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Legalização das claques, recontagem dos títulos, fim de transmissões BTV: a resposta do Sporting às propostas do G-15

Num documento a que a Tribuna Expresso teve acesso, os leões respondem às medidas propostas pelo G-15 com alguns reparos e propõe outras medidas

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MANUEL DE ALMEIDA

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Os responsáveis do Sporting fizeram a revisão das propostas do G-15 para a próxima Assembleia Geral da Liga, a ter lugar a 29 de dezembro. Num documento a que a Tribuna Expresso teve acesso e a ser apresentado na tal AG, o SCP discute o VAR, o sorteio dos árbitros, os empréstimos e as sanções aos dirigentes que critiquem a arbitragem.

A Tribuna reproduz, aqui, algumas das medidas propostas pelo Sporting:

Artigo 37º Leis do Jogo

“Uniformização dos meios técnicos para o VAR.O Sporting é absolutamente a favor desta proposta, como já tínhamos aliás frisado por diversas vezes. Entendemos, porém, que se deve ir ainda mais longe, proibindo em definitivo que os canais de Clube possam produzir ou realizar as transmissões dos seus jogos em competições em que o VAR esteja presente, recorrendo às imagens que lhe chegam via operador televisivo. Obviamente que o que aqui está em causa são os critérios de realização, que implicam repetições, ângulos de câmara, linhas de fora de jogo, etc..

Uma vez que a base para esta uniformização é a igualdade de condições para todos, é um contrassenso manter aberta esta possibilidade.

Assim sendo, os meios utilizados pelo operador devem obedecer a um plano mínimo de câmaras obrigatório, igual em todos os jogos e em todos os estádios, sem prejuízo de este poder ser aumentado desde que se mantenham os critérios de igualdade em jogos futuros.

Como é óbvio no dia em que o VAR chegar à segunda Liga, também nós, na Sporting TV, deixaremos de produzir e realizar as transmissões dos jogos da equipa B. Ou seja, esta regra é para ser aplicada, independentemente do Clube e a bem da verdade desportiva.”

Por outras palavras, o Sporting pede que a Benfica TV deixe de transmitir nos jogos do campeonato.

Artigo 78º Cedências Temporárias

“O Sporting CP propõe que sejam salvaguardados dois aspectos:

a) A abertura para que os clubes contratantes estipulem a possibilidade de cessação antecipada da cedência temporária na janela de transferências de Janeiro.

b) A clarificação de que as limitações introduzidas se referem ao número de cedências vigentes em cada momento, ou seja, que se uma cedência cessar por qualquer motivo a mesma deixe de contar para o limite a que tanto o clube cedente como o cessionário estão sujeitos.”

Artigo 39º Suspensão de Dirigentes e Delegados

Só aceitamos que os castigos de suspensão produzam efeitos no âmbito da organização das competições desportivas, o mesmo é dizer, nos exactos termos em que foi feita a clarificação relativa ao perímetro sancionatório.

É, também, totalmente inaceitável para o Sporting CP, a proposta que visa impedir os dirigentes suspensos de entrarem nos estádios de futebol.

Trata-se, aliás, de uma proposta que é materialmente impossível de implementar. Os próprios clubes não podem impedir o acesso de pessoas aos recintos desportivos – que são sua propriedade –, e que nos obrigam, muitas vezes, a pagar multas pesadas por causa do seu mau comportamento, sem que haja ordem de tribunal. Assim sendo, não podem ser agora os clubes ou o Conselho de Disciplina a arvorar-se em autoridades policiais ou judiciais, sendo-lhes atribuído um poder desmesurado que, manifestamente, não podem ter”.

Artigo 67º declarações sobre arbitragem antes dos jogos

Aquilo que é proposto é que os clubes percam pontos em caso de declarações que ponham em causa a imparcialidade ou competência dos árbitros. Isto é inaceitável.

Esta forma de sanção nunca pode derivar de questões relacionadas com matérias de opinião, por mais graves que elas sejam”.

Para o fim, no mesmo documento, o Sporting propõe outras medidas:

Reconhecimento dos títulos do Campeonato de Portugal como títulos de Campeão Nacional de Futebol. Do que se trata é do respeito pelos clubes, por milhões de adeptos dos clubes, por centenas de atletas e treinadores e dirigentes dos clubes, pela memória e pela história centenária do futebol português que não pode comemorar 100 anos de Campeonatos Nacionais contabilizando apenas 83. Esta é uma realidade que afecta todos os clubes na sua generalidade e, em particular, o Sporting CP, o FC Porto, o SL Benfica, o Belenenses, o Marítimo, o Olhanense e o Carcavelinhos/Atlético Clube de Portugal.

Legalização das Claques. Os Clubes não podem continuar a permitir que a lei contra a violência no desporto não seja cumprida. Desse modo, o Sporting CP propõe que a legalização e reconhecimento dos Grupos Organizados de Adeptos seja obrigatória e que, os clubes que o não façam sejam absolutamente proibidos da prestação de qualquer espécie de apoio, directo ou indirecto, às claques que queiram manter-se na ilegalidade. O incumprimento desta norma deve ser punido, numa primeira transgressão, com a interdição do respectivo estádio de 3 a 10 jogos e, em caso de reincidência, a dimensão da pena passa para o dobro, isto é, de 6 a 20 jogos”.