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Só há amor com Bas Dost

O Sporting parecia estar em modo apático, como que a desistir do campeonato, até que o avançado holandês entrou e deu uma nova oportunidade à relação entre os leões e a Liga. A vitória por 2-1 em Chaves coloca a equipa de Alvalade a cinco pontos do topo da tabela e abre uma porta à esperança

Lídia Paralta Gomes

PEDRO SARMENTO COSTA/LUSA

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Há um antes e um depois do minuto 56 no Chaves-Sporting. Até esse momento, o Sporting era assim uma espécie de membro de casal de namoro com data de validade a expirar, sendo que nesta metáfora, o outro membro do casal é a Liga. A relação foi boa, chegou a ser muito bonita mas, alguns meses depois, o Sporting já não parecia assim tão interessado. Até porque lá fora, na Europa, o leão andava já a catrapiscar outra conquista.

Porque foi a pensar na Liga Europa que Jorge Jesus engendrou um onze de recurso, face a tantas ausências, fosse por lesão ou castigo. Não arriscando colocar Bas Dost de início, deixando Ristovski no banco para dar as laterais a Bruno César e Battaglia, oferecendo a titularidade no meio-campo a Misic. E durante 56 minutos, de facto, o Sporting esteve com a cabeça em outro sítio, na República Checa talvez, por achar que cá dentro as coisas estavam mais que condenadas.

Mas há sempre uma réstia de amor. E essa réstia, essa esperança, está na cabeça de um holandês de sorriso fácil e sempre de braços abertos para receber alguém contra o seu corpo com quase 200 centímetros de altura. Porque no Sporting, quando há Bas Dost, há sempre mais uma oportunidade.

Bas Dost entrou aos 56’ e a partir daí o Sporting deixou de se arrastar em iniciativas mais ou menos inconsequentes, ainda que a 1.ª parte em Trás-os-Montes não tenha sido desinteressante, com as duas equipas a tentarem o ataque, quase sempre em movimentos interiores que, no caso do Sporting, esbarraram quase sempre num passe errado ou num abismo entre as linhas.

Assim, da primeira parte contam-se duas oportunidades, uma para cada lado e até bem semelhantes. A primeira pela equipa da casa, aos 11 minutos, com Rui Patrício a fazer bem a mancha só com William à sua frente. E pouco depois da meia-hora foi Ricardo a ser quase tão grande quanto a sua baliza, salvando um remate de Gelson após uma má abordagem dupla de Nuno André Coelho: primeiro a não conseguir cortar o lance, depois a deixar o extremo do Sporting em jogo, no seguimento do mesmo.

Na 2.ª parte, o Sporting continuava na sua toada arrastada, de fim de relação com o campeonato, até que a entrada de Bas Dost veio dar a chama necessária para que o amor encontrasse o seu caminho. Seis minutos depois do holandês deixar o banco, um habitat que não lhe é nada natural, Rúben Ribeiro bailou na cara de Paulinho, uma, duas vezes e cruzou direitinho para a cabeça do holandês. O extremo português teve, claro, direito a um abraço apertado.

MANUEL FERNANDO ARAÚJO/LUSA

O jogo tornou-se, então, mais aberto. O Sporting tinha agora um alvo e Bryan Ruiz a conduzir o meio-campo. E o Chaves continuava perigoso no contra-ataque. Três minutos depois do primeiro de Bas Dost, Battaglia quase marcava (Bressan conseguiu interceptar a bola) e aos 78’ foi a vez do Chaves falhar o empate: Davidson fugiu a Battaglia após um passe longo, contornou Rui Patrício, com o argentino a recuperar e salvar o Sporting em cima da linha de golo.

Battaglia que seria mais uma vez protagonista ao construir boa parte daquele que viria a ser o segundo golo do Sporting, a quatro minutos dos 90'. A jogar na lateral-direita, o médio do Sporting percebeu as intenções de Platiny, seguiu-o que nem cão-pisteiro e no momento certo roubou a bola ao jogador do Chaves, recém-entrado no jogo. Depois foi só olhar para o lado, encontrar Bas Dost e dar-lhe a bola. A baliza estava deserta e o holandês bisou.

Já para lá dos 90', uma grande penalidade de Coates sobre Djavan e concretizada por Platiny veio trazer uns segundos finais de emoção, mas o derradeiro apito de Hugo Miguel confirmou uma vitória por 2-1 na qual a paixão de Bas Dost foi, mais uma vez, decisiva e que, mais importante ainda, coloca de novo o Sporting a sonhar com uma aproximação ao primeiro lugar, que está agora a cinco pontos, no reavivar de uma história que tem tido os seus altos e baixos.

Mas assim é o amor.