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Sporting ou como entrar à leão, sofrer no final mas ganhar de VARdade

O Sporting garantiu uma difícil vitória frente ao Estoril por 2-1, num jogo em que aos 11 minutos já vencia por 2-0, mas nunca conseguiu ter o controlo absoluto das operações. E no final, um final capaz de provocar vários enfartes, acabou salvo pelo o vídeo-árbitro, quando os canarinhos já festejavam o empate

Lídia Paralta Gomes

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

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Ele há jogos que parecem uma coisa e, no final, tornam-se outra completamente diferente. Jogos como o desta tarde/noite em Alvalade, em que o Sporting entrou à leão, marcou dois golos de rajada, parecia tranquilo, mas não soube depois controlar, sofreu um golo a 5 minutos do fim e acabou salvo por uma (boa) decisão do vídeo-árbitro que, a um minuto do apito final, anulou aquele que seria o golo do empate do Estoril, já depois de anular (bem) um golo ao Sporting.

Uff, já estou cansada e ainda agora comecei. Ora aí está, um jogo de futebol de VARdade.

Pois bem, foi um Sporting órfão de William e Adrien aquele que subiu ao relvado de Alvalade para defrontar o Estoril. Órfão dos seus dois jogadores de referência no miolo, órfão de dois dos seus campeões europeus. Pela primeira vez em simultâneo esta temporada. O medo.

Na última temporada, isso seria uma carga de trabalhos. Aliás, os momentos de fragilidade do leão na época passada foram exatamente potenciados nos períodos de lesão de Adrien. Mas, por agora, no Adrien, no Problem. Bem, pelo menos até aos 5 minutos finais.

Isto porque há um rapaz chamado Bruno Fernandes que pode não ser o monstro de intensidade, de pressão, de acutilância defensiva que é Adrien, mas é muitas outras coisas. Joga, faz jogar, abre linhas de passe, coloca a bola onde quer e normalmente para o sítio para onde ela deve ir, começa a defender cada vez melhor e tem um extraordinário apetite pela baliza. E quanto mais longe, melhor.

Depois das duas bombas contra o V. Guimarães, na última jornada (e do jogo total contra o Steaua em Bucareste), o médio internacional sub-21, desta vez a jogar um pouco mais recuado, no lugar do capitão, voltou a enviar um míssil de longo alcance para a baliza contrária, isto já depois de Gelson Martins ter feito o primeiro, a passe de Acuña, lançado, por sua vez, por Fábio Coentrão.

E assim de repente, em seis jogos oficiais, os reforços do Sporting para esta época já fizeram mais do que muitas das estrelas que chegaram a Alvalade há um ano durante toda a época.

Não foram, no entanto, suficientes para dar calma à equipa numa 2.ª parte em que começou por não acontecer nada, para depois acontecer tudo.

A ganhar por 2-0, o Sporting descansou e o Estoril não se apequenou. Sem dramatismos, desesperos ou corridas malucas, começou a fazer o seu jogo, com paciência, com personalidade na circulação. E podia ter chegado ao golo aos 24 minutos. Na sequência de um canto, Kleber desviou e Pedro Monteiro, sozinho, falhou o ataque a uma bola que só pedia um pequeno encosto.

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

O Sporting mesmo com um ritmo mais baixo, também ia tendo as suas oportunidades: aos 33’, Coates falhou à boca da baliza a emenda um cruzamento de Battaglia.

Logo ao intervalo Pedro Emanuel mexeu no Estoril, tirando logo de uma vez Tocantins e Mano para colocar Jorman Aguilar e Joel Ferreira. E na 2.ª parte o jogo tornou-se meio indefinido, com o Estoril a mostrar-se mas pouco e com o ritmo a cair a pique, com muitas paragens e sem que o Sporting conseguisse verdadeiramente controlar a situação.

Tanto não controlou que depois de falhar várias oportunidades, primeiro por Gelson Martins, depois num cabeceamento de Battaglia, permitiu a Lucas Evangelista fazer um grande golo à entrada da área (85’), um vólei sem hipóteses para Rui Patrício e que fez estremecer o jogo, que a partir daí ficou definitivamente perigoso para o Sporting.

Sporting que pensou ter fechado as contas já aos 90’+2, depois de Bas Dost cabecear para o fundo das redes. Seria de seguida assinalado fora de jogo a Piccini, que tinha feito o cruzamento. E, para pesadelo dos leões, logo de seguida Pedro Monteiro marcou para o Estoril, com direito a murro no banco de Jesus.

Só que não. O vídeo-árbitro bateu de novo à porta. Havia fora de jogo. Suspirou o Sporting, que garantiu assim, graças às novas tecnologias, a quarta vitória em quatro jogos no campeonato.

Foram 10 minutos de muitas emoções. Preciso de descansar.