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Fatura do Sporting com intermediários cresce 35%

De junho para setembro o montante que os leões tinham em comissões por pagar sobre transferências de jogadores cresceu. O saldo com outros clubes, no entanto, baixou

Miguel Prado

Bruno de Carvalho e Jorge Jesus na Academia do Sporting, em Alcochete

FRANCISCO LEONG/GETTY

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O Sporting tinha no final de setembro um encargo de 6,72 milhões de euros por liquidar em comissões para intermediários em negócios de compra e venda de passes de jogadores. É um montante 35% superior ao saldo que se verificava a 30 de junho (4,98 milhões).

Os números constam do relatório e contas que a Sporting Clube de Portugal Futebol SAD publicou esta segunda-feira na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), onde reporta um lucro de 24,7 milhões de euros no período de julho a setembro. Os ganhos do primeiro trimestre da época 2017/2018 caíram face aos 62,9 milhões de lucro no ano passado, devido, fundamentalmente, à queda no encaixe com a venda de jogadores.

No relatório e contas agora publicado o Sporting apresenta um saldo por liquidar com fornecedores externos no valor total de 16,5 milhões de euros, 21% acima do verificado em junho. Daquele montante há uma parcela de 9,8 milhões de euros não discriminados. Os restantes 6,7 milhões estão identificados e respeitam a empresários e empresas que participaram na aquisição de passes de futebolistas.

Recorde-se que o presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, foi uma das vozes mais críticas aos gastos dos clubes de futebol com intermediários. Em 2013, numa entrevista ao "Jornal de Negócios", o presidente dos leões foi contundente: "O Sporting pagava comissões de tudo! Se fazia compras ainda pagava adicionalmente uma comissão, se fazia vendas – e aí faz todo o sentido – pagava uma comissão, muitas vezes também poderia pagar uma comissão sobre os próprios ordenados. E é fácil perceber que essa é uma das causas que faz com que vários clubes estejam na situação financeira em que estão".

Há quase três meses o Sporting enviou à CMVM uma lista detalhada dos seus gastos com comissões nos negócios feitos durante o Verão, para recomposição do seu plantel para a presente temporada. Globalmente, essas transações implicaram comissões da ordem dos 8,5 milhões de euros.

Muitos dos negócios e comissões que surgem agora na lista de pagamentos a fazer (à data de 30 de setembro) já estavam referenciados na lista de transações reportada ao mercado a 21 de setembro.

Mathieu põe Team Spirit no topo da lista

O fornecedor que no final de setembro tinha o maior valor a receber do Sporting era a Team Spirit Football Consulting, empresa que intermediou a entrada de Jérémy Mathieu para os leões. O passe foi adquirido a custo zero, mas com uma comissão para a Team Spirit de 2 milhões de euros. Em setembro o Sporting tinha por pagar a esta empresa 1,22 milhões.

Mathieu chegou ao Sporting no início da época 2017/18

Mathieu chegou ao Sporting no início da época 2017/18

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

Há outros intermediários de relevo na lista de pagamentos a fornecedores do Sporting, como a Buttonpath, que em setembro tinha por receber 852 mil euros do Sporting, e que esteve envolvida nas saídas dos jogadores Rúben Semedo, Paulo Oliveira e Marvin Zeegelaar.

O terceiro intermediário na lista de pagamentos era Marcelo Simonian, com 800 mil euros por receber. Simonian participou na aquisição do passe de Marcos Acuña, a mais cara contratação do Sporting esta época (quase 10 milhões de euros). Estes 800 mil euros de comissão já haviam sido reportados à CMVM a 21 de setembro.

A lista de empresas fornecedoras de serviços nas contas do Sporting do primeiro trimestre incluem ainda a Pasqualin D'Amico Partners, LMP Bomore, Hency Trading Limited, For Gool, Gondry Financial Services, Laco Investments, Positionumber, Universal Management, Football Capital, Proeleven e Soccer Club Properties.

Entre os intermediários que deixaram de estar na lista de fornecedores dos leões está a Energy Soccer, empresa fundada por Alexandre Pinto da Costa, mas da qual o filho do presidente do Futebol Clube do Porto se desvinculou ainda em 2016, alienando a sua participação à empresa Pesarp.

Saldo com outros clubes recuou

Se os montantes a pagar a intermediários cresceram no primeiro trimestre da temporada 2017/2018, os encargos por saldar com clubes baixaram: caíram de 27,5 milhões de euros em junho para 20,8 milhões em setembro.

Neste capítulo, o maior credor do Sporting era a Sampdoria, que tinha 4,25 milhões de euros por receber, seguida do Racing Club, com 3,3 milhões a seu favor, e do Wolfsburg, com 2,5 milhões por receber.

Braga, Real Madrid, Estoril-Praia e Corinthians constam também da lista de outros clubes aos quais o Sporting ainda tinha pagamentos a realizar no final de setembro.