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Direção do Sporting não se demite e não quer ir a votos

Numa nota à imprensa enviada às redações, os sete membros do Conselho Diretivo dizem-se contra a Assembleia Geral Extraordinária e elencam uma série de motivos para a sua posição, alertando para eventuais prejuízos financeiros e desportivos

Pedro Candeias

Em conferência de imprensa, quinta-feira à noite, em Alvalade, estiveram José Quintela, Luís Roque, Alexandre Godinho, Rui Caeiro, Bruno de Carvalho, Carlos Vieira, Fernando de Carvalho (vogal do Conselho Fiscal), Luís Gestas e Guilherme Pinheiro (administrador da SAD)

António Cotrim

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Desde sexta-feira, a atual direção do Sporting tem anunciado uma série de medidas que esperam vir a atenuar críticas num momento conturbado: a suspensão dos benefícios às claques (numa altura em que o campeonato está parado), a segurança em Alcochete, o fim da omnipresença de Bruno de Carvalho, quer no no banco de suplentes, quer na Comunicação Social, ao assegurar Fernando Correia para porta-voz do presidente. Por outro lado, os anúncios das contratações de Augusto Inácio e de dois futebolistas (Raphinha e Marcelo, ambos já ‘comprados’ em janeiro) servem para dar o passo em frente e pôr o foco na temporada que aí vem.

E é neste tom que Bruno de Carvalho e os seus colegas de direção prosseguem nesta nota de imprensa enviada às redações, horas depois de Frederico Varandas ter anunciado a sua candidatura a umas eventuais eleições.

Num documento de três páginas, o Conselho Diretivo começa por dizer que não está agarrado ao poder, que não se demite e que não quer uma Assembleia Geral Extraordinária - e nem ir a votos. Estes são os argumentos: “uma AG com o propósito de discutir a continuidade do Conselho Diretivo trava de imediato o lançamento do Empréstimo Obrigacionista, sem o qual o clube e a SAD deixarão de ter capacidade para fazer fazer face a compromissos imediatos”; “trava de imediato a preparação da próxima época desportiva, uma vez que passa a ser praticamente impossível concretizar transações de jogadores e prejudica a negociação de mais patrocínios”.

É evidente que Bruno de Carvalho quer ganhar tempo e, no entretanto, ir conseguindo remendar a sua imagem perante os sócios. E também é evidente que a oposição procura exatamente o contrário.

O jogo continua ao final desta tarde, quando BdC reencontrar os órgãos sociais demissionários em reunião.

“Na sequência de várias críticas surgidas nos últimos dias, que acusam os membros do Conselho Directivo do Sporting Clube de Portugal de estarem apegados aos lugares, recusando avançar com o pedido de renúncia, para que se possam convocar eleições antecipadas, cumpre-nos esclarecer:

1 – Os membros do Conselho Diretivo do Sporting CP não estão apegados aos seus lugares;

2 – Consideramos que desencadear, neste momento, qualquer medida que seja perturbadora do normal funcionamento do Clube e da SAD põe em causa uma série de compromissos e objectivos que, depois de garantidos, assegurarão um futuro ainda mais sólido, quer para o Clube quer para a SAD;

3 – Desejamos que os associados e accionistas do Sporting CP e da Sporting SAD, respetivamente, tenham consciência de que o agendamento precipitado de uma Assembleia Geral com o propósito de discutir a continuidade do actual Conselho Directivo trava de imediato o lançamento do Empréstimo Obrigacionista, sem o qual o Clube e a SAD deixarão de ter capacidade para fazer face a compromissos imediatos; trava de imediato a conclusão do contrato jurídico que permite implementar a melhoria substancial da reestruturação financeira que foi negociada e que permitirá ao Clube passar a ser, em definitivo, dono do seu destino sem qualquer interferência externa; trava de imediato a preparação da próxima época desportiva, uma vez que passa a ser praticamente impossível concretizar transações de jogadores e prejudica a negociação de mais patrocínios;

4 – Se de uma eventual AG Extraordinária saísse a decisão de convocar eleições, as mesmas nunca iriam realizar-se antes da primeira semana de Agosto. Tal medida colocaria em causa, desde logo, a possibilidade de garantir a constituição de um plantel ainda mais forte para o futebol profissional. A consequência imediata seria o hipotecar logo à partida de uma época que se pretende vencedora e de Glória;

5 – Não é por acaso que os actos eleitorais no Sporting Clube de Portugal se realizam estatutariamente no mês de Março. Esse é um momento em que não se coloca em causa a época corrente e muito menos a época futura;

6 – Os membros do Conselho Directivo do Sporting Clube de Portugal não renunciam ao seu mandato, neste momento, por manifesto e evidente sentido de responsabilidade, por considerarem que nada aconteceu que justifique este estado de alarmismo e de aparente ruptura, e porque existem quatro objectivos a concretizar, os quais são muito mais importantes para definir o futuro do Clube e da SAD do que qualquer querela ‘política’ ou de disputa pelo poder: lançamento de um primeiro empréstimo obrigacionista em Junho; assinatura do contrato jurídico da melhoria da reestruturação financeira; venda e compra de passes de jogadores de e para o plantel do futebol profissional; emissão de um segundo empréstimo obrigacionista em Novembro;

7 – Posto isto, é bom que todos tenhamos consciência de quem será responsável pelo eventual falhanço destes objetivos. Não podem ser, em nenhuma circunstância, assacadas responsabilidades a quem, não por apego ao poder, mas por exclusivo sentido de responsabilidade, tenta evitar a todo o custo uma crise que foi desencadeada de forma absolutamente artificial e sem que houvesse qualquer fundamento para tal.

São estas as razões, e não outras, as que nos impõe a decisão de ficar.

Viva o Sporting Clube de Portugal!

Bruno de Carvalho
Carlos Vieira
Rui Caeiro
José Quintela
Alexandre Godinho
Luís Roque
Luís Gestas”