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Não há Bas Dost? Há Mathieu a dar a liderança ao Sporting

Defesa francês fez de ponta de lança e marcou o golo que aos 84 minutos deu uma vitória muito suada ao Sporting, que jogou praticamente 45 minutos sem o abano de família Bas Dost. O Vitória de Guimarães vendeu muito cara a derrota que coloca os leões no primeiro lugar do campeonato

Tiago Oliveira

Patrícia de Melo Moreira

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No que toca a trios, há duas correntes de pensamento. Uma que defende que não há duas sem três. A outra não tem dúvidas que à terceira é de vez. Após os dois empates de Benfica e FC Porto na luta pela liderança, que doutrina iria prevalecer, terão perguntado alguns sportinguistas? Durante muito tempo pareceu que a primeira ia sair vencedora, só que Mathieu fez orellhas moucas e deu razão aos adeptos da segunda ao marcar o golo que aos 84 minutos deu a vitória por 1-0 do Sporting frente ao Vitória de Guimarães e a liderança do campeonato à condição.

Se há resultados de 1-0 que são enganadores pelo domínio mais expressivo da equipa vencedora não concretizado em golos, este não foi exatamente um desses casos. Foi um resultado arrancado a ferros pelos leões que, sobretudo nos primeiros 60 minutos, tiveram pouca bola, poucas oportunidades e poucas situações. E, a partir dos 47 minutos, não tiveram o matador Bas Dost. Mas esta equipa de Jorge Jesus já provou várias vezes ao longo da época que consegue fazer limonada com poucos limões. E hoje não foi exceção, a não ser pelo herói improvável.

O seu pé é esquerdo e o seu nome é Mathieu. Defesa no papel, ganhou hoje mais uma nota de distinção na comissão de serviço que veio fazer a Portugal, ao aliar a segurança na retaguarda com o papel decisivo na frente. Foi o que aconteceu quando o desespero parecia que estava prestes a toldar os jogadores da casa. Até que aos 84 minutos Acuña, um dos melhores em campo, fugiu pela esquerda e cruzou sem mácula para o francês bater (ao seu estilo) em jeito, sem deixar a bola cair, para o fundo das redes e para o delírio em Alvalade.

Que durante grande parte do jogo pareceu que ia ser só frustração, se não mesmo desilusão. Muito por mérito do Vitória de Guimarães, que guardou uma das melhores exibições de um campeonato muito irregular para Alavalade. Com o já sportinguista Raphinha no onze, os comandados de Pedro Martins entraram de forma personalizada e fizeram um primeiro tempo de grande nível, com grande segurança defensiva e saídas perigosas para a área adversária. Tiveram mesmo a principal oportunidade de golo nesta fase, com João Aurélio a obrigar Rui Patrício a uma defesa apertada aos 13 minutos, ao passo que Raphinha e Hurtado foram-se destacando pelas ações individuais.

Dizer que o 0-0 ao intervalo seria desadequado só poderia ser injusto para os vimaranenses. Porque do outro lado viu-se um Sporting muito apático, a não dar sinais de boost anímico após a vitória na Taça da Liga e a dar mostras de pernas cansadas da sequência apertada de jogos e do triunfo na Taça. Jorge Jesus promoveu a entrada de Ristovski e Battaglia relativamente ao onze mais utilizado e se o lateral ainda foi um dos principais agitadores da equipa, o médio argentino voltou a ver-se pouco. Em abono da verdade, em sintonia com a maior parte dos colegas, a falharem muitos passes e com um jogo algo desconexo.

Quebrar o cerco

E o início da segunda parte não parecia trazer melhores notícias ao Sporting. Já com Montero no lugar de Rúben Ribeiro, Bas Dost não recuperou das queixas do final do primeiro tempo e teve que sair perante a apreensão de Alvalade e a entrada do pouco utilizado Doumbia. Coube ao costa-marfinense permitir a defesa de Douglas na primeira grande oportunidade de golo dos leões. O relógio marcava 58 minutos e o momento pareceu mexer com as duas equipas. Se o Sporting pareceu acreditar que era possível entra de outra forma na área contrária, o Vitória de Guimarães foi gradualmente descendo linhas com consequente perda de qualidade no jogo.

Montou-se então o assalto ao castelo vimaranense, com Douglas a destacar-se e Acuña (sempre ele) a conduzir muito jogo, com Mathieu a recuperar bolas e a construir cada vez mais adiantado. Bruno César foi a última cartada do técnico leonino, a substituir Battaglia, e seria mesmo o Chuta Chuta a estar a centímetros de inaugurar o marcador com um remate ao poste aos 73 minutos. O cerco adensava-se e Acuña quase dava o golpe, com um quase golo de bandeira num remate todo no ar à meia volta fora da área, que só o guardião brasileiro evitou com uma grande defesa aos 83 minutos.

O golo adivinhava-se e não foi preciso esperar muito mais para que Mathieu desse corpo à subida gradual no terreno para marcar à ponta de lança, sem deixar nada a dever a Bas Dost, e a deixar Douglas pregado ao chão. 1-0 e tropas finalmente dentro do castelo, que não mais pareceu ter capacidade nem tempo para dar o contra golpe. Vitória suada do Sporting a coroar o nono triunfo seguido em casa e o sétimo em Alvalade sem sofrer golos. Até ver, vale a liderança isolada, ainda à condição enquanto o FC Porto não completa os 45 minutos que faltam contra o Estoril. Já não é pouco.