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Marcelo e Ferro avaliam condições de segurança para ir ao Jamor

As duas figuras cimeiras do Estado temem que a presença de Bruno de Carvalho incendei a final da Taça e, com Bruno presente, admitem não ir ao Jamor. Marcelo não quer "fazer de conta". Ferro sugere jogo sem público. Até domingo, está tudo em aberto

Ângela Silva

Marcelo e Ferro Rodrigues Marcelo estão articulados na resposta ao incidente

LUÍS BARRA

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Marcelo Rebelo de Sousa e Ferro Rodrigues estão articulados na gestão política da crise que os incidentes no Sporting abriram para a final da Taça de Portugal e ainda não decidiram se vão ao Jamor. O Presidente da República e o Presidente da Assembleia da República temem que a presença de Bruno de Carvalho na galeria onde também se iriam sentar as altas individualidades do Estado possa suscitar desacatos imprevisíveis e aguardam pelas cenas dos próximos capítulos e por mais informações dos serviços de segurança, deixando tudo em aberto até domingo.

"Imagine o que seria se adeptos sportinguistas começassem a mandar objetos para a bancada de honra em protesto contra o presidente do clube. As duas figuras cimeiras do Estado (que estariam na mesma galeria que Bruno de Carvalho) não podem sujeitar-se a isso", explicou ao Expresso fonte que está a acompanhar o processo.

Enquanto o Governo avalia, em coordenação estreita com a Federação Portuguesa de Futebol e as forças de segurança, as condições para manter o jogo no domingo e no local previsto, Marcelo e Ferro esperam para ver que novos dados vão surgir de dentro do Sporting Clube de Portugal e não se comprometem com a sua presença. Até porque, alertam as mesmas fontes, com as detenções e denúncias de irregularidades no clube em crescendo, não há certezas sobre se o próprio Bruno de Carvalho irá ao jogo.

O Presidente da Assembleia da República, embora sportinguista convicto, foi duro na avaliação que fez dos incidentes "gravíssimos" e da atuação do próprio presidente do clube."Fez mais uma daquelas extraordinárias intervenções, como é habitual", afirmou Ferro Rodrigues, referindo-se ao facto de Bruno de Carvalho ter dito que o que aconteceu em Alcochete "foi chato". Ferro sugeriu, aliás, que a final da Taça decorresse à porta fechada, sem público, ou que passasse de Lisboa para a Vila das Aves.

Marcelo Rebelo de Sousa recusou-se a responder às perguntas dos jornalistas sobre se irá ao estádio. Mas foi igualmente duro a julgar a invasão da academia do Sporting e as agressões violentas aos jogadores e equipa técnica: "Foram acontecimentos graves que não podemos banalizar". Marcelo falou de "uma escalada": "não é um ato isolado, tem um contexto", mostrando que está bastante preocupado com o "aumento da violência" no desporto e na sociedade em geral e que teme que outras cenas similares se multipliquem.

Para já, PR e PAR aguardam a evolução da situação no Sporting e a avaliação detalhada que as forças de segurança estão a fazer até domingo para decidir o que farão. A hipótese avançada como alternativa por Eduardo Ferro Rodrigues - um jogo sem público - também não é descartada em Belém.