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Mathieu & Dost, sociedade em nome coletivo de distribuição de golos

O Sporting venceu o Boavista por 3-1 num jogo em que passou 45 minutos desaparecido, mas emendou a mão com uma 2.ª parte de grande nível e em que a colaboração entre o central francês e o avançado holandês deu frutos. O leão dorme líder isolado, à espera do resultado do V. Setúbal-FC Porto de domingo

Lídia Paralta Gomes

MIGUEL RIOPA/Getty

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Há clichés muito engraçados nisto do futebol. O meu preferido, confesso, é aquele da “divisão de pontos”, o que quer dizer, presumo eu, que cada equipa leva 1,5 pontos para casa. Outros há que não têm tanta piada, mas talvez assim o seja porque têm mais razão de existir.

Como o dos jogos que têm “duas partes distintas”.

Pois bem, o Sporting que este sábado foi ao sempre danado Estádio do Bessa ganhar por 3-1 merece o cliché do “duas partes distintas”.

Porque na 1.ª parte os leões foram uma equipa sem o controlo do meio-campo e, essencialmente, sem ideias para contrariar o coeso coletivo do Boavista. Talvez por Jorge Jesus ter optado por colocar Bruno Fernandes numa posição mais recuada, onde o internacional português claramente se sente menos à-vontade. E porque depois de ter levado com o baixinho de Barcelona, o baixinho do Bessa, Rochinha, também deu o seu trabalho.

Mas depois de ter marcado na última jogada da 1.ª parte, já três minutos depois dos 45’, na única jogada com pés e cabeça desde o início do jogo, o Sporting transfigurou-se. O golo de Fábio Coentrão, o primeiro do defesa-esquerdo com a camisola do Sporting, a responder com um mergulho de golfinho a um cruzamento de Daniel Podence, que pelo caminho trocou não sei quantas vezes as voltas a Talocha com um par de fintas desconcertantes, teve o condão de soltar o leão, que na 2.ª parte apareceu mandão, no controlo.

Não será alheio o facto de durante a 2.ª parte Jesus ter lançado Battaglia e Acuña, deixando Bruno Fernandes na posição que mais gosta e onde é mais preponderante no jogo, algures entre o 10 e o apoio a Bas Dost.

Fábio Coentrão estreou-se a marcar com a camisola do Sporting

Fábio Coentrão estreou-se a marcar com a camisola do Sporting

MIGUEL RIOPA/Getty

E nem o facto de se ter formado uma meio improvável sociedade empresarial que deu muito e bom lucro ao Sporting em duas situações de bola parada: Mathieu a distribuir, Bas Dost a marcar. O primeiro sucesso comercial da dupla chegou aos 63 minutos, depois de um canto na esquerda de Acuña. Mathieu fugir a toda a gente, cabeceou e a bola foi bater no poste mais afastado da baliza de Vagner. E perante a oferta, Bas Dost estava lá para a emenda.

Entrou-se então numa fase um pouco desvairada da partida, na medida em que nas duas jogadas seguintes houve dois golos, um para cada lado. Primeiro o Boavista, que aproveitou um momento de demasiada confiança de Coates: o uruguaio tentou sair a jogar, Rochinha roubou-lhe a bola, deu para Vítor Bruno e este cruzou imediatamente para Mateus, que reduziu para 2-1.

Parecia relançado o jogo, mas os contributos da dupla Mathieu & Dost para o coletivo ainda não tinham terminado. Na reposição de bola, há falta, livre perigoso na lateral. Lançada a bola, Mathieu volta a ganhar a toda a gente de cabeça e coloca a bola para a entrada de Bas Dost, que teve de levantar bem o pé para rematar com força para o fundo da baliza de Vagner.

Vitória importante do Sporting, na ressaca de uma viagem a Camp Nou e depois de uma 1.ª parte muito complicada em que perdeu o duelo da estratégia frente a um Boavista que esta época já venceu o Benfica no Bessa.

Para já, dorme líder isolado, à espera do que se vai passar no jogo entre FC Porto e V. Setúbal.