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Domingos tinha razão e o Belenenses nunca poderia ter ganho em Alvalade

O Sporting entrou apenas com William no meio-campo numa equipa cheia de extremos e de avançados, como se tivesse pressa para resolver depressa. E fê-lo, ao minuto 13, num golo de penálti de Bas Dost. O Belenenses tentou equilibrar as coisas na segunda-parte, quando o encontro partiu e as ocasiões se sucederam, mais para o lado dos da casa

Pedro Candeias

FRANCISCO LEONG

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Há jogos que não requerem muita explicação porque se auto-explicam logo, logo que aparecem as equipas iniciais. A do Sporting tinha William e depois Gelson, Acuña, Bruno Fernandes, Podence e Bas Dost - ou seja, Jesus estava com pressa para resolver tudo depressa, porque a seguir vem a Champions; a do Belenenses tinha o Bouba Saré com Yebda, André Sousa, Benny, Diogo Viana e o pouco volumoso sozinho Fredy lá à frente - ou seja, Domingos queria ver o que é que a coisa ia dar e depois logo se via.

E então o Sporting entrou bem e à procura da felicidade, com trocas constantes de posições entre os avançados (Bas Dost e Podence) e os extremos (Acuña e Gelson), passes de Bruno Fernandes e subidas interessantes de Fábio Coentrão, este cada vez mais perto - ou menos longe, vá - daquilo que foi do outro lado da 2.ª Circular. Pois que, como aquele jogo de ilusionismo em que o artista de rua esconde uma bola num de três copos, os leões foram confundindo marcações e chegaram ao golo de penálti.

Tcharan.

O disparatado Florient deu um encosto em Podence e Bas Dost somou o 10.º tirinho da época. Minuto 13, minuto da sorte para Jesus que rabiscou um onze arriscado.

Com a vantagem no marcador, os leões puseram-se a controlar o andamento à distância, visto que o Belenenses também não conseguia fazer mais do que correr pela linha quando não estava preocupado em acudir a fogos lá atrás.

Obviamente, Domingos Paciência iria mudar alguma coisa para não tropeçar na sua própria ironia. “O Belenenses nunca vai ganhar ao Sporting. Na época passada, não foi o Belenenses que ganhou, foi o Sporting que perdeu”. Para procurar pelo menos o empate era preciso mostrar mais.

Foi o que fez. Pôs Maurides - que é irmão de Maicon (ex-FC Porto), tirou Bouba, abriu dois extremos e passou a jogar declaradamente com três médios e três avançados. E o jogo melhorou na ótica do utilizador e piorou na do técnico - porque partiu, descontrolou-se a espaços, mesmo já com Battaglia (saiu Podence) em campo para tentar equilibrar os desequilíbrios naturais de uma equipa que entrou com tudo.

Assim, nos últimos vinte minutos, ambas as equipas podiam ter chegado ao golo em algumas ocasiões. Contabilizei estas: o Belenenses por Maurides (76’) e o Sporting por William (78’), Bryan Ruiz (85’) e Bas Dost (87’). O jogo acabou 1-0, mas podia ter sido 2-1 ou algo semelhante, porque o mérito do triunfo sportinguista é inquestionável. Todavia, fica uma questão: o Sporting-pós-jogos-da-Champions é sempre menos intenso, facto que já se encara com estranha naturalidade, mas este Sporting-pré-jogos-da-Champions também afrouxa, facto que se terá de analisar no futuro.