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Rogério Alves e o 'nim' a uma possível candidatura à presidência do Sporting: "Eu não me alheio dos problemas do clube"

Em entrevista à RTP3, advogado defendeu a demissão imediata dos órgãos sociais do Sporting face aos acontecimentos "insólitos, inéditos e gravíssimo" que têm abalado o clube. Quanto à hipótese de avançar como candidato à presidência, Rogério Alves deixou a porta entreaberta: "Não estava na minha agenda, mas eu não sabia que isto ia acontecer e este turbilhão precipitou muita coisa. Não digo categoricamente que não, como não digo que sim"

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Sporting em risco de implodir

“Eu espero que não, mas não vamos disfarçar ou dourar a pílula: o Sporting está a viver um dos períodos mais negros da sua história e na terça-feira viveu o dia mais negro da sua história, algo que envergonhou o clube perante o mundo. A equipa foi vítima de uma coisa vergonhosa, repugnante e criminosa”

BdC tem responsabilidades?

“A direção do clube tem uma responsabilidade objetiva, porque se os jogadores ficaram desprotegidos perante aquela invasão, aquela emboscada, obviamente há responsabilidades. Alguma coisa correu mal. Como é possível que aquelas pessoas entrem e caminhem pela Academia sem que haja um alerta? Houve erro, falha e responsabilidade política da direção”

Demissão

“Os órgãos sociais devem demitir-se, não há condições para estes órgãos sociais continuem. Não é só por isto, mas o que aconteceu esta terça-feira foi o corolário de tudo. Bruno de Carvalho tem responsabilidade, indiscutivelmente, porque criou um ambiente de permanente, inédito e insólito antagonismo com jogadores e equipa técnica. E não podia dar bom resultado”

Assembleia geral

“Têm de ser acionados os mecanismos estatutários. Do meu ponto de vista, face a estes acontecimentos insólitos, inéditos, gravíssimos - porque não estamos a falar de bagatelas - essa assembleia deve existir não para discutir questões sobre o que aconteceu mas com o intuito de provocar eleições. A direção deve imediatamente colocar o lugar à disposição porque há muitas questões agora, a possibilidade de resolução contratual dos jogadores, a preparação da próxima época, e outros. E esta direção não tem capacidade nem credibilidade para as resolver”

Vai candidatar-se?

“Esse assunto não está na minha agenda, mas eu não sabia que isto ia acontecer e este turbilhão precipitou muita coisa. Não digo categoricamente que não, como não digo que sim. Há muitos sportinguistas que me perguntam se me vou candidatar mas isto não é uma questão de querer ir ou não: as pessoas têm de se reunir e encontrar um projeto. E haverá muita gente capaz. Mas o problema agora não é quem vai candidatar-se, é como se resolve este problema atual. Não fecho a porta, nem abro a porta - eu não me alheio dos problemas do Sporting. Se isso for a melhor solução para o clube, para a minha vida, é uma hipótese”

Suspeitas de corrupção

“Em qualquer processo, seja do Sporting, do Benfica, de quem seja, falar da presunção de inocência não é só um ritual que fica bem. Não ficámos na mesma, há um dano de reputação que é sofrido e juntar a turbulência de terça e quarta-feira não é agradável. Mas seria lamentável concluir-se por um início de uma investigação que o Sporting é culpado e que fossem tiradas conclusões precipitadas”

Situação económica do Sporting

“Estou preocupado pela soma de vários factores: a não qualificação para a Champions e a iminência de outros estilhaços, como a possível rescisão de contratos, que é preocupante, claro que é preocupante. Se olharmos para o código de trabalho como para as leis de trabalho desportivo, é razoável a questão da rescisão, há razões que podem evocar. Espero que não aconteça, seria muito mau para o Sporting. Mas face ao que aconteceu é difícil de prever”

Ideia de que é um D. Sebastião, crítica de BdC

“Nada disso, a ideia de que uma pessoa chega e salva um clube é anacrónica, talvez no tempo do D. Sebastião fosse assim mas nessa altura não havia SADs. O que pode haver é uma pessoa com poder agregador. Essa imagem de Bruno de Carvalho é uma crítica e ele tem direito, mas não corresponde à verdade. Eu não fomento nada disso”