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Juiz diz que declarações dos suspeitos do ataque a Alcochete só serviram para os incriminar

Nove dos 23 detidos aceitaram responder às perguntas do juiz de instrução criminal do Barreiro. Para o magistrado, as declarações só contribuíram para confirmar as suspeitas. Um dos atacantes diz que tapou a cara para não ser confundido com os outros que faziam coisas más”

Rui Gustavo, Hugo Franco e Pedro Candeias

RUI MINDERICO/LUSA

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O juiz que aplicou a medida de prisão preventiva a todos os 23 atacantes da Academia de Alcochete usou as declarações dos nove suspeitos que aceitaram falar para justificar a decisão. No despacho a que a Tribuna Expresso teve acesso, o juiz diz que as declarações dos arguidos, "ao invés de abalarem os fundamentos do Ministério Público, acabaram por reforçar o mesmo, corroborando a versão apresentada, acrescentando-lhe a premeditação da conduta".

O magistrado refere-se ao facto de os suspeitos terem admitido que combinaram o ataque por WhatsApp, que se encontraram todos no parque de estacionamento de um supermercado, que decidiram usar capuzes para não serem reconhecidos e que deixaram propositadamente os veículos a um quilómetro de distância para poderem usar "o efeito de supresa". Um dos suspeitos que aceitou falar conseguiu surpreender o juiz ao declarar que só tapou a cara porque "não queria ser confundido com outras pessoas que ali estivessem a fazer coisas más". Quando as "coisas más" começaram a acontecer, o suspeito não destapou a cara para não ser confundido com os outros mascarados, constata o juiz.

Os advogados de defesa mostraram-se especialmente "chocados" com a medida de coação aplicada todos os arguidos, alguns "muito jovens", mas o magistrado justifica-se com a gravidade dos crimes e com o receio de que "com todos os restantes intervenientes por identificar" seja "altamente provável que os arguidos tentem alterar e condicionar os demais depoimentos em seu favor".

O juiz lembra os tempos em que colecionava cromos e autógrafos dos seus "ídolos" e lamenta "a perversão do desporto, a utilização de atletas para os adeptos se sentirem campeões, e quando tal não é atingido, castigam os jogadores, batem-lhes, estragam-lhes os carros, prometendo-lhes outras agressões se não se portarem bem".

De acordo com o despacho do juiz, foram agredidos 12 jogadores e técnicos cujos depoimentos já foram revelados pela Tribuna Expresso.