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Início abaixo de zero, segunda parte a ferver

Na gélida Astana, o Sporting entrou mal, muito mal nesta 1.ª mão dos 16 avos de final da Liga Europa. Mas surgiu revigorado após o intervalo e em apenas e só 10 minutos deu a volta à eliminatória. O 3-1 com que os leões vão receber os cazaques em Lisboa parecem suficientes para pensar já nos 'oitavos'

Lídia Paralta Gomes

Alexei Filippov/Reuters

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De Lisboa a Astana são quase sete mil quilómetros e, por estes dias, uns bons 35 graus de diferença. É muita amplitude, tanta quanta pudemos vislumbrar no Sporting que na tarde desta quinta-feira se apresentou na gélida capital do Cazaquistão. Um Sporting em tons Jekyll e Hyde, Yin e Yang, num jogo em que começou a jogar abaixo de zero - talvez em homenagem aos 20 graus negativos que se faziam sentir no exterior da Arena Astana - e acabou com um leão a ferver. O 3-1 com que o Sporting faz a longa viagem de regresso a Portugal é um belo avanço para garantir em Alvalade a passagem aos oitavos-de-final da Liga Europa.

Um resultado que ficou feito após uma entrada fulgurante do leão na 2.ª parte, com três golos em 10 minutos, depois de uns primeiro 45 minutos em que a equipa portuguesa parecia estar ainda em trânsito, frente a um adversário que não competia de forma oficial há dois meses.

Desculpas há muitas, o cansaço da viagem, o sintético, os zero graus que estavam dentro da supostamente climatizada Arena Astana, mas nada justificará uma entrada tão fria do Sporting, que aos 7 minutos já estava a perder, após uma falha de concentração da defesa, apanhada em contrapé depois de uma livre longo de Kleinheisler. Ainda bem antes do meio-campo, o húngaro viu Tomasov a fugir e colocou-lhe a bola, que voou como um avião de papel bem construído. Na área do Sporting, Tomasov recebeu em esforço, mas bem o suficiente para logo rematar de pé esquerdo. Rui Patrício, em dia de 30.º aniversário, ainda se lançou, mas a verdade é que nada podia fazer.

Sem reação face a tão inesperado e prematuro infortúnio, o Sporting teve grandes dificuldades em encontrar, pelo menos, alguma estabilidade emocional. Durante largos minutos, não conseguia passar do seu meio-campo, sucumbia com dificuldade à pressão alta do Astana. Quando tinha a bola, não conseguia criar uma linha de passe, uma jogada com princípio, meio e fim.

Só a partir dos 20 minutos houve algum Sporting, com Bruno Fernandes a tentar de longe, mas com o Astana a criar mais perigo nas vezes em que chegava perto de Rui Patrício. Primeiro por Maewski e depois numa dupla oportunidade que teve como resposta duplo salvamento do guardião do Sporting: aos 32 minutos, Twumasi rematou potente e na recarga, com a defesa dos leões a dormir, o remate de Despotovic também embateu nas luvas do capitão leonino.

STANISLAV FILIPPOV/Getty

Apesar do nervosismo e posterior apatia que pautaram a 1.ª parte do Sporting, os leões até podiam ter marcado antes do intervalo. Doumbia colocou a bola na baliza do Astana após um primeiro cabeceamento de Coates, mas a equipa de arbitragem encontrou um fora de jogo que mais ninguém terá visto, tornando o costa-marfinense numa espécie de especialista em golos anulados-que-não-deviam-ser-anulados.

A reviravolta

O golo anulado sabe-se lá porquê parece ter sido uma espécie de catalisador para o Sporting. Apesar da má 1.ª parte, e ao contrário do que fez em jogos anteriores, Jesus não fez alterações na equipa que entrou em campo para o 2.º tempo.

E em menos de nada a confiança do treinador foi recompensada. A equipa começou a jogar com processos mais simples e mais eficazes e logo aos 48 minutos, através de grande penalidade, Bruno Fernandes empatou. Dois minutos depois deu-se a virada, após uma jogada vistosa de Acuña, que com um conjunto de dribles e chapéus de calcanhar (sim, chapéus de calcanhar) deu cabo do corredor esquerdo do Astana e depois cruzou perfeito para o poste mais longínquo, onde apareceu Gelson que, com um remate cruzado, fez o 2-1 para o Sporting.

Não tardou o terceiro: aos 55’, finalmente um golo a contar para Doumbia, num contra-ataque muito eficaz que terminou com Bruno Fernandes a cruzar para o avançado, completamente sozinho, encostar para a baliza.

A partir daí, foi controlar. Jesus colocou Battaglia para dar músculo ao meio-campo e a expulsão de Logvinenko veio deitar por terra qualquer perigo que os cazaques pudessem causar, ainda que a equipa da casa ainda tenha rematado ao poste aos 89 minutos.

Quanto ao Sporting, teve também um par de ocasiões para aumentar a vantagem, mas o 3-1 deixará Jesus descansado para a 2.ª mão em Lisboa.

Neste primeiro jogo da eliminatória, o Sporting teve o mérito de descongelar um jogo em que nos primeiros minutos foi surpreendido. Foi só dar um pouquinho de calor ao motor.