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O Sporting já começa a ouvir o hino da Champions e os culpados são os pézinhos de Bruno Fernandes

Não foi o melhor dos jogos do Sporting esta época, bem longe disso. Mesmo sabendo que uma vitória permitiria igualar o Benfica no 2.º lugar, os leões sofreram muito frente ao Portimonense, mas é nestas alturas que se torna um luxo ter um jogador como Bruno Fernandes. O médio fez os dois golos da vitória do Sporting por 2-1, o último deles a um minuto do final

Lídia Paralta Gomes

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

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Às tantas, a meio da 2.ª parte, um dos comentadores da transmissão televisiva do Portimonense-Sporting dizia, meio que surpreendido, que Bruno Fernandes “tinha caído muito”.

Não foi só Bruno Fernandes. O Sporting caiu muito na 2.ª parte, num jogo em que, diga-se, nunca foi brilhante, em que nunca pareceu conseguir lidar com a) um Portimonense que sabe sair para o ataque e b) a pressão que é saber que em caso de vitória, o 2.º lugar estava ali à mão.

E é nestas alturas que é um luxo ter um jogador como Bruno Fernandes. Que tem mais de cinquenta jogos nas pernas e mesmo nos jogos em que já não parece tão fresco, tão afinado, ainda tem a clarividência e o talento para resolver o que até então parecia empancado. Foi assim na 1.ª parte, uns primeiros 45 minutos em que o Sporting era superior, mas não criava oportunidades, até Bruno Fernandes combinar com Bas Dost e, em frente a Leonardo Navacchio, picar-lhe a bola.

Também foi assim na 2.ª parte, quando o empate parecia sina, quando o Sporting, em vez de começar a ouvir o hino da Champions, ia acabar a noite a olhar para o retrovisor (porque o Sp. Braga ainda vem lá). Ao minuto 89, depois de 45 minutos em que os leões raramente conseguiram ligar um passe, sem fio de jogo ou ideias, em que não houve resposta com pés e cabeça àquele golo de Fabrício quase ao intervalo, em que viram Rafa Soares e Nakajima, principalmente Nakajima, cheios de vontade de ver Rui Patrício mais uma vez a ir buscar a bola ao fundo da baliza, depois de tudo isso, Bruno Fernandes viu uma bola afastada por Rúben Fernandes a vir na sua direção, aninhou-a no peito e sem deixar cair enviou uma bomba para a baliza do Portimonense. Daquelas tão imprevisíveis e poderosas que ninguém podia apanhar.

António Cotrim/EPA

Há quase 50 anos que nenhum médio português do Sporting marcava tantos golos numa só temporada. Bruno leva já 16, mas nem só de golos vive esta temporada do miúdo que os leõe foram buscar à Serie A. Em Bruno Fernandes também está o inconformismo de quem só deixa de tentar quando o jogo acaba, de quem tem sempre aquele pedacinho de fantasia misturado com eficácia e vontade, por demais necessário quando, claramente, tudo o resto falha.

Esta noite, enquanto coletivo, o Sporting não foi o Sporting de outros jogos. Bas Dost nunca foi bem servido, a defesa, sem Mathieu e com um não rotinado Petrovic, falhou mais do que o costume. Mas estava lá Bruno Fernandes e é graças aos pézinhos de Bruno Fernandes que, em Alvalade, se pode, de facto, começar a ouvir o hino da Champions. E sem olhar para trás.