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Battaglia e o ataque a Alcochete: "A minha opinião não a vou dar, porque estão a investigar. Houve um grande alarido, meteu governo e tudo"

Numa entrevista ao canal argentino TyC Sports, Rodrigo Battaglia falou pela primeira vez das agressões no centro de estágio do Sporting. Questionado sobre a possibilidade de haver um mandante, o médio preferiu remeter-se ao silêncio e sobre o futuro diz que é algo "a pensar depois das férias". Surpreendido, diz que nunca pensou viver o que viveu em Alcochete e admite ter sido abordado pelo Independiente. "Na Argentina tive alguns 'apertões', mas nada sério comparado com o que aconteceu em Portugal. Pensamos que lá este tipo de coisas não acontecem, mas aconteceu"

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NurPhoto/Getty

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Rodrigo Battaglia falou pela primeira vez dos acontecimentos de Alcochete, ele que foi um dos principais visados do grupo de adeptos que invadiu a academia do Sporting, agredindo vários jogadores e membros do staff técnico dos leões. De férias na Argentina, o médio concedeu uma entrevista ao canal TyC Sports, em que falou do ataque e da surpresa que foi viver algo do género em Portugal, onde vive há cinco anos.

"Foi um momento difícil. Na Argentina tive alguns 'apertões', mas nada sério comparado com o que aconteceu em Portugal. Pensamos que lá este tipo de coisas não acontecem, mas aconteceu. Foi muito estranho, é um tema do qual não quero falar muito porque há ações legais a resolver, mas sim, vivemos coisas más, um grupo de rapazes entrou no balneário e agrediu-nos. Foi um momento muito difícil para todos”, começou por dizer o jogador que o Sporting contratou ao Sp. Braga no início da época.

“Eu tive sorte mas tive colegas… a um abriram-lhe a cabeça. Acabámos todos em pânico, foi um momento de pânico. Nós não estávamos a entender nada, aquele grupo de gente encapuzados, com uma atitude muito violenta… foi duro", continuou o jogador, não querendo adiantar se está ou não de saída do clube de Alvalade. "Não sou eu que estou a resolver o meu futuro, agora estou de férias e quero limpar a cabeça. A minha primeira reação ali foi ir para casa, encontrar a minha namorada. Porque não foi só aquilo que aconteceu ali. Já nos tinham avisado que poderiam ir atrás de nós. Depois não treinámos durante três ou quatro dias, jogámos a final da Taça e infelizmente perdemos. Agora estou de férias. Tenho contrato com o clube mas o futuro é algo que tenho de pensar".

Questionado sobre a possibilidade do ataque ter um mandante, Battaglia não se quis alongar muito. "Isso está tudo a ser investigado. A minha opinião não a vou dar, porque estão a investigar. Houve um grande alarido com isto porque meteu o governo e tudo. Foi pesado", disse o jogador, sublinhando que "o Sporting é um clube incrível" e que "nunca se passou nada do género".

"É normal às vezes que na rua que te digam algo, mas é sempre com respeito, nunca com violência. Nunca pensei que ia passar algo do género, estávamos todos tão surpreendidos que nem sabíamos como reagir", afirmou ainda.

Falando também do braço de ferro entre jogadores e o presidente Bruno de Carvalho após a derrota em Madrid, Battaglia confessou a sua incompreensão, na medida em que acredita que o Sporting teve um ano positivo. "Estávamos num grupo da Champions com Barcelona e Juventus e chegámos ao último jogo com hipótese de nos qualificar. Depois na Liga Europa somos eliminados pelo Atlético, que foi campeão, disputámos o campeonato até ao fim, vencemos a Taça da Liga… se fizemos um resumo do ano foi muito positivo e por isso é tão estranho o que se passou connosco", confessou.

Independiente? Nem por isso

Muito se fala da possibilidade de vários jogadores do Sporting saírem no defeso e Battaglia admite ter mercado na Argentina, nomeadamente no Independiente, que terá indagado o Sporting sobre a possibilidade de contratar o médio.

"Sim, ligaram-me [do Independiente]. Mas o Sporting pediu uma soma de dinheiro que me parece impossível. Mas também não tenho na minha cabeça voltar à Argentina, agora quero ficar por lá", revelou o médio, que esteve na lista de pré-selecionados de Jorge Sampaoli para o Mundial da Rússia, mas acabou por cair no último corte.

"Tive esperança [em ir ao Mundial], mas ainda assim fiquei feliz porque é importante que o selecionador tenha querido ver-me. Agora vou continuar a trabalhar para um dia ter a minha oportunidade. Aquilo que Sampaoli me disse vou guardar para mim, são coisas de futebol, da vida. A verdade é que foi uma reunião positiva, saí de lá feliz. Eu sabia que estava debaixo de olho porque o Marcos [Acuña] está na minha equipa e como sempre o observam, também tinha essa esperança que me chamassem", continuou o jogador de 26 anos, que não tem dúvidas estar a viver o seu "melhor momento" na carreira.

"Acho que é o meu melhor momento. Já estou fora há cinco anos em Portugal. Estou muito bem, gosto do país. Estou num grande clube, jogámos a Champions, a Liga Europa. Não posso pedir muito mais", rematou.