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Um BWM azul, a suspeita de um saco da mesma cor e uma pergunta

A invasão da academia do Sporting continua a destapar factos novos: um BMW terá retirado de Alcochete membros da Juve Leo, há acusações de que os dirigentes foram avisados antes e a descoberta de 60 mil euros no cofre do gabinete de André Geraldes

Hugo Tavares da Silva

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Dois minutos. Foi este o tempo que o BMW azul demorou entre entrar (19h20) apenas com condutor e sair (19h22) cheio na academia de Alcochete após a invasão de 50 adeptos. De acordo com a SIC, o carro transportava membros da claque do Sporting. Pedro Madureira, advogado de defesa de vários suspeitos, confirmou na manhã desta sexta-feira que há indícios de que o BWM foi autorizado a entrar na academia para retirar alguns dos agressores. Madureira admite ainda que o vídeo que mostra agressões e a saída dos invasores, que se encontra na posse da direção do clube, foi “provavelmente” editado.

Já Guilherme Oliveira, advogado de um dos 23 arguidos, falou aos jornalistas à saída do Tribunal do Barreiro e admitiu a possibilidade de os dirigentes não terem feito nada para evitar a invasão. “Se sou avisado que vêm a minha casa e deixo a porta aberta e entram, acha que isso é terrorismo?” Este advogado revelou que o grupo de invasores foi convocado através do WhatsApp, uma aplicação de mensagens para telemóvel, e que queria apenas “falar com os jogadores”, admitindo a possibilidade de haver diferentes intenções entre os adeptos.

lusa

A ressaca do ataque a Alcochete continua agitada. Esta sexta-feira começou com a notícia de que Jorge Jesus terá em sua posse provas que comprometem o presidente do clube, Bruno de Carvalho, ligando-o à invasão da academia do Sporting. Os contactos para o “aperto” terão acontecido após a derrota contra o Atlético (0-2) em Madrid. O jornal “Público” apurou que o treinador usará essa cartada caso não consiga acordo para rescindir o contrato.

Pouco depois desta notícia, surgia outra: o conselho diretivo sofria mais uma baixa, Bruno Mascarenhas. “Nestes momentos muito difíceis que atravessamos, apelo a que mantenham a calma e evitem tomadas de posição. Os órgãos sociais dos núcleos representam o Sporting e os seus associados localmente e por isso têm uma responsabilidade acrescida”, disse esta manhã o vogal demissionário, responsável pelo pelouro da expansão e núcleos do clube.

O guião do “folhetim Sporting” ganhou nova dimensão com a revelação de Paulo Silva, o empresário que teria como missão corromper árbitros e jogadores, de que tinha recebido dinheiro do “Correio da Manhã” para dar uma entrevista, esta terça-feira. O empresário, que revelou o alegado esquema de corrupção e com isso deu início à investigação Cashball, diz que deu a entrevista porque “andava a ser abordado e pressionado pelos jornalistas” e que lhe tinham “oferecido [uma] quantia monetária de valor elevado”. Contactado pelo Expresso, o diretor do “CM”, Otávio Ribeiro, negou: “Paulo Silva não recebeu dinheiro nenhum do ‘CM’ nem da ‘CMTV’. Tenho a certeza”

O diretor geral de futebol do Sporting, André Geraldes, foi detido na quarta-feira, juntamente com os empresários Paulo Silva e João Gonçalves, assim como o funcionário do clube Gonçalo Rodrigues. No dia seguinte, Geraldes, o principal arguido da investigação Cashball, foi libertado sob fiança de 60 mil euros. Foi exatamente essa a quantia que os inspetores da Polícia Judiciária encontraram guardados no cofre do seu gabinete no clube. Está em cima da mesa a suspeita de um ‘saco azul’, de onde alegadamente era retirado o dinheiro para fazer os pagamentos dos arranjos com árbitros e jogadores no futebol e no andebol.

Esta sexta-feira ficou a saber-se também que dois patrocinadores do Sporting pretendem rescindir o contrato em vigor. “É uma vergonha continuarem a prejudicar o clube, envergonhar os patrocinadores”, escreveu o presidente executivo de uma das empresas num comunicado. Como não houve demissão, vão bater com a porta: “A arrogância e prepotência falaram mais alto, não existem condições para continuar ligados a uma imagem de violência, escândalos e incongruências”, acrescentou. “O sentimento é de vergonha”, escreveu a outra empresa no Facebook.