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A crónica de um jogo em que o Sporting andou sempre a brincar com o fogo

No derradeiro jogo da fase de grupos da Taça da Liga, o Sporting não jogou bem, arriscou-se e não foi além de um empate (1-1) frente ao Belenenses. O resultado foi suficiente para os leões garantirem um lugar na final four da competição, mas Jesus não deve ter gostado

Lídia Paralta Gomes

MIGUEL A. LOPES/Lusa

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O jogo anterior do Sporting para a Taça a Liga tinha mostrado bem o que é que os leões querem desta competição. Frente ao U. Madeira, equipa em dificuldades na 2.ª Liga, Jesus jogou com tudo, com os melhores e com os melhores em grande forma. A vitória por 6-0 deixou o Sporting à vontade no goal average, mas ainda assim com a obrigação de jogar para ganhar no derradeiro jogo da fase de grupos, sob pena de ser surpreendido quer por Marítimo ou pelo Belenenses, o tal último adversário.

Pois bem, frente ao do Restelo, não é que Jesus não estivesse avisado e daí justificar-se um onze em que só faltava Gelson entre os indiscutíveis. De resto, estavam lá todos, desde os centrais Mathieu e Coates, a William no meio e Bruno Fernandes a servir Bas Dost. Porque há menos de um mês, num jogo a contar para o campeonato, o Belenenses foi a Alvalade e foi um ai-jesus (no pun intended): o Sporting venceu por 1-0, com um golo de penalti e na 2.ª parte sofreu a bom sofrer com a reação que Domingos na altura chamou de “cheirete”, tal foram as dificuldades do leão.

E a tarde/noite desta sexta-feira, último dia útil do ano da graça de 2017, mostrou que aquele Belenenses de há um mês não era só fogo de artifício. Em Belém, o Sporting teve muitas dificuldades, jogou pouco, ou muito menos do que o que nos tem habituado e o empate 1-1 acaba por ser uma fotografia da pálida imagem da equipa de Jesus, que não terá ficado nada satisfeito com o que viu e nem o réveillon parece ser desculpa.

A 1.ª parte, apesar de aberta, não foi exatamente interessante, ainda que tenha ficado na retina a pressão alta do Belenenses e a incapacidade do Sporting de criar perigo, de se desenvencilhar daquela teia tecida pela equipa da casa.

Ainda assim, o único momento de perigo foi cortesia dos leões, num remate cruzado de Acuña aos 14 minutos, ainda antes da linha da grande área, que Filipe Mendes afastou bem. De resto, foram 45 minutos de bola cá, bola lá, mas tudo muito inconsequente, tudo muito desinteressante. Talvez o resultado que chegava da Madeira tolhesse o Sporting naquele marasmo: com o U. Madeira a vencer o Marítimo (o Marítimo até acabou por ganhar, mas nem consequências), bastava à equipa de Alvalade aguentar o empate, com todos os perigos que isso acarretava.

Ainda deu para sofrer no Restelo

Ainda deu para sofrer no Restelo

MIGUEL A. LOPES/LUSA

Na 2.ª parte, a coisa agitou un petit peu, mas não muito, pelo menos até aos últimos 15 minutos. Até lá, a grande oportunidade foi do Belenenses, com Maurides a fazer um Bryan Ruiz cinco minutos após o reatar da partida. Na melhor jogada do Belenenses em todo o jogo, Fredy cruzou na direita para o brasileiro, sozinho e sem qualquer pressão ou marcação, rematar por cima.

Do lado do Sporting, só um par de remates mais afoitos, primeiro por Mathieu, num livre direto aos 58 minutos, que passou bem perto do poste esquerdo de Filipe Mendes, e 10 minutos depois foi Bruno Fernandes a tentar a sua sorte de longe.

Foi precisamente aos 75 minutos que a coisa desbloqueou e logo em torrente, como que a avisar-nos que de um momento para o outro tudo muda, na vida ou no futebol. Primeiro foi o Sporting a marcar, num atípico golo do meio da rua de Acuña de pé direito, aquele pé que normalmente lhe está menos à mão. Golo que os leões nem sequer tiveram tempo de festejar, na medida em que na jogada seguinte Rui Patrício e Coates não comunicaram e um cruzamento aparentemente inofensivo de Florent acabou dentro da baliza do Sporting, após um incauto corte em carrinho do central uruguaio.

Com o jogo empatado, com um golo para cada lado, era cada vez mais notório que o Sporting estava a brincar com o fogo, num jogo que decidia o futuro numa competição em que os leões, pelos vistos, têm muitas pretensões. Até ao final, nenhuma equipa conseguiu pegar no jogo que, por isso, ficou perigoso para o Sporting: um golo para o Belenenses dava a qualificação à equipa de Domingos Paciência, que tentou chegar à baliza de Rui Patrício, mas contou também com a boa oposição de Mathieu, um dos melhores, senão o melhor em campo entre os verdes e brancos, num jogo em que gente do calibre de Bas Dost ou Gelson esteve desaparecida em combate.

Apesar de tudo, os leões não acabaram queimados e o empate leva-os direitinhos para a final four da competição, que resolve-se já no próximo mês, em Braga. Mas lá, um jogo como este talvez não chegue para levantar o caneco.