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Sporting continua na Taça à lei da cabeçada

Leões venceram o Famalicão por 2-0 e garantiram a passagem à próxima eliminatória da Taça de Portugal. Coates e Bas Dost fizeram os golos com Rui Patrício a defender um penálti

Tiago Oliveira

PATRICIA DE MELO MOREIRA

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Todos os que estão familiarizados com as peladinhas da infância já ouviram decerto a expressão "patarrões de força". Para dizer o quê? Que não valem, claro! É uma máxima tão certa de se escutar por esses terreiros fora como o verão de São Martinho aparecer em novembro e uma regra a ter em conta. Com as cabeçadas nunca houve esse problema, até porque cabecear uma bola com mestria é algo ligeiramente mais complicado do que chutar com potência. É para aprender e treinar vezes sem conta. Como decerto saberão Coates e Bas Dost, mestres com provas dadas na arte que deu a vitória por 2-0 ao Sporting perante o Famalicão na quinta eliminatória da Taça de Portugal.

Resultado algo enganador perante a exibição cheia de personalidade dos nortenhos que se deram ao luxo de falhar uma grande penalidade que teria dado maior justiça ao marcador. Mas como a justiça nunca quis nada com o futebol coube mesmo ao jogador que mais se destacou ao longo dos 90 minutos permitir a defesa de Rui Patrício: Rui Costa. A manter esta bitola, a linhagem de Rui Costas de destaque no desporto nacional está bem entregue.

Agora sem mais delongas, e perdoem-me o pleonasmo, vamos ao jogo jogado que decidiu a eliminatória. Após a pausa para os desafios das seleções, Jorge Jesus aproveitou para lançar um onze que funcionava como um misto de baluartes da equipa e nomes a tentar ganhar algum espaço. Destaque para o regresso de Fábio Coentrão após lesão, desta feita a jogar a médio ala esquerdo, e para a titularidade de Tobias Figueiredo e Petrovic, pouco utilizados ao longo da época. Numa espécie de híbrido entre 4-2-3-1 e 4-4-2, Podence fazia companhia a Bas Dost na frente de ataque.

Já o Famalicão, a realizar uma série de bons resultados e num prometedor quinto lugar na Segunda Liga apresentou-se com o onze mais rodado para tentar causar surpresa em Alvalade. Com Dito ao leme, a nau nortenha tinha confiança em fazer a Taça acontecer.

E o início de jogo deu a entender que essa hipótese poderia ão ser tão descabida quanto isso. Começo forte dos nortenhos que logo aos 2 minutos, por intermédio do (já deve ter adivinhado, sempre ele) nº77 Rui Costa obrigou Rui Patrício a estirar-se e não permitiram praticamente nenhuma veleidade nos primeiros 15 minutos. Com seis golos nos últimos três jogos, o avançado emprestado pelo Portimonense mostrava ser um quebra cabeças enquanto a organização defensiva do Famalicão foi sempre sólida.

Logo também aos 9 minutos a experiência de Coentrão teve que terminar quando Jonathan Silva se lesionou e Jorge Jesus optou por lançar na partida Gelson que, tal como Bruno Fernandes, tinha jogado há 48 horas frente aos EUA. A entrada do extremo deu lentamente mais qualidade à movimentação ofensiva do Sporting, com as trocas posicionais entre o extremo e Podence a revelarem potencial de criatividade e desgaste. Coube aos dois as principais jogadas de perigo, com exceção de uma bomba de Bruno César aos 31 minutos que só parou no poste esquerdo da baliza dos nortenhos. Que, com Rui Costa em constante evidência, nunca deixaram de tentar responder.

Os heróis de sempre

Ao intervalo, o resultado só poderia surpreender quem não acompanhou o jogo. Battaglia e Petrovic (sobretudo este) mostraram-se demasiado estáticos e incapazes de criar desequilíbrios. Apesar de uma maior pressão leonina, e Podence estar a agitar, a toada manteve-se nos primeiros minutos da segunda parte com o guarda-redes Gabriel a assumir-se mais nos passes de desmarcação do que propriamente nas defesas. No mesmo período, Rui Patrício teve direito a mais uma estirada, pelo que a entrada de Bruno Fernandes para o lugar do médio sérvio foi um passo lógico. E que se revelaria decisivo.

Na primeira vez que tocou na bola, a atitude do português marcou logo a diferença e o amarelo visto pouco depois deu conta da vontade em contrariar o cansaço. Bastaram cinco minutos. Canto da direita do médio e Coates a subir à área contrária para cabecear certeiro (com ajuda de Zé Pedro) e colocar os leões em vantagem aos 65 minutos. Até para contar com os desvios é preciso ter jeito.

Ao contrário do que poderia ser óbvio, o Famalicão não se foi abaixo com o golo sofrido e partiu com força em busca do prejuízo para gáudio dos muitos adeptos que se deslocaram a Lisboa para ver a equipa. Feliz (servido por Rui Costa) e João Faria estiveram perto do empate mas o rei das assistências leoninas voltou a fazer das suas com o rei dos golos. Cruzamento de Bruno Fernandes, clássica antecipação de Bas Dost e bola no fundo das redes aos 81 minutos para o 2-0.

Quando tudo parecia resolvido, o público em Alvalade ainda se preparou para um final de suspense quando Mattheus Oliveira derrubou Anderson Silva (em posição irregular) na grande área aos 87 minutos. Grande penalidade que o herói de tantas vezes, Rui Patrício, se encarregou de defender e poupar uns derradeiros minutos de calafrios. No final, vitória por 2-0 e passagem à próxima eliminatória da Taça perante um adversário que não deu a entender a diferença de escalão. Com cabecinha tudo é mais fácil. Agora segue-se o Olympiakos.