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Cinco golos, um hat-trick, uma reabilitação ou a crónica de uma vitória terapêutica do Sporting

Depois do jogo amorfo na Luz, o Sporting também não arrancou com energia desmedida para o encontro deste domingo com o Marítimo. Tudo mudaria na 2.ª parte, em que Bryan Ruiz voltou a marcar e Bas Dost completou o que já havia começado nos primeiros 45 minutos. Acuña fixou o 5-0 com que o Sporting carimbou a 13.ª vitória de época

Lídia Paralta Gomes

Três golos e muitos abraços de Bas Dost: a cura para voltar às vitórias

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

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Às tantas, a história do Sporting-Marítimo parecia ser a simples história da vitória de uma equipa que foi melhor do que a outra. A história de uma equipa que jogou quanto baste, que marcou o seu golito, não permitiu ao adversário marcar o seu, que fechou as contas, com eficácia olímpica, como um bom contabilista de uma qualquer repartição pública em que se trabalha das 9h às 17h e em que à porta de saída se recebem os três pontos.

Parecia. Até que começaram, digamos, a acontecer coisas.

Aconteceu, por exemplo, que Bryan Ruiz, que ainda há pouco mais de um mês era um proscrito que se treinava à parte em Alcochete, voltou a marcar. Praticamente 11 meses depois do seu último golo com a camisola do Sporting e no seu regresso à titularidade em jogos para o campeonato.

Aconteceu que o mesmo costa-riquenho, cuja tal titularidade mereceu muitos esgares de desconfiança, saiu a meio da 2.ª parte aplaudido pelo seu estádio, no que parece ser uma fascinante história de reabilitação em tempo recorde.

E depois aconteceu Bas Dost. Ele até já tinha marcado o primeiro golo do jogo, ainda na 1.ª parte, num daqueles golos aos quais já se convencionou chamar “Golo à Bas Dost”: passe na profundidade de Coates, receção e rápido cruzamento de Gelson Martins e finalização à boca da baliza do holandês. Tudo isto de simples.

Não seria o único “Golo à Bas Dost” da noite. Na 2.ª parte, uns segundos 45 minutos em que a partir de certo momento o Sporting deixou de querer uma vitória quanto baste, o leão acelerou e o holandês haveria de marcar mais duas vezes, já depois da reabilitação de Bryan Ruiz.

Marcou aos 74’, depois de Bruno Fernandes cruzar uma bola por baixo das pernas de Charles. E marcou aos 78’, com Bruno Fernandes mais uma vez na jogada. O médio português, que andou a 2.ª parte toda à procura do seu golito, rematou fortíssimo à entrada da área, Charles defendeu em esforço, mas o ressalto foi parar direitinho à cabeça de Bas Dost, como se o corpo do holandês tivesse uma espécie de campo magnético que atrai todas as bolas que têm ar de poder dar golo.

Três “Golos à Bas Dost” e o 6.º hat-trick do ponta de lança holandês desde que chegou ao Sporting.

Bryan Ruiz voltou a marcar quase 11 meses depois

Bryan Ruiz voltou a marcar quase 11 meses depois

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

E do nada, depois de uma 1.ª parte em que o Sporting controlou, marcou um golo e jogou bem mas não extremamente bem, depois de uma 1.ª parte que transpirava um jogo sem história, uma vitória tranquila, três pontos simples, um triunfo daqueles que costumamos dizer que - e que paradoxo - não há nada a dizer, do nada apareceu esse Sporting monster truck, que alia velocidade a poder de fogo, que passa por cima de toda a folha, que sufoca o adversário, que pressiona-o até o quebrar, como aconteceu com o Marítimo, que ainda havia de sofrer mais um, a poucos segundos do final do encontro, quando Acuña aproveitou mais um remate forte de Bruno Fernandes para fazer a emenda.

Do nada apareceu esse Sporting que mete medo, que não quer só ganhar, que quer destruir. O Sporting que, por exemplo, não apareceu na Luz, na última quarta-feira. Aí o Sporting foi estratega, encolheu-se e ia correndo mal.

Sendo assim e assim sendo, um hat-trick, uma reabilitação, um passamento a ferro dos antigos, com um 5-0 frente a uma equipa que é 5.ª classificada no campeonato, depois de um empate amorfo frente a um rival direto: a isto eu chamo uma vitória terapêutica.