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Há sempre lugar para a emoção. É só Bruno querer

Apesar do empate (3-3), a eliminatória entre Sporting e Astana nunca esteve em perigo para os leões. E quando o jogo parecia entrar naquele marasmo típico das coisas que já estão resolvidas, foi Bruno Fernandes e um dos seus mísseis a fazer valer a tarde em Alvalade. A equipa de Alvalade está nos oitavos-de-final da Liga Europa

Lídia Paralta Gomes

Gualter Fatia/Getty

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Há jogos que existem porque tem de ser. Não é que um 3-1 seja um resultado que feche uma eliminatória, mas a diferença entre Astana e Sporting pareceu tal há uma semana, que só uma catástrofe tiraria o Sporting dos oitavos-de-final da Liga Europa.

Jesus fez questão de nos dizer que achava o mesmo ao apresentar um onze, digamos, alternativo, onde conviviam titulares absolutos (Patrício, Coentrão, Mathieu, Bruno Fernandes e Bas Dost), com jogadores que vão alternando entre o banco e os titulares (Ristovski, André Pinto, Battaglia, Rúben Ribeiro e Bryan Ruiz), até àqueles que vão alternando entre o banco e a bancada (Palhinha).

Alvalade também: talvez por a coisa estar mais ou menos encaminhada e por estarmos a falar de um jogo às 18 horas de um dia da semana, as bancadas estavam mais ou menos a metade da capacidade, talvez um pouco mais.

Mas há jogos que existem porque tem de ser. E se tem de ser, é preciso jogar.

Não será por isso de espantar que este Sporting - Astana tenha sido jogado quase sempre a meio gás, pelo que o resultado final, um empate 3-3, seja até enganador: a verdade é que a eliminatória nunca esteve em perigo para a equipa portuguesa (o golo do empate do Astana surgiu na última jogada do encontro) e se houve alguma emoção, ela aconteceu porque Bruno Fernandes é um tipo que leva bastante jeito para a prática do futebol.

Porque estávamos já a meio da 2.ª parte, com 1-1 no marcador e uns quantos bocejos nas bancadas, quando o rapaz que se fez nos campos do Pasteleira e do Boavista antes de partir para Itália pegou na bola e chutou com tanta força quanto jeito. A bola saiu do pé, subiu, desceu de repente, sempre a fugir do guarda-redes e foi entrar no canto esquerdo da baliza do Astana.

Sabem aquela expressão “golo de levantar um estádio”? Foi feita para momentos destes. Bruno quis, Alvalade festejou, porque uma obra-prima nasceu.

Bruno Fernandes que ainda haveria de fazer o 3-1, antes do Sporting se deixar empatar, o que não deve ter agradado nada a Jesus mas que, em termos práticos, nada significou: a equipa de Alvalade segue em frente na Liga Europa e espera agora adversário para os oitavos-de-final.

Belos golos em Alvalade

Se o jogo não foi propriamente emocionante (tirando, claro, os momentos Bruno Fernandes) foi porque o Sporting tratou logo, e por logo leia-se na sua primeira jogada de ataque, de fechar a eliminatória. Talvez alertado pela bola que Twumasi, avançado do Astana, enviou ao poste logo ao primeiro minuto, seguiu-se um ataque rápido dos leões, com Fábio Coentrão a lançar Bryan Ruiz que cruzou para Bas Dost. Este, perante a pouca vontade dos defesas do Astana em fazer qualquer pressão, cabeceou tranquilamente para a baliza de Eric.

Feito o primeiro golo, o Sporting desacelerou. Talvez demasiado. Na 1.ª parte o Astana acabou por ser a equipa mais perigosa, com as mudanças de Jesus a fazerem-se sentir: se Ristovski teve dois ou três erros comprometedores, Rúben Ribeiro e Bryan Ruiz nunca tiveram a intensidade necessária para proteger as alas.

Bas Dost fez o primeiro golo do Sporting esta quinta-feira

Bas Dost fez o primeiro golo do Sporting esta quinta-feira

FRANCISCO LEONG/Getty

E com isso o Astana cresceu. Aos 36 minutos Despotovic enviou uma bola ao poste e um minuto depois surgiria mesmo o empate, com Tomasov a aproveitar uma saída mal calculada de Patrício num canto para na ressaca rematar em vólei para as redes do Sporting. Na altura do remate, três jogadores do Astana estavam em fora de jogo posicional, mas o árbitro não entendeu que a sua ação tivesse perturbado Patrício.

No 2.º tempo e descontente com a apatia do Sporting, Jesus lançou Acuña para o lugar de Rúben Ribeiro e o Sporting melhorou. Dez minutos depois do míssil teleguiado de Bruno Fernandes (aos 53’), os leões marcaram o terceiro, numa combinação entre Bas Dost e o médio internacional português. E voltaram a alhear-se do jogo.

Aproveitou o Astana para empatar com dois belos golos, com Twumasi e Shomko a quererem também dar um pouco de emoção a um jogo em que os cazaques pareceram condenados à partida. Aos 80’, o ganês aproveitou um corte involuntário de William para encher o pé de primeira e fazer o 3-2 e o 3-3 surgiu na última jogada do encontro, com Shomko a rematar cruzado após um canto, numa altura em que já estava tudo nem aí.

Pior que o empate, que é chato na medida em que são menos pontos para Portugal na UEFA e menos uns trocos nas contas do Sporting, poderá ser a lesão de Bas Dost, que acabou o jogo agarrado à coxa direita. Era o tipo de emoções que Jesus preferiria não ter.