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Um paço doble de Gelson desarrumou a mobília lá de casa

O Sporting venceu onde nenhuma equipa vencera esta época por 2-1. Está agora a dois pontos do FC Porto

Pedro Candeias

FRANCISCO LEONG

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Para os mais distraídos, a Tribuna Expresso tem um serviço óptimo para preguiçosos - é o acompanhamento em direto dos jogos (AQUI) e nele cabem as estatísticas, os incidentes, os remates, as curiosidades, os remates à baliza e, claro, os golos. Não têm de fazer nada, está lá tudo.

Ora, neste Paços de Ferreira - Sporting socorri-me várias vezes dele só para ter a certeza que não me estava a escapar nada. Por defeito, pois claro, que por excesso nunca seria tal o aborrecimento da jogatana.

Então, na primeira-parte, eu e óptimo serviço contabilizámos quatro lances de baliza, dois do Sporting e dois do Paços, e o golo de Battaglia, que foi tão sinuoso como uma subida aos Alpes em dia de chuva: um remate, uma defesa, outro remate, outra defesa, e um cabeceamento tipo chapelada, com o cucuruto, do argentino. Já agora: voltando às ocasiões de perigo, estas foram de um perigo relativo, a não ser aquela defesa de Rui Patrício em contrapé, após disparo de Mabil.

Resumindo, do minuto zero ao minuto 45, não houve nada que não esperássemos da parte do Paços, sobretudo de um Paços que é treinado pelo intenso Petit - defender com duas linhas de quatro, fechadinho lá atrás, e tentar, repito, tentar pelo corredor através de Mabil, esperando que este sacasse um cruzamento para Welthon, que tem futebol para mais se passar a pesar menos.

Por outro lado, do minuto zero ao minuto 45, esperava-se que o Sporting jogasse melhor, até porque se apresentou com os melhores: Coates, Mathieu, William, Battaglia, Gelson, Bas Dost, Fernandes e o regressado Acuña. Só que não. Talvez por causa do cansaço - e todos nós sabemos o que acontece às equipas de Jesus em semanas de Champions -, aquele Sporting aglutinador, interessante e, vá, de autor não se viu. O golo, repito, foi uma carambola com direito a intervenção do VAR.

Na segunda-parte a coisa mudou, felizmente, para melhor. Porque o Paços achou que podia chegar ao empate e porque, por isso mesmo, o Sporting encontrou mais espaço para jogar como gosta.

Petit tirou Mateus Silva e pôs Bruno Moreira e Bruno Moreira juntou-se a Welthon para ambos se colocarem em cima dos centrais leoninos. Nestes instantes, a equipa de Jesus sofreu um bocadinho, mas aguentou-se - uma defesa com Mathieu e Coentrão será sempre necessariamente melhor do que uma defesa sem Mathieu e Coentrão.

Houve uma bola ao poste de Bruno Fernandes, e outra de Mabil, o jogo partiu-se a espaços e Jesus repescou o renegado Bryan Ruiz para a posição 8 de onde saiu Battaglia; antes, Bruno César também entrara para o lugar do apagadíssimo Acuña. Acho que Jesus acertou com César, mas falhou com Ruiz, visivelmente sem ritmo e a pisar terrenos que não são os dele.

Só que, depois, numa jogada notável, Coentrão descobriu Gelson, que recebeu de pé esquerdo, rodou sobre o seu centro de gravidade como um pião deixando Góis fora da jogada, e chutou de pé direito para o 2-0. Foi um bom golo e, mais do que isso, um golo que salvou uma equipa em perda perante o assalto final do Paços de Ferreira, que fez o 1-2 após (outra) grande defesa de Rui Patrício. E quando não foi Patrício, a quem os adeptos leoninos se habituaram a chamar São, foi Mathieu a resolver os problemas criados por Mabil e companhia.

Contas feitas, o Sporting venceu onde ninguém vencera esta época e está agora a dois pontos do FC Porto que jogará contra o Benfica a 1 de dezembro.