a Cleópatra que está no topo. Mesmo que a segunda temporada que passaram juntos tenha corrido mal e acabado de forma sofrível.

Com derrotas, jogadores em má forma, posts no Facebook e assobios dos adeptos. E com as especulações e os rumores.

A confiança e o contágio

Estas são coisas que podem ter estado em gestação durante meses. Mas que, no fundo, são consequências de dois grandes erros que presidente e treinador identificaram, nas tais reuniões e conversas e encontros que já tiveram.

Ambos convergem num mesmo problema, os números. Esta época, o Sporting chegou a ter 32 jogadores no plantel. É muita gente a para tudo - para treinador ver e treinar; para as vagas que, a cada três dias ou fim de semana, há na equipa; e para a motivação.

Ter esta quantidade de jogadores significa que dois terços estariam, quase sempre, bem menos felizes que os restantes. Porque esses são os que treinam e não jogam e os que, portanto, não gostam de ficar de fora dos 11 que podem jogar. O problema para os leões, este ano, foi ter demasiada gente que desmoralizou e desmotivou por não jogar, que é diferente de ficar chateado ou com azia. São formas diferentes de reagir. E, de acordo com o que a Tribuna Expresso apurou, quando os resultados e as exibições pioraram, essas sensações contagiaram-se muito e rápido.

A equipa, onde cabiam muitos, foi tomada pelo espírito da maioria. É difícil gerir três plantéis num só.

O segundo erro contribuiu para o primeiro. No início da época, o Sporting foi às compras e voltou com o saco bem cheio, só que mais por receio do que, propriamente, necessidade. Porque, com os contactos, as abordagens e as conversas, houve o temor de que alguns clubes se chegassem à frente e batessem as cláusulas de rescisão dos jogadores que o presidente e o treinador queriam mesmo manter - e por isso chegaram Elias, Meli, Joel Campbell, Markovic, Castaignos, Douglas e André Filipe, gente que nunca rendeu.

Ainda não houve propostas por Adrien Silva, mas oo Sporting só está disposto a vendê-lo por, pelo menos, 25 milhões de eur

Ainda não houve propostas por Adrien Silva, mas oo Sporting só está disposto a vendê-lo por, pelo menos, 25 milhões de eur

PATRICIA DE MELO MOREIRA

Os que (não) vão e os que voltam

Na próxima temporada, o Sporting tem de render muito mais e Jorge Jesus já o disse e redisse, nas últimas conferências de imprensa. É por isso que é provável muita dessa gente, ou mesmo toda, vá (ou já foi) embora.

Quem chegar vindo de fora não pode ser como os antecessores, mas sim ter o perfil que BdC e JJ desenharam - ser combatente, ter talento, capacidade de trabalho e compromisso com a equipa e os adeptos. Só assim alguém será um acrescento aos tipos que, uma vez mais, presidente e treinador querem segurar, para a equipa orbitar à volta deles. Graças aos frutos da reestruturação financeira e aos cestos cheios com que o Sporting ficou com a venda dos direitos televisivos à NOS, o clube considera que não há necessidade de vender as pérolas.

Ou seja, a Tribuna Expresso sabe que William, Gelson, Dost, Patrício ou Adrien apenas sairão se algum clube pagar o valor que estiver nas cláusulas de rescisão. Bruno de Carvalho, por exemplo, nem admite vender o capitão por 25 milhões de euros. Até esta quarta-feira não houve quaisquer abordagens nem telefonemas para saber de qualquer um deles.

A ideia, portanto, é que eles fiquem, que se contratem mais jogadores e que se mande regressar outros. Iuri Medeiros e Jonathan Silva, que passaram a época emprestados ao Boavista e ao Boca Juniors, vão fazer parte do plantel. Carlos Mané também ia regressar, mas a lesão que sofreu num dos joelhos, em abril, deverá fazer com que cumpra a segunda época de empréstimo ao Estugarda, que subiu à Bundesliga.

Ser campeão, der por onde der

Seja quem for que vá, fique ou venha, presidente e treinador do Sporting coincidem em outro aspeto - a próxima época é de tolerância zero. Os leões terão de ser campeões e ganhar o título que não ganham há 15 anos.

É tão ponto assente que, caso a equipa volte a falhar com Jesus, pela terceira época, Bruno de Carvalho vai pensar e matutar se continua à frente do clube. Tal como admitiu ter feito antes das eleições que, em março, lhe deram 87% dos votos dos sócios, para mais um mandato de quatro anos na presidência do clube.

Na próxima temporada, além de ser presidente, BdC vai ser algo como um diretor desportivo, com André Geraldes, responsável pelo Gabinete de Apoio ao Jogador, mais perto dele e da equipa.

Em suma, presidente e treinador querem medir a próxima época por uma exigência máxima. Pelo ataque, de vez, ao título. Pela obrigação de acabarem à frente dos rivais. E pela felicidade dos adeptos, que Bruno de Carvalho pretende restaurar e evitar episódios como o que aconteceu em Chaves, onde o presidente afastou os adeptos que esperavam a equipa perto da entrada dos balneários.