Tribuna Expresso

Perfil

Sporting

Buenas noches Champions: Jesus inventou de tudo, mas Barcelona é Barcelona

Foi um Sporting diferente aquele que Jesus montou para ir à procura do pequeno milagre de Barcelona. Mas as mudanças acabaram por não resultar, de Atenas não vieram boas notícias e dois erros defensivos acabaram com o resto da esperança. Os leões seguem assim para a Liga Europa, após uma Liga dos Campeões em que tiveram, muito provavelmente, os melhores momentos exibicionais da época

Lídia Paralta Gomes

JOSEP LAGO/Getty

Partilhar

Quando quase tudo está perdido, mais vale mudar para tentar pelo menos baralhar as probabilidades. Terá pensado assim Jorge Jesus quando apostou em Alan Ruiz no onze titular do Sporting para o jogo desta terça-feira em Barcelona, onde tinha de ganhar e esperar ainda por boas notícias de Atenas. Perdeu por 2-0, com dois erros pouco comuns, e não houve boas notícias de Atenas. O Sporting muito dificilmente continuaria na Champions e o milagre não aconteceu, apesar de Jesus, honra lhe seja feita, tenha tentado de tudo, de todas as maneiras e feitios.

Olhando para o início da época, pode até entender-se a opção de Jesus por Ruiz. O técnico leonino quis fazer do argentino uma espécie de Doumbia, estratégia que tão bem resultou frente ao Olympiacos. Só que Alan Ruiz não é Doumbia. Não tem a sua rapidez, a sua destreza, a sua inteligência a ler lances. E o que não se entende é que Jesus não tenha percebido que por estes dias Bas Dost, que chegou a Alvalade como um grande avançado, mas sem grandes pezinhos, já é muito mais parecido com Doumbia do que Alan Ruiz, que não ganhou um lance que fosse em velocidade, em altura, em desmarcação. Não jogou, nem fez jogar.

E por isso, nos primeiros 45 minutos, o Sporting foi inofensivo no ataque. A jogar numa espécie de 5x4x1 o Sporting demorou a encontrar-se, mas em menos de nada o trio de centrais Piccini, Mathieu e Coates trataram de fechar bem as portas. O problema foi sair a jogar: na primeira parte, os leões pareciam uma equipa de râguebi, a tentar ganhar um metro aqui, um metro ali, mas sem nunca conseguir avançar muito, até porque lá à frente Alan Ruiz fazia figura de corpo presente.

Alex Caparros/Getty

Na 1.ª parte o jogo fez-se, portanto, muito a meio-campo, um meio-campo quase tão congestionado quanto o tatuadíssimo braço esquerdo de Aleix Vidal. Só as arrancadas de Denis Suarez davam algum entusiasmo ao encontro, com os dois momentos mais perigosos a pertencerem ao Barcelona: aos 20 minutos André Gomes rematou ligeiramente ao lado e quatro minutos depois Patrício fez a primeira grande defesa da noite, ao sair bem a um remate de Luis Suarez, que havia ficado isolado após fazer uma subtil maldade ao compenheiro de seleção Coates.

O desaparecimento de Alan Ruiz não passou despercebido a Jorge Jesus, que logo ao intervalo colocou em campo Bas Dost e Gelson, para os lugares do argentino e de Ristovski. E ainda que o sistema não tenha mudado tanto assim, o Sporting deixou de jogar râguebi para passar ao futebol americano, tendo em Gelson Martins um receiver de elite e no avançado holandês uma presença no ataque (e por ataque não digo área) que rapidamente fez as peças mexerem-se com muito mais fluidez.

Mas com mais ou menos titulares, Barcelona é Barcelona e na melhor altura do Sporting, um raro erro de marcação num canto permitiu a Paco Alcácer marcar o primeiro para a equipa da casa, aos 59 minutos, isto numa altura em que Lionel Messi já esperava na linha lateral para entrar.

Com Messi em campo, o jogo ganhou espaços e velocidade: foi bom para o Barcelona e para o Sporting, enfim, digamos que foi bom para o futebol, porque o jogo amarrado da 1.ª parte acabou logo ali. De tal forma que foi já com o Baixinho em campo que o Sporting teve duas oportunidades flagrantes. Logo a seguir ao golo, Gelson cruzou na direita e Bas Dost, sozinho, rematou para a defesa milagrosa de Cillessen, que teve até direito a abraço de raiva por parte do seu colega na seleção holandesa.

JOSEP LAGO/Getty

E já depois de Rui Patrício mostrar em Camp Nou que é um dos melhores do Mundo (defesa de classe a um remate de classe de Messi, aos 82 minutos), o holandês voltou a desperdiçar, desta vez depois de um cruzamento de Coentrão: não acertou bem na bola, que saiu por cima da baliza do Barcelona.

Numa altura em que as duas equipas já sabiam a sua sentença, haveria de surgir o auto-golo de Mathieu, que acabou por cortar com a pior direção possível um cruzamento de Denis Suarez que ia direitinho para Paco Alcacer.

Quando se é eliminado de uma competição não há vitórias morais. E esta terça-feira o Sporting perdeu porque as mudanças da 1.ª parte não resultaram e porque falhou defensivamente em dois lances. Mas ninguém poderá acusar Jesus se não ter tentado desafiar as probabilidades. E logo frente ao Barcelona, em Camp Nou.

O Sporting terá tido nesta edição da Champions provavelmente os melhores momentos exibicionais da época. Daí que a Liga Europa pareça quase um fraco consolo.

Mas bem, antes fraco que nenhum.