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Sindicato da PSP não iliba SAD do Sporting nas agressões em Alcochete, como alega Bruno de Carvalho

Presidente do clube garantiu na reunião de quinta-feira que um comunicado da ASPP descartava o envolvimento da SAD nas agressões ocorridas na Academia. Só que o documento não faz qualquer referência a dirigentes do Sporting

Hugo Franco

RUI MINDERICO/LUSA

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Bruno de Carvalho garantiu na reunião dos órgãos sociais realizada na última quinta-feira em Alvalade que a Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP) da PSP tinha ilibado os dirigentes do Sporting nas agressões ocorridas na Academia de Alcochete que fizeram doze vítimas, entre jogadores e equipa técnica do clube.

Bruno de Carvalho declarou que a "ASPP confirmou expressamente em comunicado o não envolvimento da SAD nos lamentáveis acontecimentos da Academia." E ainda que "desde que se iniciou esta instabilidade política só aconteceram coisas positivas (no Sporting)", entre elas "o comunicado da ASPP onde fica claro que não há responsabilidade da SAD no sucedido na Academia", pode ler-se do documento de nove páginas enviado pela direção do Sporting aos sócios sobre a referida reunião.

Só que o comunicado da ASPP não faz qualquer referência à SAD do Sporting, nem a iliba (ou culpabiliza) pelos episódios de violência cometidos por cerca de 50 adeptos de cara tapada que entraram às 17h do dia 15 na Academia. Aponta sim o dedo à violência física e verbal no futebol, a pretexto dos acontecimentos em Alcochete.

"A ASPP condena, de forma veemente, os acontecimentos verificados nos últimos dias em torno da violência no futebol. Importa, ainda assim, ressalvar que o sucedido não foi fruto do acaso e é antes uma consequência do escalar de violência verbal e não só que tem acontecido entre diversos agentes desportivos", lê-se no documento publicado no site do sindicato no dia 21.

No parágrafo seguinte, a ASPP salienta que "atos como os que ocorreram em Alcochete são absolutamente imprevisíveis e derivam da violência desportiva, mas contêm claramente intenção criminosa. A forma como foi perpetrado o alegado crime era totalmente imprevisível". Alertando para a necessidade de "repensar, com todos os intervenientes, o que tem vindo a tornar-se o futebol profissional. É incomportável que o atual estado se mantenha. Uma cidade não pode estar sitiada por causa de um jogo de futebol".

O sindicato termina com um apelo, dizendo-se "disponível para contribuir para as soluções necessárias à pacificação do desporto", para que o futebol "volte a ser uma atividade que possa ser desfrutada em família, de festa e não em clima de guerra".

Paulo Rodrigues, presidente da ASPP, confirma que nunca falaram no Sporting no comunicado. "A nossa preocupação vai para o excesso de violência que tem vindo a aumentar no futebol. Nunca nos referimos ao Sporting ou à SAD".

De acordo com fontes contactadas pelo Expresso, membros do sindicato ficaram desagradadas com o facto de Bruno de Carvalho ter invocado o comunicado em sua defesa.

Também o Ministério Público desmente afirmações de Bruno de Carvalho, pois não há relatório a desresponsabilizar o Sporting das agressões em Alcochete.

[artigo atualizado às 12h55 com as declarações de Paulo Rodrigues]