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Não temas a depressão de domingo à noite

Jorge Jesus preferia jogar na segunda-feira, mas o Sporting soube tornar a receção ao Rio Ave num tranquilo serão de domingo. Vitória por 2-0, com golos de Gelson Martins e Bas Dost, e quatro bolas aos ferros, num encontro que esteve quase sempre controlado pelos leões

Lídia Paralta Gomes

Carlos Costa/NurPhoto/Getty

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Quem é que nunca sentiu aquela ansiedade ao domingo à noite? Segunda-feira a aproximar-se, o regresso à realidade, em suma, o caos. Não sou eu que o digo, há bastante literatura sobre o assunto, teses universitárias e até guias que em vários passos nos ajudam a mitigar a depressão que chega com o domingo à noite.

Jorge Jesus também não estava nada feliz em jogar a um domingo à noite. Este domingo à noite em específico. Mas aqui a razão era outra e não do foro emocional: o Sporting jogou quinta-feira para a Liga Europa na República Checa e, com jogos da Seleção aí à porta, jogar na segunda-feira - aquele dia que os The Boomtown Rats também não gostam - não podia ser opção.

Mas, com mais ou menos dificuldades, Jesus não necessitou de temer a depressão de domingo à noite. O Sporting venceu por 2-0 o Rio Ave, sempre um adversário complicado, porque gosta de jogar bem, e podia até ter goleado, tivessem ido um tudo nada ao lado as quatro bolas que Fábio Coentrão e Bruno Fernandes irmãmente enviaram aos ferros.

Foi, portanto, uma noite tranquila para o Sporting, que soube marcar cedo na 1.ª parte e matar o jogo na 2.ª, numa altura em que o Rio Ave ameaçava crescer e tornar os últimos minutos num ai-jesus para o público de Alvalade.

Melhor a qualidade de jogo na 1.ª parte, principalmente após a primeira bola à barra do Sporting, cortesia de um daqueles livres diretos de Bruno Fernandes, aos 20 minutos. Até então, o Rio Ave jogava subido, a arriscar, com o Sporting a raramente conseguir aproveitar o espaço.

Mas não demorou muito mais o golo dos leões, quatro minutos, mais propriamente, uma bela jogada que começou num lesto apanha-bolas que permitiu uma reposição rápida de Piccini para Bruno Fernandes. Este cruzou de primeira para Bas Dost que, também de primeira, deu de calcanhar para Gelson Martins. E o extremo português tratou bem a bola: deu-lhe um primeiro carinho, depois fintou Marcão e por fim, sem grande piedade, rematou cruzado e colocado, enganando Cássio e a defesa do Rio Ave.

Foi já bem depois do Sporting enviar a bola número 2 ao ferro e bem depois da meia-hora de jogo que o Rio Ave criou perigo pela primeira vez, num remate de Yuri Ribeiro que desviou em Mathieu e ia traindo Patrício. O Sporting carregou então até ao intervalo: Cássio brilhou por duas vezes, evitando festejos de Bruno Fernandes e Battaglia, numa altura em que a dinâmica atacante do Sporting estava bem afinada.

JOSÉ SENA GOULÃO/EPA

Afrouxou o ritmo o Sporting na 2.ª parte, dando mais iniciativa a um Rio Ave que nunca conseguiu capitalizar o baixar de guarda leonino. Porque o Sporting oferecia a bola, mas controlava o jogo e em ataques rápidos era a única equipa a criar oportunidades.

Coentrão enviou a bola número 3 aos ferros (2.ª da conta pessoal), numa jogada de combinação com Gelson Martins, e Bruno Fernandes imitou o companheiro de equipa, enviando a bola número 4 ao ferro (2.ª da conta pessoal), desperdiçando o trabalho de William, que diligentemente levou a bola até à área antes de a deixar redondinha ao colega que a rematou ao poste mais longínquo da baliza de Cássio. Literalmente ao poste mais longínquo da baliza de Cássio.

Estávamos então no minuto 68, o Sporting vencia apenas por 1-0 e o jogo ameaçava ficar perigoso para os leões. Mas o Rio Ave, não abdicando dos seus princípios de jogo apoiado, também não teve o engenho de colocar em perigo a vantagem do Sporting, que aos 84 minutos, para evitar qualquer surpresa, fez o segundo.

Bem Coates a ganhar uma bola a meio-campo e a levá-la até à área, onde ficou para baralhar as marcações da defensiva dos vilacondense. E com mais um gigante para dominar, o espaço abriu-se e quando Gelson (que grande jogo do miúdo!) cruzou havia menos gente a tomar conta de Bas Dost. O holandês nem teve de saltar: a bola foi ter com ele e ele só teve de a guiar ao fundo das redes.

Jesus temia que o físico dos jogadores desse de si, mas tudo jogou a seu favor: jogadores inspirados, Rio Ave que pouco massacrou e golos nos momentos certos. Até deu para promover a estreia de Wendel. Fossem todos os domingos à noite assim tão descansados para o treinador do Sporting.