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Andar na palheta, marcar como Palhinha

Como era previsível, o Sporting venceu o Oleiros (4-2) num jogo em que as suas segundas linhas se superiorizaram à equipa da Série C do Campeonato de Portugal. Depois de muita conversa sobre Gelson Dala, foi Palhinha quem marcou dois dos golos, e Matheus e Leão os outros dois

Pedro Candeias

PAULO NOVAIS/LUSA

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Há sempre mais do que um ponto de vista para analisar um jogo, e num jogo como o Oleiros-Sporting os vários pontos de vista não são apenas todos legítimos, mas até imprescindíveis. É uma questão de perspectiva, porque sem o contexto necessário não se podem comparar realisticamente duas equipas que jogam em mundos opostos.

Mundos tão desiguais quanto a primeira liga é da Série C do Campeonato de Portugal - em teoria, são duas divisões de diferença; na prática, são muitas mais, porque atravessam o profissionalismo e terminam no amadorismo.

Mundos tão diferentes como o campo sintético do Oleiros é do relvado de Alvalade - são ambos verdes, é verdade, mas é só reparar como a bola de futebol é repelida como uma bolinha saltitona logo que esta bate neste chão (e só podemos imaginar o que fará às articulações dos futebolistas).

E mundos tão apartados como as primeiras escolhas do Oleiros estão das segundas e terceiras escolhas do Sporting que hoje estiveram em campo.

É claro que, em jogos destes, o que se faz são três coisas: tentar perceber o que valem os futebolistas menos usados pela equipa grande e fazer o mesmo aos futebolistas anónimos da equipa quasi amadora, como um ornitólogo barulhento à busca de uma ave; e contar os minutos até ao primeiro golo do clube favorito, como um voyeur à espera do inevitável acidente.

E foi então que este jogo foi lançado na seguinte base: o que valiam Gelson Dala, a coqueluche de Angola do Sporting, e Jackson, o brasileiro goleador de Oleiros? E, depois, por quantos perderia o Oleiros?

Resposta simpática para Gelson: é jeitoso. Resposta fria: não dá para o Sporting. Ou seja, o rapaz tem ginga e toque de bola, sim senhor, só que não marcou num jogo em que era suposto marcar e foi muitas vezes inconsequente nos dribles e nas fintas. Depois de um desses momentos disparatados, J.J. substituiu-o e ele lá foi para o banco de suplentes pensar na vida que leva - e, pior do que isso, o rapaz que entrou para o lugar dele, fez um golinho e tem um apelido que dá jeito em alguns casos, especificamente em casos assim: o nome dele é Leão.

Resposta honesta para Jackson: foi dele um dos golos (Djô Djô foi o autor do outro) e foram dele os lances mais perigosos do Oleiros.

Reposta elogiosa para o Oleiros: sofreu quatro golos (dois de Palhinha, um de Matheus outro de Leão), mas marcou dois, transformando uma previsível goleada num resultado mais nivelado, porque se bateu bem e correu e foi profissional e não se entregou à agressividade que aparece quando as pernas começam a ficar cansadas e resultam em entradas durinhas.

Quanto ao resto, há a destacar os dois golos de Palhinha - sobretudo o segundo, um pontapé de moinho -, o desacerto de Jonathan Silva (este é recorrente), as três assistências de Podence, a pinta de centralão de André Pinto, a boa entrada do Sporting e a posterior desconcentração natural do Sporting quando os miúdos mais miúdos foram para o campo sem saberem muito bem onde se posicionar.