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Bruno de Carvalho quer que os sportinguistas deixem de comprar jornais desportivos e de ver televisão em Portugal

No final da Assembleia Geral do Sporting, em que os sócios aprovaram a alteração dos estatutos, o novo regulamento disciplinar e a continuação dos órgãos sociais, Bruno de Carvalho pediu "aos sportinguistas para se mobilizarem naquilo que é a militância". Depois, o presidente explicou, em três pontos, aquilo em que precisa que os adeptos se foquem para ele se focar no que é fundamental: não comprarem "nem mais um jornal desportivo", deixarem de ver televisão (exceto a Sporting TV) e que os sportinguistas deixem de ir falar a programas de comentário sobre futebol

Expresso

Bruno de Carvalho é presidente do Sporting desde 2013

José Carlos Carvalho

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Exaltado, com a voz num tom elevado e a esbracejar, constantemente. No final da Assembleia Geral do Sporting que, este sábado, se realizou para reforçar e legitimar os órgãos sociais do clube, além de aprovar as alterações aos estatutos e o novo regulamento disciplinar, foi assim que Bruno de Carvalho subiu ao púlpito para se dirigir aos sócios e sportinguistas.

E o presidente do Sporting, após as propostas passarem, respetivamente, com uma taxa de aprovação de 86,38%, 87% e 89,55%, disse aos adeptos do clube - que estimou em "três milhões e tal de pessoas" - que "terão de se mobilizar naquilo que é a militância" para ele deixar de fazer algumas coisas que têm feito, como publicar mensagens na sua conta de Facebook, por exemplo.

Bruno de Carvalho resumiu essa militância em três pontos: que os adeptos deixam de comprar jornais desportivos (e o Correio da Manhã), que deixem de ver televisão em Portugal (a não ser a Sporting TV) e que nenhum sportinguista aceite participar em programas de comentário televisivo sobre futebol. Só assim, defendeu, "poderão ser diferentes" e ser respeitados, "porque terão três milhões e tal de pessoas que não lhes vão ligar pevides".

Em baixo fica transcrito grande parte do discurso de Bruno de Carvalho, um discurso após o qual houve alguns relatos, citados na SIC Notícias, de alguns jornalistas a serem alvo de insultos e tentativas de agressão à porta do Pavilhão João Rocha, onde decorreu a Assembleia Geral.

ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

"Hoje foi a prova que estamos com um Sporting Clube de Portugal pujante e vivo. Que não há volta atrás. Que fique claro que não há grupos, nem grupinhos, há órgãos sociais que têm a honra de vos servir. Que fiquem desenganados os nossos rivais, podem por todos os e-mails sobre o Sporting, nunca seremos como eles são.

Já tinha dito isto na sessão de esclarecimentos. Para mim, naquele dia, acabou o assunto dos sportinguistas e dos sportinguistas aziados. Somos sportinguistas e hoje fica provado que a maioria sileciosa passou a ser a maioria ruidosa - e isso é o Sporting!

Vocês, de maneira geral, pediram que fizesse alterações. Certo, estou nessa disposição. Mas, para as fazer - expor-me menos, estar menos no Facebook -, os sportinguistas terão de se mobilizar naquilo que é a militância e vou explicar o que é.

Ponto número um para que o presidente se possa focar no que são os problemas essenciais, e isto é fundamental para os sportinguitas perceberam que só com esta força vamos ultrapassar as barreira que nos põem à frente: a partir de hoje, não comprarmos nem mais um jornal desportivo. É lógico que incluo aquele jornal magnífico que se chama Correio da Manhã.

Segundo ponto: não vejam nenhum canal português de televisão. A não ser o do Sporting, como é óbvio.

Terceiro ponto: todos, mas todos, os comentadores afetos ao Sporting que abandonem de imediato os programas [televisivos]. E que nenhum sportinguista mais aceite, porque é uma vergonha e não podemos estar mais ao lado daquela gente. A partir daí, desaparecem os meus posts. Chega de programas de televisão, destes programas que é só difamar e caluniar. Que nenhum sportinguista aceite mais ser representante em nenhum canal que não seja a Sporting TV. Só assim poderemos ser diferentes.

Quando cumprirem estes pontos, a comunicação social vai olhar para nós de outra forma. Vão ter de alterar. Porque terão três milhões e tal de pessoas que não lhes vão ligar pevides. Não me peçam para me alterar quando é muito mais pornográfico estarem esse tipo de jornais em instituições ligadas ao Sporting Clube de Portugal. A partir desse momento ficarão a falar sozinhos, até ao dia em que nos respeitarem.

Para que fique claro: não comprem mais jornais, não vejam televisão portuguesa sem ser a Sporting TV e os comentadores abandonem, de imediato, aquela vergonha de cartilheiros e paineleiros.

Quanto aos resultados, uma coisa vos garanto. Não tenham dúvida que hoje sabemos interpretar os resultados. Foi-nos acrescida ainda mais responsabilidade e posso-vos prometer que a vossa confiança será retribuída com esforço, dedicação, paixão, compromisso, devoção e glória."