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Dar o que se tem e o que se não tem talvez se chame mesmo alma

O Sporting não quebrou no clássico, mas quebrou este domingo, frente ao Boavista. Valeu a vontade de se agarrar com unhas e dentes ao golo marcado por Bas Dost na melhor fase dos leões, que nos últimos 20 minutos jogaram no limite da exaustão mas conseguiram uns sofridos três pontos

Lídia Paralta Gomes

Gualter Fatia/Getty

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Durante a semana, o Sporting assegurou de forma ligeiramente dramática um lugar na final da Taça de Portugal, num jogo intenso, frente ao FC Porto, em que os leões tiveram de fazer horas extraordinárias e ainda guardar mais um bocadinho para as grandes penalidades.

Foi uma vitória saborosa para o Sporting. Não só porque é um troféu que fica ali à mão de semear, mas também porque os jogadores de Jorge Jesus não quebraram fisicamente, como temia o treinador leonino, após mais de meia centena de jogos - Jesus chamou-lhe alma e talvez seja, nos grandes momentos uma pessoa dá o que tem e o que não tem e isso talvez se chame mesmo alma.

Mas não quebrou o Sporting no clássico, quebrou esta noite em Alvalade, em jogo para o campeonato frente ao Boavista. Uma ressaca que apareceu nos últimos 20 minutos, altura em que os leões foram obrigados a defender com aquela tal força que às vezes não se sabe que se tem o 1-0 que conseguiram no seu melhor período, na 2.ª metade dos primeiros 45 minutos.

Foi de grande penalidade que os leões marcaram, aos 26 minutos, após uma mão na bola de Robson, que Bas Dost converteu com o habitual pragmatismo. Até então, o jogo havia sido dividido, porque o Boavista de Jorge Simão não é equipa de se atemorizar frente aos grandes.

Após o golo, o Sporting foi para a frente, sob a batuta de Bruno Fernandes. Bas Dost (aos 35') e Gelson Martins (43') só não aumentaram a vantagem porque Vagner é um dos bons guarda-redes da liga.

Gualter Fatia/Getty

Após o intervalo, continuou o duelo particular Vagner-Gelson Martins, sempre com vantagem para o guardião do Boavista, até o Sporting rebentar de vez.

Percebendo a falência física do adversário, Jorge Simão tentou agitar nas substituições: o Boavista pegou no jogo sem, a bem da verdade, ter alguma vez criado perigo absoluto para a baliza de Rui Patrício. E os jogadores do Sporting iam defendendo como podiam, no absoluto limite da exaustão e já sem Mathieu e Acuña, ambos lesionados.

Se a cabeça estava no dérbi, na possibilidade de ainda chegar ao 2.º lugar do campeonato e se estava também no Jamor, o corpo já só pedia uma banheira cheia de gelo.

Paradigmático disto? Aquele falhanço de Bruno Fernandes aos 88 minutos. Ele, sempre com as melhores soluções nos pés, ele que vê quase sempre um bocadinho mais além que os outros, isolado e com Bas Dost ao seu lado, emaranhou-se na bola e deixou-se antecipar pelos defesas adversários.

Com um Boavista mais inspirado, é possível que o Sporting não tivesse conseguido estes três pontos. Mas conseguiu, porque mais uma vez deu o que tinha e o que tinha. E isso talvez se chame mesmo alma.